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Sunday, June 22, 2008

As Belas Palavras de São Josemaría

Em recente conversa com um verdadeiro Mestre, veio à conversa uma leitura que a ambos já havia figurado, e cuja minha já se encontrava guardada numa das estantes, e que sem eu dar por isso, respondia a inquietações que me surgem de novo na alma.
Aqui fica um excerto que me chamou a atenção à primeira leitura.

"Amo com toda a alma esta minha pátria, com as suas virtudes e os seus defeitos, com a sua rica variedade de regiões, de homens e de línguas. Encanta-me atravessar essa Castela — paisagem de sulco e de céu — que faz os homens e os gasta; sinto-me catalão na Catalunha e sou aragonês de nascimento; admiro sem dissimular os férteis vales do Levante, as aldeias caiadas da Andaluzia, a dura contextura da Montanha. Mas tenho um ponto fraco — todos temos algum — e esse ponto fraco é Navarra, porque esta terra viçosa de arvoredos e campos ceifados, com a sua fé inquebrantável, o seu apego à tradição, a sua laboriosidade silenciosa e a sua moral sem mácula, parece ter sido especialmente disposta por Deus para que nela frutifiquem as obras de apostolado universal, que aqui são semeadas às mãos-cheias, seguras de que haverá boa colheita.
(...)
Eu disse, em certa ocasião, que o maior inimigo de Deus é a ignorância; estou convencido disso. Por isso quero que os meus filhos empreendam a batalha da doutrina;
(...)
Deste modo prestamos um serviço à Igreja, um serviço à Pátria e também um serviço, muito grande, a esta cidade. Não tenhais dúvida: hoje, Pamplona é mais conhecida no mundo pelo seu Estudo Geral do que pêlos seus sanfermines, apesar de estes serem muito célebres. São já muitos os estudantes dos mais diversos países que se formaram aqui, e continuarão a vir cada vez mais; e, ao regressar às suas terras, deixam entre estes muros de pedras carcomidas pêlos anos um pedaço da sua alma que continua a chamar por eles onde quer que estejam."

de Josemaría Escrivá e a Universidade, Almedina, Coimbra, Maio 2003

Friday, June 29, 2007

Efemérides de 26 de Junho: Da Identidade Nacional a um Principio Fundamental

1982: Morre Alfredo Rodrigues Duarte, mais conhecido por Alfredo Marceneiro.



Fadista português, antes de ganhar a sua eterna alcunha era conhecido por Alfredo Lulu por sempre se vestir bem.
Nasceu na freguesia de Santa Isabel numa família muito humilde a 29 de Fevereiro 1891, mas a mãe registou-o no dia do nascimento do pai, 25 de Fevereiro, devido à complexidade da data.
Quando o pai morreu, deixou a escola primária para se dedicar à profissão de encadernador para ajudar no sustento da família.
Sempre mostrou grande interesse e talento para as artes, principalmente a música, e desde cedo se juntou com os amigos para cantar o fado em locais públicos e populares, fazendo notar a sua voz e a capacidade de improvisar letras.
Um dia, conheceu Júlio Janota, fadista improvisador, de profissão marceneiro que o convenceu a seguir esse ofício que lhe daria mais salário e mais tempo disponível para se dedicar à sua paixão. Assim seria possível ser bem sucedido nas duas actividades.
Alfredo ganhou o nome Marceneiro em 1920, quando um grupo de pessoas decidiu organizar uma homenagem a dois fadistas. Como só o conheciam como Alfredo Lulu, decidiram colocar o nome da sua profissão no cartaz. Depois disso Alfredo Marceneiro nunca mais largou o nome artístico.
Apesar de marialva e de todas as suas aventuras, a mulher da sua vida e aquela que pôs fim à sua vida de boémio foi Judite de Sousa Figueiredo, senhora que conheceu numa festa em que foi cantar, na Fonte Santa, e aquela que amou até ao fim da sua vida e com a qual teve três filhos: Carlos, Alfredo e Aida.
Em 1924, participa no Teatro São Luiz, em Lisboa, na sua primeira Festa do Fado e ganha a medalha de prata num concurso de fados.
A 3 de Janeiro de 1948, foi consagrado o Rei do Fado no Café Luso.
Reformou-se em 1963, após uma carreira recheada de sucessos, numa grande festa de despedida no Teatro São Luiz.
Dos muitos temas que Alfredo Marceneiro cantou destaca-se a Casa da Mariquinhas, de autoria do jornalista e poeta Silva Tavares.
Faleceu no dia 26 de Junho de 1982 com 91 anos, na mesma freguesia que o viu nascer.
No dia 10 de Junho de 1984, foi condecorado, a título póstumo, com a Comenda da Ordem do Infante D. Henrique pelo então Presidente da República Portuguesa, General Ramalho Eanes.
Marceneiro marcou uma época e o fado tornando-se através da sua voz inconfundível, uma das principais referências desta arte tipicamente portuguesa, como escrevia Alvaro do Amaral Netto:

Quando cantas, “Marceneiro”,
Com tua voz sem igual,
Vibra em ti a alma lusa,
Fala por ti, Portugal!...


1975: Morre São Josemaría Escrivá de Balaguer, fundador do Opus Dei.



Padre espanhol, destacou-se como fundador do Opus Dei, prelatura pessoal da Igreja Católica.
Dizia que o Opus Dei "é velho como o Evangelho e, como o Evangelho novo. Trata-se de recordar aos cristãos as palavras maravilhosas que se lêem no Génesis: que Deus criou o homem para trabalhar. Pusemos os olhos no exemplo de Cristo, que passou quase toda a sua vida terrena trabalhando como artesão numa terra pequena. O trabalho não é apenas um dos mais altos valores humanos e um meio pelo qual os homens hão-de contribuir para o progresso da sociedade; é também um caminho de santificação" e assim o Opus Dei procura "ajudar as pessoas que vivem no mundo - o homem vulgar, o homem da rua - a levar uma vida plenamente cristã, sem modificar o seu modo normal de vida, o seu trabalho habitual, nem os seus ideais e preocupações".
São Josemaría Escrivá planeava e m jovem ser arquitecto. No entanto, um encontro com um carmelita, que caminhava descalço sobre a neve num dia de inverno, provocou em si um sentimento muito forte, tomando, pouco depois, a decisão de ir para o seminário.Recebeu a ordenação sacerdotal em Saragoça, a 28 de Março de 1925. Iniciou a sua actividade pastoral em paróquias rurais, continuando-a posteriormente pelos bairros pobres e pelos hospitais de Madrid, onde realiza numerosas obras de misericórdia , e entre os estudantes universitários.
Toda a actividade desenrolada na sua vida está relacionada com o Opus Dei. Durante alguns dias de retiro espiritual em Madrid, São Josemaría Escrivá percebe que no seu tempo há uma mentalidade que reduz os santos a "habitantes de conventos". Mas a santidade é possível de alcançar através do empenho no trabalho profissional e no cumprimento dos deveres ordinários. O Opus Dei seria então o caminho para o homem alcançar a santidade, segundo o qual, todos os cristãos tinham a obrigação de lutar por serem santos e que o chamamento à santidade é para todos sem distinção: leigos e religiosos.
Com o inicio da Guerra civil Espanhola, São Josémaría, que vivia e exercia o seu apostolado em Madrid, esteve várias vezes prestes a ser capturado por militantes republicanos a anti-clericais, e por essa mesma razão, acabou por se refugiar na Legação de Honduras e em diversos outros lugares. Mesmo durante a guerra dedicou-se clandestinamente ao trabalho pastoral.Com o fim da guerra civil retorna a Madrid e inicia a expansão de seu trabalho apostólico em outras cidades da Espanha. O início da Segunda Guerra Mundial impede o começo do trabalho em outros países.
Durante o período imediato do pós-guerra na Espanha, crescem as incompreensões por parte daqueles que não entendem o "chamamento universal à santidade" pregado pelo Fundador do Opus Dei. Por essa razão, o Opus Dei e o fundador foram várias vezes vítimas de calúnias e duras criticas por parte de pessoas que não compreendiam o espírito da organização, muitos achando-a demasiado progressiva para o seu tempo. Efectivamente, enquanto apresentava os moldes essenciais do Opus Dei na Cúria Romana, um Cardeal disse-lhe que "tinha chegado com um século de antecedência". É curioso ver a evolução da história: se antes era vista como progressista, hoje é vista como extremamente conservadora.
Quando a Segunda Guerra Mundial terminou, Escrivá mudou-se para Roma, sede da Igreja Católica, deixando claro que o Opus Dei era universal, destinado a todos os homens de todas as nacionalidades de todos os tempos. Preocupava-o o facto do Opus Dei não ter um enquadramento jurídico e por isso considerava que, ao instalar a sede junto da Cúria, estaria mais perto desse objectivo. No entanto, tal coisa só nos anos 80, através do Papa João Paulo II e já depois da sua morte.
Em 1948 erige em Roma o Colégio Romano de Santa Cruz, destinado à formação de homens do Opus Dei provenientes de todas as partes do mundo. O Papa Pio XII concede, em 1950, aprovação definitiva ao Opus Dei permitindo, então, o ingresso de pessoas casadas na instituição. Em 1953 erige o Colégio Romano de Santa Maria, centro internacional para a formação espiritual, teológica e apostólica de mulheres do Opus Dei.
Durante os mais de 25 anos em que viveu em Villa Tevere - nome do complexo de edifícios que constituem a Sede Central do Opus Dei - São Josemaría Escrivá trabalhou intensamente quer no governo do Opus Dei quer no apostolado junto dos seus membros. Principalmente a partir de 1970 realizou várias viagens pela Europa e América do Sul, tendo ficado célebres pelas conferências que produzia, que tinham lugar em grandes auditórios com várias pessoas, membros e não-membros do Opus Dei, onde, contava histórias, respondia a perguntas e exortava a um contacto pessoal mais íntimo com Deus.
Morre a 26 de Junho de 1975, e o seu corpo encontra-se sepultado na Igreja de Santa Maria da Paz, na sede central da Prelatura, em Roma.
Após o seu falecimento, 69 cardeais, cerca de 1300 bispos de todo o mundo e 41 superiores de congregações religiosas, dentre outras personalidades, pediram ao Papa o início da causa de sua beatificação e canonização. Em 12 de maio de 1981 foi aberto o processo de beatificação de Josemaria Escrivá. A 9 de Abril de 1990 o Papa João Paulo II declarou a heroicidade de suas virtudes cristãs, e a 6 de Julho de 1991 decretou o carácter milagroso de uma cura atribuída à sua intercessão. Foi beatificado em 17 de maio de 1992.
Em 6 de Outubro de 2002 foi canonizado pelo Papa João Paulo II, através de novo decreto pontífice, que reconhecia o carácter milagroso de uma segunda cura atribuída à intercessão do Beato. Assim, todos os anos desde então, no dia 26 de Junho, a Igreja celebra o dia de S.Josemaria Escriva.
Sobre ele João Paulo II disse: São Josemaria foi um mestre na prática da oração, o que considerava uma extraordinária "arma" para redimir o mundo. Recomendava sempre: ""Primeiro, oração; depois expiação; em terceiro lugar, muito "em terceiro lugar", acção"" (Caminho, n. 82). Não é um paradoxo, se não uma verdade perene: a fecundidade do apostolado reside, antes de tudo, na oração e em uma vida sacramental intensa e constante. Este é no fundo, o segredo da santidade e do verdadeiro êxito dos santos. (Da homilia na missa de canonização).