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Sunday, April 26, 2009

Caminhando rumo à democracia?

Leiam lá esta notícia e vão ver se não estranham

Otelo diz que Largo de Salazar «é didáctico»

Querem ver que ficou democrata?

Saturday, April 25, 2009

E agora vou almoçar!

Já que o Miguel me lembrou!



Só para dar alegria ao dia de hoje!

Leituras e Visitas para Hoje

Visto que amanhã é dia Santo, temos que nos conter nas visitas...

Abril...Prisões Mil

O Coronel Terrorista

O Que é sempre Portugal

Por vontade de Deus, sou português. Nasci em Portugal, e as vicissitudes da vida não me obrigaram nunca, até hoje, a sair deste lugar, na ponta ocidental da Europa, na qual Espanha se encosta e põem debaixo do braço, enquanto o outro lado se banha no Atlântico.

Nasci na década de 80. Não conheci por isso, aquele que era o Portugal do passado. Ou melhor, conheci-o e visitei-o através daqueles que nele viveram. A minha família não era toda monárquica ou salazarista. E os que os eram nunca o foram de forma ideológica porque nunca tinha sequer pensado no que isso era. Porque nunca se dedicaram a reflexões políticas. Eram, como a maioria das pessoas de hoje, alguém que vivia no seu tempo, com as suas preocupações, e que esperava vê-las resolvidas. O que herdei não foi por isso, o fruto de uma educação propagandística ou ideológica. Antes pelo contrário. Foi o testemunho concreto, de pessoas concretas, que viveram num tempos distintos e os comparavam, contando-me o que viveram, quando confrontadas com as minhas questões acerca da história que me ensinavam na escola.

Não acho que o dia de hoje, seja comemorativo. Nunca o achei. Fui educado assim, e o tempo e o estudo permitiram-me fortalecer essa convicção.

Não se julgue que não gosto do Portugal de hoje. Não é verdade. Sou, como gosto de o afirmar, um nacionalista, um patriota.
Amo Portugal porque ele é a minha história e o meu eu. Ele é a minha terra, e do meu passado, e do passado dos meus. Aqui trabalharam e, com ou sem consciência, ajudaram a construir e a manter. Sou parte dele, com as suas tradições, hábitos e defeitos. As suas paisagens e os seus poetas e escritores.
Acredito que assim o é, pois que creio que Portugal é e será sempre, o conjunto do que foi; o conjunto da sua história, da totalidade dos valores e acontecimentos que, como dizia Prezollini, recordamos e esquecemos. Do país que, como lembrava Eduardo Freitas da Costa, se fundou na expansão e se realizou nos descobrimentos, sob a matriz cristã.

Amo por isso Portugal, e não sou como aqueles que acham que Portugal hoje mais valia não existir, que devia fundir-se ou desfazer-se; numa palavra, desaparecer, como defendiam alguns no século XIX.

Mas entristeço-me por vezes com o que lhe acontece ou lhe tentam fazer. O dia de hoje é celebrado na ignorância.
Não me acreditem porque sim. Ou não me façam ignorante porque não. Não vos apelo à crença. Apelo à razão.
Como vêem não estou do lado da maioria. Mas sei que o bem e o certo não são definidos por maior número. Pela política é fácil assim se fazer crer, pois que se vai a pouco e pouco, omitindo palavras e acontecimentos que invocam valores ou a falta deles, pois como escreveu um dia Adriano Moreira, “o silêncio é, no processo político, uma fonte documental tão importante como o discurso. Aquilo que se esconde está em luta com aquilo que se ostenta”. E à força de não os falarem, tornam-nos inexistentes; e promovendo valores opostos, tornam-nos únicos.

Porque me mantenho crente? Porque no fundo sou um Sebastianista, que acredita que por mais cerrado que seja o nevoeiro caído sobre Portugal, sempre se chegará a bom porto, sempre se acabará por aceitar aquilo que Eduardo Freitas da Costa chamou de Projecto Nacional, e que mais não é que o desejo uno que todos, sem excepção, querem ver realizado em Portugal, sabendo que isso também se encontra na dependência da adesão de cada um, último passo da liberdade individual.

Sunday, November 02, 2008

Alguns Motivos pelo Museu, na senda d' "A História de um Museu"

(ou seja na senda disto)

"Salazar deixou atrás de si uma herança que pode ser contestada mas não ignorada"Gonçalo Sampaio e Mello

"António de Oliveira Salazar é, queiramos ou não, seja-se a favor ou contra, admires-se ou execre-se, uma figura incontornável da nossa vida colectiva recente"António José Ferreira



"P. S. Desculpe-me o leitor mas não resisto a uma comparação entre fatos ocorridos sob o "opressivo regime salazarista" e o dito "das mais amplas liberdades".
A Faculdade de Direito de Lisboa, a cujo corpo docente pertenci durante 41 anos, foi fundada por Afonso Costa, o estadista que nos primeiros anos da República em Portugal concitou contra ele, pêlos seus actos e atitudes, ferocíssimos ódios dos adversários e até de correligionários. Durante muitos anos não se podia falar no seu nome diante de um católico sem ouvir a mais crua manifestação de repugnância e reprovação: ele era a própria encarnação de Belzebu...
Quando a Faculdade foi instalada no magnífico edifício construído pelo governo de Salazar, a congregação dos professores resolveu pedir ao Ministério da Educação Nacional que mandasse pintar os retratos dos antigos directores para figurarem numa galeria de honra. O Ministro deferiu e os retratos começaram a ser executados; mas o de Afonso Costa, que tinha sido o primeiro Director, não aparecia. Soube-se então que havia no Ministério quem fizesse obstrução a que tal personagem aparecesse homenageado num edifício público.
Em reunião do Conselho da Faculdade insurgi-me contra o fato. Defendi a tese de que naquela escola só interessava saber quem a serviu, quem a ela se dedicara e lhe prestara serviços, independentemente do juízo pessoal ou público acerca das opiniões e dos actos políticos de cada um. E propus que, para evitar quaisquer dificuldades oficiais, o retraio de Afonso Costa fosse mandado executar e pago pêlos professores que tinham estudado e ensinavam na escola por ele criada. Aprovada a proposta, com voto contrário de apenas três professores que logo se recusaram a contribuir, foi o retraio encomendado a um pintor que se sabia ser grande admirador de Afonso Costa e pago por nós. O retraio, inaugurado no melhor lugar da imponente sala do Conselho da Faculdade, foi visto, daí por diante, por ministros e autoridades oficiais sem qualquer reparo.
Raia a aurora das mais amplas liberdades em 25 de Abril de 1974. Na primeira reunião após o acontecimento o Conselho da Faculdade aprova, por unanimidade(1), uma moção em que, recordando os serviços prestados durante tantos anos à escola pelo professor que acabava de ser deposto da presidência do Conselho de Ministros, faz votos por que ainda um dia o veja de novo restituído à Cátedra que honrou: e esse voto foi bastante para que todos quantos nele participaram se vissem privados dos seus lugares, afastados do ensino, "saneados" como se dizia, sem forma de processo.
Aí está como em Portugal num lado se põe o ramo e noutro se vende o vinho.

______________________________
(l) Na ausência do Dr. Diogo Freitas do Amaral. Este meu antigo assistente e dedicado colaborador tem declarado repetidas vezes que se estivesse presente seria incapaz de votar o que se votou..."
Marcello Caetano

Tuesday, October 21, 2008

Um Caso Triste!

"A quem como discipulo beneficiou dos ensinamentos do Mestre cumpre assinalar o luto e a divida de gratidão."
Pedro Soares Martinez



O Desabafo...
Marcello Caetano
Presidente do Conselho de Ministros entre 1968 e 1974, sucessor de Salazar; Professor Catedrático da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, é considerado o pai da escola Administrativista Portuguesa. É um dos maiores juristas da história do Direito Português, e o melhor no campo do Direito Administrativo.

"O Diogo era devoto de Salazar, amigo do presidente Tomás, de quem um tio era ajudante, ao ponto de ir preparar os seus exames para o Palácio de Belém! A revolução dos cravos foi sobretudo a derrocada do carácter dos portugueses. Que homem!"
(...)
"Não sei o que pensas a respeito do CDS - para mim tem sido um desapontamento, como para a maioria das pessoas minhas conhecidas que a princípio acreditaram nele. E as atitudes do meu antigo discípulo - assistente Diogo do Amaral - na política e em relação a mim foram um dos maiores desgostos que neste período sofri"
(Carta de 13 de Abril de 1977)

"na verdade, no desgraçado panorama da política portuguesa actual, não há melhor"(que o CDS)
(...)
"Quanto ao CDS, compreendo muito bem a tua posição (...). As minhas razões de desconsolo com o partido e de indignação com o presidente são pessoais. E infelizmente justificadíssimas. No ano passado estive muito mal de saúde com o desgosto que me deu o sr. Diogo do Amaral. Mas isso é coisa minha e vocês têm de se agarrar ao que houver de menos mau."
(Carta de 28 de Abril de 1977)

"O que me impressiona no panorama político português actual é não ver ninguém com qualidades morais de liderança do País e sobretudo da chamada direita. Infelizmente conheço muito bem os Kaúlzas e os Adrianos Moreiras que tudo sacrificam à ambição do mando e tive um enorme desapontamento com o Diogo do Amaral. Do Galvão de Melo, simpatiquíssimo desmiolado que durante anos conheci fiel sustentáculo do salazarismo, nem se fala."
(Carta de 25 de Maio de 1977)

"Cá cou passando menos mal, assombrado(embora não surpreendido)com o espectáculo da democracia portuguesa. O Tal Soares deveria escrever um livro intitulado 'Como se Destrói um País'"
(Carta não identificada pelo DN)


...e a resposta (do visado).
Diogo Freitas do Amaral
Professor Catedrático da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, especialista em Direito Administrativo, foi largos anos assistente de Marcello Caetano no período de regência deste da disciplina de Direito Administrativo. Considerado como sucessor de Marcello Caetano, é ainda hoje o maior especialista vivo de Direito Administrativo em Portugal.

"Considero um grande elogio ser acusado por adversários da democracia em ter contribuído para a consolidar, em Portugal, em vez de, como pretendiam, ter alinhado nos golpismos de direita, que foram tentados em 1974/75 e nos quais sempre recusei colaborar"
(...)
"Pelo relato que me foi feito, as figuras políticas mais atacadas nessas cartas são as do Dr. Mário Soares e a minha própria, ao mesmo tempo que os nomes mais elogiados como sendo capazes de fazer regressar, por via militar, Portugal ao regime da Constituição de 1933 são os generais António de Spínola, Galvão de Mello e Kaúlza de Arriaga"
(...)
"Não lhe levo a mal porque estava profundamente deprimido no seu exílio no Brasil. De resto, sinto-me em muito boa companhia junto do Dr. Mário Soares e considero um grande elogio ser acusado por adversários da democracia em ter contribuído para a consolidar em Portugal"

Sunday, April 27, 2008

A Alegria de haver Afinidades

O Nosso Réprobo habituou-nos a qualidade. Eu, que gosto de visitar a sua casa neste mundo blogosférico, surpreendo-me sempre que lá entro.
Por isso, e como o meu tempo tem sido curto para me dedicar a estas lides, inicio uma pequena serie de post, sobre alguns dos seus últimos escritos, e que a mim me fizeram nota o quão é bom haver Afinidades.
E por aqui começo.

É um facto que d'esta "vitória de Abril" eu também gosto! Pena é que a nossa(da nossa história é o que se pretende expressar)revolução de Abril não tenha terminado com uma vitória destas!



Se a revolução de Abril fosse assim, eu também tinha ido "para a rua gritar", sem que me obrigassem(ao contrário do que música professava).

(A senhora na imagem chama-se mesmo Victoria Abril, e é uma actriz espanhola)

Friday, April 25, 2008

25 de Abril de 1974, por Joaquim Paço d'Arcos

25 de Abril de 1974
Duzentos capitães! Não os das caravelas
Não os heróis das descobertas e conquistas,
A Cruz de Cristo erguida sobre as velas
Como um altar
Que os nossos marinheiros levavam pelo mar
À terra inteira! (Ó esfera armilar, que fazes hoje tu nessa bandeira?)
Ó marujos do sonho e da aventura,
Ó soldados da nossa antiga glória,
Por vós o Tejo chora,
Por vós põe luto a nossa História!
Duzentos capitães! Não os de outrora…
Duzentos capitães destes de agora (pobres inconscientes)
Levando hílares, ufanos e contentes
A Pátria à sepultura,
Sem sequer se mostrarem compungidos
Como é o dever dos soldados vencidos.
Soldados que sem serem batidos
Abandonaram terras, armas e bandeiras,
Populações inteiras
Pretos, brancos, mestiços (milagre português da nossa raça)
Ao extermínio feroz da populaça.
Ó capitães traidores dum grande ideal
Que tendo herdado um Portugal
Longínquo e ilimitado como o mar
Cuja bandeira, a tremular,
Assinalava o infinito português
Sob a imensidade do céu,
Legais a vossos filhos um Portugal pigmeu,
Um Portugal em miniatura,
Um Portugal de escravos
Enterrado num caixão d’apodrecidos cravos!
Ó tristes capitães ufanos da derrota,
Ó herdeiros anões de Aljubarrota,
Para vossa vergonha e maldição
Vossos filhos mais tarde ocultarão
Os vossos apelidos d’ignomínia…
Ó bastardos duma raça de heróis,
Para vossa punição
Vossos filhos morrerão
Espanhóis!


(atrevo-me a postar de novo este poema, desta vez mais inserido no contexto em que foi feito. Por essa razão me pareceu apropriado fazê-lo)

Há comparação?

Ontem, num programa televisivo do qual vi 20 minutos no total - pois sempre que lá parava ouvia desgraça - e que segundo sei se initula "O Corredor do Poder", ouvi um sujeito (que desconheço, mas se bem me lembro, era o representante do PS) dizer que se devia festejasr "devidamente" o 25 de Abril em deterimento do dia 10 de Junho.
Pode ser só confusão minha, mas como me parece ter ouvido bem, acho justificável a minha perplexidade.
Fica o confronto:



Quem saíra vencedor?

Digamos que o Camões já parte em desvantagem devido ao novo acordo ortográfico...

Saturday, January 26, 2008

Abril águas mil, prisões mil e até divórsios mil...


Liberdade, acrescentaria eu, até para se ver livre do seu/sua marido/mulher"

Que notícia esta nos dá o Nacional Cristão....

A fartura de divórcios que advém de abril.

Sunday, September 23, 2007

Monday, July 23, 2007

Bagão Félix ao DN



Aconselho a todos a leitura da entrevista de Bagão Félix ao diário de noticias publicada ontem. Corre uma quantidade de pontos curiosos e interessantes, a que não fico inerte.

"As medidas (de apoio à natalidades) são positivas, mas não considero que constituam um incentivo à natalidade. São importantes, talvez, do ponto de vista de apoio familiar aos mais carenciados."

"Não, nem pensar nisso! Isso (a flexigurança) é uma moda, um jargão, na Europa há muito a mania de tagarelar neologismos. E sobretudo não é um pronto-a-vestir. Uma coisa é aplicar isso na Suécia, outra em Portugal."

"Tenho a consciência de que estamos perante um problema parecido com o da globalização: goste-se ou não se goste, mais tarde ou mais cedo, uma OPA sobre o Benfica é inevitável."

"Não vai ser fácil a Direita regressar ao poder em 2009"

"As pessoas interessam-se cada vez menos por política. Em primeiro lugar, porque há um desfasamento entre o que se promete e o que se faz. Ninguém está isento disso. Em segundo lugar, porque as pessoas cada vez menos compreendem que se tenha um discurso quando se é poder e outro quando se está na oposição."

"O 25 de Abril deslocou tudo um pouco para a esquerda e isso ainda não mudou. Por outro lado, os partidos do arco da governabilidade não se distinguem muito nas políticas económicas e sociais."

"O que distingue hoje a direita da esquerda são os valores. E os tempos correm mais a favor de alguns valores ligados à esquerda, como o que é rápido, efémero, ou permite o hedonismo."

Monday, July 02, 2007

Para bem da História



Para bem da história fica aqui o gráfico da evolução/redução do analfabetismo em Portugal desde 1878. A fonte é a Internet.
A primeira república que se inicia em 1910, encontra um pais com cerca 75,5% de analfabetos (1911), sendo que a sua maioria vivia no campo . Até ao seu fim, a primeira república reduz cerca de 7% este problema.
O Estado Novo inicia-se em 1933, sendo que se depara com uma percentagem de analfabetos de 66%. A politicas aplicadas à educação resultam, e em 1970 a percentagem é apenas de 20,5%, o que representa uma taxa de redução de 1,14% ao ano.
21 anos depois, ou seja, em 1991, a taxa é reduzida de 20.5% para 11%. Reduz cerca de 9%, o que significa uma redução anual de 0.4%.
10 anos passados, realiza-se o ultimo inquérito ao país, o censo de 2001. O resultado indica que a taxa de analfabetos em Portugal é de 8,8%.
Numa das pesquisas, encontrei uma frase de Salazar que dizia que «o analfabetismo em Portugal vem de longe e isso não impediu que a nossa literatura fosse em determinadas épocas extremamente rica». A frase de Salazar vem acompanhada por um comentário do autor do artigo: "A afirmação (de Salazar) identifica o campónio que idealizou a PIDE, dispensa comentários". Ou isto é mera ignorância ou é sinal de um ódio desmedido. Como se em 1888 não houvesse um Eça de Queirós a escrever Os Maias, um Antero de Quental, ou em 1800 um Almeida Garrett e em 1870 um Alexandre Herculano, em 1900 um Fernando Pessoa ou um Mário de Sá Carneiro, ou em 1930 um Joaquim Paço d'Arcos!
Talvez riqueza da literatura não se classifique por certos princípios, que estes que agora citei, tão bem traduzem. Mas nesse caso sou eu, que fruto de uma educação pós Abril de 74, sai deseducado.

Friday, May 04, 2007

Thursday, April 26, 2007

Lições



«Ao fim e ao cabo o que sucedeu é que, derrubado o poder autoritário, que defendia ou tinha defendido autoritariamente valores como os da triologia "Deus, Pátria, Família", foi entendido não só que, numa primeira fase, o democrata politicamente correcto tinha que ser contra Deus, contra a Pátria e contra a Família,(...)Numa segunda fase, a esquerda baniu, com sucesso, a ideia de valores objectivos em termos de ética e de costumes (se o Estado é laico e o Papa não tem poder temporal, porque é que se incomodam tanto com o facto de os católicos lhe obedecerem...)»
in Perfácio da terceira edição da obra Portugal - Os anos do Fim de Jaime Nogueira Pinto


É um período do tempo que reúne muitas datas no seu espaço.
Dia 23 de Abril comemoram-se os anos de Frederico Ozanam.
Dia 25 de Abril faz anos a revolução dos cravos (lamento, mas é impossível chamar-lhe da liberdade. Aquele dia só serviu mesmo para promover o cravo na historia de Portugal)
Dia 28 de Abril festeja-se o nascimento de António de Oliveira Salazar.

Não deixa de ser curioso como estes três acontecimentos se podem, e se relacionam.
A 25 de Abril de 1974 dá-se a revolução dos cravos. As manifestações de liberdade e justiça sucedem-se e não passam disso mesmo: meras manifestações de intenções.
O que aconteceu no espaço temporal seguinte foi revolta, crime e roubo. Uma palavrinha para quem diz que foi uma revolução sem sangue: é mentira.
Os governos a seguir não fizeram crescer o país como prometiam e o país caiu de novo no fosso. As promessas de liberdade e democracia morreram.
O antigo lema de Salazar "Deus, Pátria e Família", como ódio dos que o quiseram apagar, foi alterado para "Anti-Deus, Anti-Pátria e Anti-Família". Com isso ruiu a nação e a sociedade portuguesa.
Hoje não há liberdade – no verdadeiro sentido da palavra - nem de ser de direita, nem de sequer de ser religioso.
Ainda há pouco, com a problemática do aborto, o país votou sim, e o primeiro-ministro regozijou e gritou: "está provado que a igreja não manda".
Assim se destroem os pilares da Nação.
Que tem isto a ver com Frederico Ozanam?
Também ele viveu em tempos duros de anti-religiosidade. Dizia que era necessário "honrar o Catolicismo em tempos de paz e defendê-lo em tempos de guerra". Ainda esta missão é necessária, e nos dias de hoje cada vez mais urgente. Cabe-nos a nós seguir-lhe o exemplo.

Curiosidades e Ironia (do País Livre!)

Faz hoje um ano e um dia que uma amiga minha saiu de casa, no dia 25 de Abril, para ir à Avenida da Liberdade. Tinha vestida uma t-shit com a figura de Salazar.
Ao chegar a avenida - bastante irónico tendo em conta o nome da própria - a minha amiga começa a ser insultada. Das agressões verbais passaram rapidamente a agressões fisicas.
A minha amiga esperou que acabassem o "serviço". No fim responde-lhes: "é bom ver os vosso espirito democrático".
Sabem como responderam eles?
Com mais agressão fisica e verbal...
É a democracia de hoje.

Porque se Festeja o 25 da Abril?



O dia 25 de Abril devia ser um facto histórico. Uma data de importância mas que não se concentrava num dia. No entanto e devido a variados factos, essa data não agrada a todos. Independentemente disso, eu pergunto-me porque se festeja? Se se deve fazer alguma festa, deveria ser todos os dias, ao passar do tempo, e ao analisar as mudanças que tanto foram proclamadas. Deveria ser uma festa contínua, em que o país verificasse todos os dias, as consequências de tal data.
Infelizmente a revolução trouxe mais danos e tristezas que alegrias. O facto de 33 anos terem passado e o país continuar em último lugar a nível europeu revela essa tristeza.
Governos fracos, que diminuem Portugal em vez de o engrandecer. Pessoas infelizes, pobres que passam dificuldades. Pessoas caladas que procuram manifestar-se e não podem. Vozes que tentam chamar à razão e que são as ignoradas ou silenciadas. Governantes aldrabões e anti-nacionalistas (que só se preocuparam em "vender" o país).O país está mal e isso é uma verdade que se faz notar a todos os níveis, todos os dias.
É por isso que se festeja o 25 de Abril. Hoje dá-se a oportunidade das pessoas se esquecerem de tudo e festejarem. Vão para as ruas, manifestam-se, a televisão faz uma publicidade enorme (com a RTP a passar o filme os capitães de Abril, a RTP2 a passar o concerto do Zeca Afonso) e tudo regozija de alegria. É mais uma maneira de se esquecerem da desgraça em que se encontra o país. Dos problemas económicos, de um primeiro-ministro que só pensa em enganar os Portugueses e impingir-lhes um curso que não tem, de um ministro das finanças que só quer extorquir dinheiro aos idosos e doentes, com o estado miserável da Saúde nacional, etc.
Hoje é o dia de Festa. Amanhã voltamos à desgraça.
É mais um dia de descompressão. De tentar apagar uma história que teimam em fazer terrível.