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Wednesday, May 14, 2008

Em jeito de autobiografia....

Quereis uma imagem e poucas palavras que fossem no entanto autobiograficas?
Ei-las:



"Voltei
ao casarão velho,
onde já tudo morreu...
Tirei
a venda ao espelho,
e olhei. Olhei, recuei.
Recuei, gritei:
- Era EU!"

(Rodrigo Emílio)

Em resposta ao pedido do amigo que (felizmente para todos nós) está VIVO E DE BOA SAÚDE!

Friday, April 25, 2008

25 de Abril de 1974, por Joaquim Paço d'Arcos

25 de Abril de 1974
Duzentos capitães! Não os das caravelas
Não os heróis das descobertas e conquistas,
A Cruz de Cristo erguida sobre as velas
Como um altar
Que os nossos marinheiros levavam pelo mar
À terra inteira! (Ó esfera armilar, que fazes hoje tu nessa bandeira?)
Ó marujos do sonho e da aventura,
Ó soldados da nossa antiga glória,
Por vós o Tejo chora,
Por vós põe luto a nossa História!
Duzentos capitães! Não os de outrora…
Duzentos capitães destes de agora (pobres inconscientes)
Levando hílares, ufanos e contentes
A Pátria à sepultura,
Sem sequer se mostrarem compungidos
Como é o dever dos soldados vencidos.
Soldados que sem serem batidos
Abandonaram terras, armas e bandeiras,
Populações inteiras
Pretos, brancos, mestiços (milagre português da nossa raça)
Ao extermínio feroz da populaça.
Ó capitães traidores dum grande ideal
Que tendo herdado um Portugal
Longínquo e ilimitado como o mar
Cuja bandeira, a tremular,
Assinalava o infinito português
Sob a imensidade do céu,
Legais a vossos filhos um Portugal pigmeu,
Um Portugal em miniatura,
Um Portugal de escravos
Enterrado num caixão d’apodrecidos cravos!
Ó tristes capitães ufanos da derrota,
Ó herdeiros anões de Aljubarrota,
Para vossa vergonha e maldição
Vossos filhos mais tarde ocultarão
Os vossos apelidos d’ignomínia…
Ó bastardos duma raça de heróis,
Para vossa punição
Vossos filhos morrerão
Espanhóis!


(atrevo-me a postar de novo este poema, desta vez mais inserido no contexto em que foi feito. Por essa razão me pareceu apropriado fazê-lo)

Friday, June 15, 2007

13 de Junho também é dia de Pessoa


Desenho de Almada Negreiros

Se fosse vivo, faria 119 anos.

III Os Tempos
Quinto

Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer -
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quere.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...

É a Hora!

retirado da única obra de Fernando Pessoa editado em sua vida, A Mensagem.
(Relacionando com dia 10 de Junho)

Thursday, May 24, 2007

E para quem pensava que eu me esquecia, aqui ficam os atrasados....

DIA 22 DE MAIO
No dia 22 de Maio comemoram-se duas festividades:

O Centenário do Nascimento de Herge.





O Aniversário de Ricard Wagner





DIA 19 DE MAIO
Se fosse vivo, faria no dia 19 de Maio 117 anos Mário de Sá-Carneiro.



Quase

Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...

Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
Num grande mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dor! - quase vivido...

Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
Quase o princípio e o fim - quase a expansão...
Mas na minh'alma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!

De tudo houve um começo ... e tudo errou...
- Ai a dor de ser - quase, dor sem fim...
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se enlaçou mas não voou...

Momentos de alma que, desbaratei...
Templos aonde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar...
Ânsias que foram mas que não fixei...

Se me vagueio, encontro só indícios...
Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios...

Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...

Um pouco mais de sol - e fora brasa,
Um pouco mais de azul - e fora além.
Para atingir faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...

Fim

Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!

Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza...
A um morto nada se recusa,
Eu quero por força ir de burro.

Wednesday, March 28, 2007

The Charge of the Light Brigade

Half a league, half a league,
Half a league onward,
All in the valley of Death
Rode the six hundred.
"Forward, the Light Brigade!
"Charge for the guns!" he said:
Into the valley of Death
Rode the six hundred.

"Forward, the Light Brigade!"
Was there a man dismay'd?
Not tho' the soldier knew
Someone had blunder'd:
Their's not to make reply,
Their's not to reason why,
Their's but to do and die
:
Into the valley of Death
Rode the six hundred.

Cannon to right of them,
Cannon to left of them,
Cannon in front of them
Volley'd and thunder'd;
Storm'd at with shot and shell,
Boldly they rode and well,
Into the jaws of Death,
Into the mouth of Hell
Rode the six hundred.

Flash'd all their sabres bare,
Flash'd as they turn'd in air,
Sabring the gunners there,
Charging an army, while
All the world wonder'd:
Plunged in the battery-smoke
Right thro' the line they broke;
Cossack and Russian
Reel'd from the sabre stroke
Shatter'd and sunder'd.
Then they rode back, but not
Not the six hundred.

Cannon to right of them,
Cannon to left of them,
Cannon behind them
Volley'd and thunder'd;
Storm'd at with shot and shell,
While horse and hero fell,
They that had fought so well
Came thro' the jaws of Death
Back from the mouth of Hell,
All that was left of them,
Left of six hundred.

When can their glory fade?
O the wild charge they made!
All the world wondered.
Honor the charge they made,
Honor the Light Brigade,
Noble six hundred.

Alfred, Lord Tennyson

Sunday, February 18, 2007

Deambulando de Madrugada



Se há coisa que gosto na manhã é o Silêncio.
Se existe, existe na madrugada.
Durante o dia cala-se e deixa o ruído governar.
Depois manda-o deitar
E chega a sua vez de comandar.
Oh, e sabe tão bem!
Durante o dia há a ventania,
Ou a chuva da melancolia,
Há a televisão do vizinho
Com as historias de um desgraçadinho,
Há a rádio de um homem sozinho,
Geralmente Velhinho,
Acompanhada pelo chilrear de um passarinho.
Há o bafar de um cachimbo,
Ou a euforia do "bimbo" a festejar o golo da sua equipa.
Há a histérica "madame" com o seu género peculiar,
Ou a ex-peixeira que fala sempre a gritar.
Há carros, motas, táxis, camionetas e afins,
Há milhões de pessoas que não olham a meios para alcançar fins.
Há o eléctrico da Estrela,
Há o automóvel do sapateiro,
Há barulho. Há barulho!
Há barulho no mundo inteiro.
Há gente.
Gente que sente.
Gente que faz sentir.
E que como não sabem onde querem ir,
De madrugada preferem ficar a dormir.

Sunday, January 07, 2007

Olhando para o Céu!

Gostava que me perdoasses, sabes?
Eu nem sempre sou razoável,
Nem sempre uso a razão.
E tu sabes que não é por mal!

Eu sei que por vezes sou injusto
Sei que por vezes exijo o que não devia
Sei que quero mais do que posso
Mas o onde está escrito que eu não posso ser assim?
Ou melhor, como é que eu faço para não ser assim?

Sou humano lembras-te?
Sou ainda homem.
E não posso esquecer-me disso.
Se me esqueço caio e... magoou-me!
Magoou-me ou magoou simplesmente?
Nunca soube bem essa resposta....

Desculpa lá todas essas coisas.
Não o fiz por mal.
E se algum dia o fiz...
Hoje também me arrependo disso.

Friday, December 01, 2006

Carta à Persistência

Querida Persistência,

Não quero desperdiçar mais o meu dia.
Não quero perder mais tempo de vida.

Quero amar o meu Deus,
A realidade, tu e
A minha família.

Conseguirá o Homem viver sem Deus?
Não
Conseguirei eu viver sem ti?
Não!
Serás tu o meu Deus?
Talvez...
Ou pelo menos eu vejo-O em ti.

Ou podes ser um sinal?
Quem sabe um rosto?
Não queres ficar comigo para sempre?

É porque é um desperdício
Perder tempo com quem não nos ama.
Ou pelo menos quem não quer o nosso amor...

Ah! Faz um esforço! já estou farto!
Já não quero voltar a sair
Sem saber o que fazer,
E não viver
Intensamente o real.

Não me quero dispersar
Com o que não interessa,
Nem desperdiçar
A vida que me resta.

Salva-me!

Vá lá!
Só tu podes faze-lo!
"Fazes?"

Thursday, November 30, 2006

A Longa Espera.....

Persistência - s.f., qualidade do que é persistente; acto de persistir; constância; perseverança.

Persistir - do Lat. persistire v. int., continuar a existir; ser constante; perseverar; permanecer; durar longo tempo; insistir; perdurar; teimar.

Há sempre alguém desencontrado.
Há sempre alguém atrasado
Num encontro,
Mesmo quando se trata
De um grande Amor.

Há sempre alguém que falta à hora combinada.
Que deixa outra desesperada
Numa espera,
(Sobretudo) por um grande amor.

E eu não sei se é o destino
Que nos separa aos dois,
Se tenho medo, se não tenho tempo
Ou se guardo tudo para depois;
Apenas sei que na minha vida
Ainda não nos encontramos os dois.

E tenho pena sabes?
Ainda me recordo quando sorria
Enquanto olhava aquela tua fotografia
E o meu coração dizia para mim:
Maria! Maria!

Ainda me lembrava daquela ansiedade
Daquela vaidade,
Daquelas noites em que não dormia,
E recordava, Maria,
Aquele dia em que nos conhecemos!

Foram tantos sonhos – Tolices!
Tantos desejos – Parvoíces!
Obsessão romântica que fazia
Ouvir na telefonia
Em cada música um nome: Maria.

Mas talvez tenha que ser assim!
Talvez sejas mais feliz sem mim!
E agora satisfeito com a decisão,
Posso anunciar a resolução do coração:
Fim!

P.S.:
Cá te espero.
Talvez um dia procures por mim.
Eu estarei aqui a esperar por ti.
Revela-te!


Friday, November 17, 2006


Queria que fosse sempre Outono,
Que me pudesse perder entre estações,
Que o tempo parasse, e o corpo,
Fosse eterno como a alma.

Queria que fosse sempre Outono,
Que houvesse sempre outro início,
E não doesse em mim a mancha
De um caminho mal percorrido.

Queria que fosse sempre Outono,
Para que o Inverno fosse somente,
Um ainda distante presente.

Queria que fosse sempre Outono,
Que eu não crescesse nunca,
Nem me soubesse livre.

Tuesday, October 24, 2006

Epopeia

Cá no meu País,
O amor é vivido intensamente,
Não como em Paris
Onde o amor é coisa feliz,
Mas sim de forma doente.

Aqui o amor é entrega,
É romance, é paixão.
É Garrett, é Camões,
É um amor de corações,
Aqui o Amor é de perdição.

Aqui o amor é sufoco,
É tristeza é devastação.
É a razão de cada dia,
É a mais alta euforia,
Aqui o amor é desilusão.

Aqui o amor é excitação,
É fogo, é sofrimento.
Faz parte do nosso ser,
Aqui o amor é querer,
Aqui o amor não é mero sentimento.

Aqui o amor é tragédia,
É luta, é inferno.
É Pedro e Inês,
É tal como Deus o fez,
Aqui o amor é eterno.

E eu nunca visitei o teu lugar,
Nem sei como é sitio tal,
Mas desconfio,
Que mesmo ao pé do rio,
Aí não se ama como em Portugal.

Wednesday, October 11, 2006

A Luz da Noite




A Luz da noite
É a mais propícia para sonhar.
É nela que sonho contigo,
Sentado na sombra do luar.

Curiosamente, é na noite
Onde corre a brisa e a escuridão
Que mais sinto tudo,
Desde o cansaço, aos problemas do coração.

Não é o sono
Que me ocupa nestas horas.
É uma vida não vivida
Porque anseio sem demoras.

És tu, os meus sonhos,
Os meus medos e desejos
Que vibram ainda mais em mim
Nesta noite de confissões.
É o meu eu que aqui se revela,
Se mostra, tímido e receoso,
E cheio de ilusões.
Sou eu.

Tuesday, October 03, 2006

Nas Aldeias Sós de Portugal!


Jean-François Millet
French Painter, 1814-1875


Quem me dera ser pastor
E ter apenas ovelhas para guardar.
Não ter problemas
Nem de horas nem de amor,
Ter apenas ovelhas com que me preocupar.

Quem me dera ser pastor
Numa daquelas aldeias sozinhas.
Onde não houvesse ninguém
Que soubesse o que é a dor:
Nem pastores, nem ovelhas, nem vizinhas.

Se há tanto pastor infeliz
Que habita só numa aldeia de Portugal,
Porque raio, logo eu,
Que queria ser pastor solidão,
Teria que morar na capital?

Era tudo o que queria
E não pedia mais nada.
Pois sozinho eu não poderia
Nem amar nem sofrer,
Nem magoar nem perder,
Nem sequer viver.

Wednesday, September 27, 2006

Faz da Vida um Sonho

Faz da vida um sonho,
e tudo correrá bem,
e tudo será melhor e mais belo
e espaço haverá também
para a arte, cultura e ciência,
farás então da vida
a tua melhor experiência!

Dá-te por inteiro
Aos que nada te pedem
transpõe as barreiras que te impedem,
de viver aquilo a que te propões!

Sunday, September 24, 2006

Talvez é o Mundo!



Talvez o mundo de hoje esta baralhado
Ou apenas eu esteja perdido.
Talvez as senhoras de hoje estejam doidas
Ou apenas o meu conservadorismo me cegue.

Talvez as coisas sejam demasiado rápidas
E eu demasiado lento.
Talvez o mundo ande de mais
E eu não o acompanhe.

Talvez amanhã ela diga sim.
Talvez amanhã ela diga não.
Talvez alguém me dê um sentido,
Talvez amanhã não chova.

E é nesta sucessão de "talvez"
Que agora se define o mundo.
Alguém me pode dar uma certeza?
Olha...ela disse que não.

Thursday, September 21, 2006

Rodopio

O tempo passa,
e leva pedaços de nós
consigo, que enlaça
e transforma continuamente;
sem darmos conta, crescemos
e vemos que na vida
tudo acontece naturalmente.

O mundo transforma-se à minha volta,
olho-o de esguelha, de coração vazio,
e procuro uma página solta,
para escrever e embelezar
e melhorar todo este rodopio.

28/07/2005

Saturday, July 29, 2006

A Hunter Patch Adams...

Não há que temer a morte
Se vivente na verdade.
Ou pensas que Deus
se daria ao trabalho de morrer
se não hovesse mais nada,
se houvesse apenas morte.

A nossa vida pode ser só dor,
Cansaço(e sobretudo isso: Cansaço).
Mas isso só revela que ela
é muito superior a nós.

O homem que caminha cansado,
Pesam-lhe os braços
E do seu nariz pinga suor,
Ele, vive a vida.

Do homem que sofre,
Doi-lhe o coração
E dos seus olhos escorrem lagrimas:
Esse homem vive.

Do homem que pensa,
O homem que sente
E por vezes revela amor e raiva,
Ele nada mais faz, que viver.

E isso cansa-o?
Chateia-o?
Doi-lhe?
Fa-lo Sofrer?
Sim, talvez...

Mas isso só revela
que a vida lhe é superior,
E que por isso,
Nada contra ela deve atentar.

Não te condeno meu caro
Mas enganas-te se pensas
Que Ele não vale a tua vida.

Não quero que te mates,
Quero apenas que vivas com sentido.
Ou pensas que todos esses teus sonhos e ideias
Nascem apenas de ti?

Achas que o quue escrevo vem de mim?
Talvez, se virmos a sua fraca qualidade,
Mas aquilo com que tu ambicionas e sonhas
é grande de mais
para poder provir so do homem.

Sim, Ele merece a tua vida.
Merece muito mais do que isso,
Mas no entanto, Ele quer que a guardes
E uses para o bem.

Sinto a tua dor comigo
E sei o quanto ela era boa,
E sim, eu sei que custa,
mas tal como sabes,
A sua beleza era grande demais.
O seu empenho demasiado infinito.
Mas não tens que te culpar.
Ao querer ajudar, ela acabou por morrer.
Mas não foi culpa tua, não foi a tua ajuda que a matou.
A tua ajuda apenas a levou para um lugar melhor,
Um lugar seu, onde pode viver em paz.
O local para que ela foi destinada,
e onde é revelada a si na totalidade.
Porque Deus é assim:
Quando cumprimos tudo, leva-nos, ou imobilisa-nos;
Quando não cumprimos, vai-nos dando oportunidades para cumprirmos.
(o que por vezes não conseguimos e nos extinguimos, e o resto só depois veremos)

Cumprimentos do teu admirador

Vasco Inocêncio Marçal