Showing posts with label Escritos. Show all posts
Showing posts with label Escritos. Show all posts

Sunday, October 05, 2008

Estrangeirismos e Europeísmos


Há um complexo de inferioridade em Portugal que nos é característico, e que só não está presente quando falamos de futebol - como escrevia o João Pereira Coutinho, mesmo antes de qualquer competiçãos começar, já somos campeões.
Mas fora disso, temos uma incapacidade de acreditar em nós.
E pergunta-me o leitor porque digo isto?
Ora, ainda na semana passada assistia ao Prós e Contras (sobre a Lei do Divórcio) quando ouço alguém sentado na plateia dizer, para reforçar a sua argumentação, que "na Alemanha já se faz assim..." e que "em França já assim se faz...", etc. Isto tornou-se habitual nos debates em Portugal. Já assim foi com o Aborto e com outros tantos.
Pensei então para mim "como poderá Portugal tornar-se um país/mercado concorrencial, que dê luta em aos grandes países e potências mundiais?"
É e será impossível, salvo algumas excepções, pois para os Portugueses viver à portuguesa não existe. E se existe não tem valor. Há um fantasma no ar que nos leva a querer viver como todos os outros. E por isso ouvimos o que ouvimos em debates e discursos. Não acho mal olharmos para os outros países. Há certamente coisas boas que podemos e devemos aproveitar. Mas cada vez mais se fazem coisas por se fazer - faz-se cá porque lá fora também se faz.
Ando há dias a ler Giussani, que num dos seus livros, nos fala de Obediência. E nesse capítulo distingue a obediência cega (ou seja, o seguir em carneirada) e a obediência saudável, aquela que tem por base a razão. E é isso que nos falta: a razoabilidade.
Esta falta gera um desejo de querer ser igual aos outros e revela-nos um sentimento de inferioridade que nos tem caracterizado nas últimas décadas. E esta igualdade tem pretensões da abarcar todas as áreas da vida, passando esse objectivo, claro está, pelo domínio da criação legislativa, que cada vez mais é a mesma, ou quase a mesma em todos os países. Historicamente, notamos que este desejo a que a classe politica portuguesa não vira as costas, e antes estende a mão, acentua-se mais num passado muito recente. Mas, arrisco-me a dizê-lo, parece-me que "o ser português à portuguesa" está muito ligado, ou pelos menos as pessoas muito o associam, ao antigo regime, e que pela história - ou melhor, por quem a faz e escreve - não o saber, nem querer, julgá-lo correctamente, este abraçar de tudo o que é estrangeiro se torna cada vez maior.
Consequências?
Vejo muitas: mas a maior de todas talvez seja o fim do Estado pelo fim da nossa cultura. Assim se constroi o país Europa!
Pergunto-me porque não podemos ser diferentes? Qual é o mal que isso tem?

Tuesday, June 24, 2008

As palavras de Alfredo Pimenta

Há muito que esta frase me ecoava na cabeça, mas um pouco distorcida.
Estava com algumas dificuldades em encontra-la na sua forma verdadeira e pura.
Assim sendo, e como estou em onda de citações, não deixo de a postar, pois mesmo sem motivo algum de especial, a sua beleza deixa-me sempre estarrecido.

Admirável coisa esta de defender causas vencidas, homens vencidos, sobre que as vagas alterosas da Vitória passam altaneiras e invencíveis! Com a sua defesa, não se colhem bens nem louros; colhem-se antes desgostos e lágrimas. Mas fica-nos a consciência tão límpida como água que brota de rocha virgem…

Alfredo Pimenta
in ‘Três Verdades Vencidas, Deus-Pátria-Rei’, p. 68, Lisboa - 1949



Roubada a um antigo post do amigo Mário, autor da magnifica Voz Portalegrense.

Saturday, April 12, 2008

Há coisas fantásticas não há?

Sempre gostei de conhecer criadores de arte.
Os chamados artistas. Não sei porquê, mas fascinam-me de uma forma imensa. Especialmente os músicos.
E não o compreendo por um motivo simples. Atente-se o exemplo: a música é universal. Não há ninguém que não goste dela. Cada um com o seu tipo ou género. Mas todos a ouvem, e cada um pinta na sua imaginação o quadro que mais lhe flúi ao sentir a vibração de cada nota que vai saindo de um instrumento. E talvez seja isso que as surpreenda, e que as atrai: a capacidade de individualizar o que é público e mundialmente conhecido. Mas muitas vezes isso fá-los ignorar quem as cria, ou então, pelo contrário, isso provoca um desejo incessante de os conhecer e querer segui-los de forma obsessiva e cega.
Mas cada música terá o seu propósito. A sua razão de ser. O seu motivo. Eu busco-o sem dúvida, mas temo não o alcançar. Certamente não o saberei interpretar objectivamente, e deixo-me levar pelo relativismo geral que fascina a maioria. No fundo o que ouço é também apenas meu, e corresponde a uma mera situação que idealizei.
Mas aquelas notas que me tocam profundamente levam-me antes de mais à procura da sua fonte: inicia-se a busca pelo seu criador. Deve ser fantástica a mente de um músico! Sinceramente deve ser espectacular. A capacidade de percepção da realidade que deve ter devem ser de tal forma superiores à minha, que lhe permite captar bem o que sente para depois transmiti-lo. É o saber ler a realidade e saber expressá-la.
É isso que me deixa fascinado. É essa raridade. É o dom deles.
Hoje, 12 de Abril de 2008, o David Fonseca toca no Coliseu de Lisboa.
E eu, que não poderei estar presente, contento-me com reflexões sobre música - onde a sua, para mim, tem grande relevo.

Sunday, May 13, 2007

Carta

Num blog aqui da vizinhança, encontrei uma carta de um parente, que muito aprecio e aqui deixo para que a leiam:

Artigo do Dr. Luís Canavarro*

Senhor Primeiro-Ministro

Excelência

Escrevo na qualidade de médico das carreiras hospitalares e faço-o numa publicação profissional por julgar que o assunto é do interesse de todos os meus colegas.

Dirijo-me ao Estado, entidade abstracta, meu empregador,que V.ª Ex.ª, por força das últimas eleições, legítima e indiscutivelmente representa.

E, desde já, asseguro que não me move qualquer intuito político. Debalde poderá V.ª Ex.ª buscar qualquer filiação partidária, que não tenho, nunca tive e julgo nunca terei. Tampouco achará V.ª Ex.ª no meu curriculum atitudes de reivindicação, de reclamação ou de contestação, fora do mais estrito âmbito laboral. Esta carta é tão-somente um pedido de decência nas relações de trabalho com a minha entidade patronal, ditada pelo frustrar do que cuidava serem as mais legítimas expectativas.

Quando há mais de um quarto de século aceitei começar a trabalhar para o Estado, fi-lo na convicção de que era uma entidade recta e íntegra ou, como em linguagem vulgar se diz, uma pessoa de bem.

Não o é, como ao longo dos anos vim constatando:

O Estado é um gestor ruinoso do bem comum, que todos pagamos. As contas públicas não deixam margem para dúvidas.

O Estado é caloteiro, paga pouco, tarde e mal mas, reciprocamente, é o mais temível dos credores. Basta ver como nega o princípio da compensação.

O Estado é iníquo e corrupto. Confirme-se, a cada nova ronda de eleições, o baile de apaniguados a ocupar furiosamente os lugares públicos, sem concurso, sem justificação e, pior que tudo, sem competência. De tal situação, deu V.ª Ex.ª o mais despudorado exemplo.

O Estado denega a Justiça. Ao recusar criar condições para uma laboração rápida e exemplar dos tribunais, ao legislar diplomas dúbios, efémeros, se não contraditórios, perpetua-se o primado do acordo de circunstância ou do acto administrativo sobre o que devia ser Justiça, límpida e rigorosa.

Mas, ainda que tenha criado do Estado uma tão má imagem, nunca julguei que se pudesse chegar a violar princípios fundamentais do Direito, como o da não retroactividade das leis. Princípios que fazem parte dos direitos, liberdades e garantias universais de cujo reconhecimento Portugal é signatário. Ao que parece pouco convicto.

Declarou V.ª Ex.ª publicamente a suspensão da progressão nas carreiras e o aumento da idade da reforma. A menos que se trate de mais uma afirmação para não cumprir, a que V.ª Ex.ª nos vai habituando, tal representa, pura e simplesmente, legislar com efeitos retroactivos à data de início do contrato de trabalho - 26 anos, no meu caso.

Ora, quando me vinculei à Função Pública, foi-me asseverado que teria o meu direito à reforma aos 60 anos e à progressão na carreira conforme prevista nos regulamentos aplicáveis.

Os descontos a que fui sujeito ao longo destes anos a favor da segurança social não são mais um imposto, mas sim uma quantia que é minha e que confiei ao Estado para que a guardasse, investisse e finalmente provesse à minha reforma, segundo os termos acordados.

Nas recentes medidas económicas de excepção, sacrificou V.ª Ex.ª, uma vez mais, aqueles que pagam, sempre o fizeram e assim continuam.

Quanto à oligarquia de riqueza ostensiva, na qual se inclui a classe política, continua arrogante, impune... e não tributada.

No outro extremo, marginais que nunca trabalharam são encorajados a jamais o fazerem, mediante subsídios da Segurança Social, numa pedagogia leviana e suicidária, conquanto que eleitoralmente muito rentável.

Não sendo político não necessito de ser politicamente correcto. V.ª Ex.ª sabe, por demais, a quem maioritariamente são entregues os subsídios da Segurança Social: àqueles grupos étnicos que, justamente, perfazem o grosso da nossa população prisional.

Assim, in limine, o subsídio é, na realidade, um suborno pago aos marginais para os manter controlados. Dada a maneira como V.ª Ex.ª trata as polícias e a magistratura faz todo o sentido. É mesmo muito inteligente e pragmático.

Não sei é se será ético mas, olhando em redor, essa é uma palavra em desuso.

Ora o certo é que a Segurança Social não vive das contribuições dos políticos, - reformados ao fim de oito exaustivos anos de trabalho. Vive das nossas.

E V.ª Ex.ª, ao alterar, de forma unilateral e, repito, retroactiva, o contrato que me ligava ao Estado, denunciou esse contrato.

V.ª Ex.ª decerto concordará que, se não fosse o Estado mas uma pessoa individual a praticar estes actos, tal teria um nome pejorativo e uma sanção penal. Assim como se se tratasse de uma empresa ou qualquer outra entidade patronal haveria, indiscutivelmente, lugar a uma indemnização por quebra de contrato.

Pelo que, reportando-me aos princípios de equidade que seria suposto regerem o país, peço em meu nome, e dos médicos das carreiras públicas, igualdade de tratamento com os senhores deputados da nação, naquilo que V.ª Ex.ª muito bem definiu como «justas expectativas».

Respeitosamente.

Coimbra, 28 de Junho de 2005

* Assistente Hospitalar Graduado de Psiquiatria nos HUC

Saturday, March 24, 2007

Uma Exigência de Beleza (e o que faltou a Sartre)

O meu tempo tem passado e eu por me concentrar de mais em outros temas talvez até mais polémicos, tenho deixado no esquecimento um tema bastante importante.

No passado domingo, o Evangelho do dia era o do Filho Pródigo.
Não deixa de ser um Evangelho dos mais conhecidos. Todos em pequenos, na catequese ou na escola, o ouvimos ou ouvimos falar dele.
Mas para além da história que relata, eu vou-me concentrar numa pequena coisa que lhe vem subjacente e que a mim reflecte um pouco o mundo em que vivemos.
No final da parábola, quando o filho mais velho chega a casa e percebe a causa da festa, há o seguinte diálogo:

“Há tantos anos que te sirvo, e jamais transgredi um só dos teus mandamentos, e nunca me deste um cabrito sequer para fazer uma festa com os meus amigos, e agora chega esse teu filho, que gastou o teu dinheiro com mulheres de má vida, e tu matas o novilho mais gordo.
Mas o pai lhe disse: ‘Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu. Mas era preciso que festejássemos e nos alegrássemos, pois este teu irmão estava morto e tornou a viver, estava perdido e foi encontrou-se.”

Penso que serão mais ou menos estas as palavras de ambos.
Mas o que pretendo referir é uma exigência de beleza que tanto falta nos nossos dias.
É igual dizer “esse teu filho, que gastou o teu dinheiro com mulheres de má vida” ou “este teu irmão estava morto e tornou a viver, estava perdido e foi encontrou-se”. No entanto a segunda forma contém uma beleza muito superior. Deixa-me fascinado esta dicotomia. O primeiro reconhece e procura enaltecer os disparates e erros do passado. O segundo também, mas percebe que o que importa, que o que realmente se joga não o passado mas o presente, que o importante é o facto de ter voltado. Que há mais alguma coisa para além de tudo isto. Que aqui é sempre tempo de recomeçar.

Aqui deixo um exemplo (de beleza):

Thursday, March 01, 2007

O Conto de Francisco



Uma tentativa minha (frustrada convém referir) de fazer um desenho de um homem mal-encarado! Peço desculpa...

Conheci o Francisco há cerca de um ano. Sempre tinha ouvido falar dele como o "mal-encarado", o "desagradável" ou o "intriguista". É verdade que ele sempre teve as feições muito cerradas mas, eu não o podia julgar pois não sabia nada dele verdadeiramente, apenas conhecia boatos. Confesso que as minhas perspectivas não podiam ser as melhores depois do que havia ouvido sobre ele, no entanto pouco me importava ou não se algum dia o conheceria.
Quando o encontrei pela primeira vez, foi na festa do Vasco e foi ai que fui apresentado por este mesmo. Falamos bastante, desde política, a mulheres e até sobre a vida de cada um. No entanto eu mantive-me pouco activo. Queria observar realmente o comportamento deste homem. E não sei se é de mim ou se realmente é um facto, este homem pareceu-me desde o início talhado para um futuro bem mais colorido do que lhe calhou até ao dia de hoje.
Nessa noite soube que Francisco sempre tivera uma maneira diferente (se especial ou não, isso já não sei...) de encarar a vida. Na escola passou períodos difíceis. Castigos, algumas surras dadas pelos próprios colegas etc. Houve um dia que depois de a uma colega sua terem roubado a mochila da sala de aula enquanto esta se encontrava no intervalo, e a professora ter perguntado quem fizera tal coisa, Francisco de imediato apontou para os culpados acusando-os. Francisco sabia que estava certo, pois tinha-os visto a cometerem o crime. A professora que decidiu logo castigar os culpados ao certificar-se que eles o eram verdadeiramente, disse a Francisco que estava muito satisfeita com a sua atitude e que havia tido muita coragem. Francisco agradeceu e seguiu a sua vida. No final do dia e após as aulas, Francisco ao sair da escola é surpreendido pelos seus colegas que decidem pregar-lhe uma lição pelo facto de os ter acusado. Quando chegou à escola no dia seguinte e fez queixa à professora de que os colegas lhe haviam batido, ela apenas lhe disse: "o que? não acredito? mas não pode ser? Mas foi fora da escola? Ora isso é uma chatice. Ai a escola não pode fazer nada!!!"
Mais tarde foi despedido do emprego por ter dito à mulher do chefe que este tinha uma amante. "Ora se era verdade o que havia eu de fazer? Uma mulher não tem que viver com a cabeça enfeitada por causa das tolices que o marido faz sem dizer nada..." disse rindo-se.
Há cerca de um mês, numa das suas idas ao São Carlos ver uma ópera, viveu uma situação caricata. Durante o intervalo, quando se dirigia ao salão nobre para jantar, passou por um camarote onde ouviu uma mulher a falar com alguns estrangeiros. Ela estava a elogiar e a "fazer campanha", digamos assim, um ministro corrupto, afirmando que era "o homem mais justo do país". Francisco ficou indignado e como é seu hábito de não suportar a mentira, entrou no camarote e começou a refutar a mulher. Revoltada, esta pede para que ele saia, mas ele continua a explicar aos estrangeiros a verdade sobre o ministro. "Sabe, ele é um grande aldrabão. Não podemos negar que no passado no livrou de uma situação muito complicada, mas não é razão para que ele roube dinheiro ao Estado". Entretanto, a mulher que cada vez menos suportava a sua revolta e se descontrolava cada vez mais, decidiu chamar a segurança e queixar-se dele. Estes nem o ouviram - Um pouco por culpa da cena que antes havia protagonizado, quando no inicio da opera decidiu defender um dos "arrumadores" do teatro de uma injustiça que estava a sofrer com uma espectadora - e chamaram a policia para o levar. Foi preso por distúrbios provocados em local público. No entanto ainda hoje me fica a dúvida: que culpa terá um homem por dizer e defender a verdade? É este o dever que temos? Deveremos mesmo condenar quem diz a verdade? É esta a sociedade que luta pelo que está certo? É esta a educação que queremos para nós? Isto é que é educar para a verdade?
Não sei... ainda me faz confusão.
Enquanto isto, todos os Franciscos do mundo serão sempre homens de azar com um destino negro.
Se não quiseres ser assim, mente....

Sunday, February 18, 2007

Deambulando de Madrugada



Se há coisa que gosto na manhã é o Silêncio.
Se existe, existe na madrugada.
Durante o dia cala-se e deixa o ruído governar.
Depois manda-o deitar
E chega a sua vez de comandar.
Oh, e sabe tão bem!
Durante o dia há a ventania,
Ou a chuva da melancolia,
Há a televisão do vizinho
Com as historias de um desgraçadinho,
Há a rádio de um homem sozinho,
Geralmente Velhinho,
Acompanhada pelo chilrear de um passarinho.
Há o bafar de um cachimbo,
Ou a euforia do "bimbo" a festejar o golo da sua equipa.
Há a histérica "madame" com o seu género peculiar,
Ou a ex-peixeira que fala sempre a gritar.
Há carros, motas, táxis, camionetas e afins,
Há milhões de pessoas que não olham a meios para alcançar fins.
Há o eléctrico da Estrela,
Há o automóvel do sapateiro,
Há barulho. Há barulho!
Há barulho no mundo inteiro.
Há gente.
Gente que sente.
Gente que faz sentir.
E que como não sabem onde querem ir,
De madrugada preferem ficar a dormir.

Sunday, January 07, 2007

Ultimamente outra vez...

Ao passar por um blog dos deste condominio,(este, este e este)lembrei-me de coisas que à muito não me passavam pela cabeça. Fez-me de novo lembrar este texto que escrevo de novo, e que continuo a adorar. Acho que me consegui defenir nele com uma certa ordem que raras vezes encontro.

"Ultimamente tenho pensado e reparado no meu mundo. É bem verdade que ando feliz. Vivo uma felicidade só minha e que só me é possível através do contacto com outras coisas. Coisas que me são dadas. Coisas que por vezes além de objectos, são rostos e nomes. Não nego que por vezes fico triste. Mas ultimamente estou feliz.
Sempre vi na verdade a fonte de tudo o que hoje existe. Mas as pessoas tem o dom de aldrabar significados, e hoje eu já não sei o que devo pensar que é a verdade. Já cai neste planeta da incerteza, onde tudo é abstracto e nada é certo. Onde tudo é incerto, onde cada um tem o seu significado, cada um tem a sua interpretação, a sua verdade. Uma verdade que sempre foi muito simples e fácil de encontrar. Pelo menos é o que me parece, através da minha experiência. Olho à minha volta e vejo a verdade que há em mim. E existe tanta. Mas será esta verdade diferente da que te rodeia? Não sei.... Mas tu chamas-lhe outra coisa, e por vezes até chegas a querer apagar a minha. Vou-te contar Luís a minha história.
Eu sempre fui um homem de fé. Sempre tive amigos. Mas ultimamente tenho reparado que algo mudou. Nunca te escondi o que penso sobre muitos assuntos, e até hoje as coisas foram normais. Hoje reparei no que ultimamente se tem passado. Desde que manifestei a minha opinião sobre um tema que em nós existe em comum, a tua reacção, e também o teu comportamento se alteraram, mas nunca percebi porque. É verdade que posso ter ofendido os teu princípios e a tua experiência, e que também me rejeitei a seguir, aquele que Deus pôs na minha frente na vida, para seguir aqueles que me deram vida, mas sempre pensei que isso me ajudasse a ser mais teu amigo, e nunca um chato ou mesquinho homem, que apesar de, em tempos ter sido o teu melhor amigo, agora é um mero conhecido que tens(apesar de gostar de ti tanto como gostava, mas as circunstancias não permitem mostra-lo), e com o qual preferes manter distancia. É como a minha história com a Ana. Preferiu aquele que lhe mentia e a fazia sonhar, do que a mim, que apenas dizia a verdade. Mas também confesso que não é o único. Bem sei que todos aqueles que conheces (e que tem a mesma experiência que nós,)e me conhecem, dizem o mesmo. E para vocês eu sou apenas uma besta. Talvez fui em tempos um daqueles que poderia fazer numero e pertencer a uma mera elite de um grupo de pessoas que procura encontrar a verdade, e que agora, apenas porque discorda com alguma coisa, e um mero elemento que obstrui o caminho. Mas eu estou cansado de seguir a vossa verdade. Vou seguir aquela que me foi dada. A que me foi introduzida por aqueles que escolheram para me acompanhar e ensinar a viver. Porque essa é a verdade que eu conheço, e essa tem razões. Não se limita a um ceder à obediência. Alias obediência essa que é muito importante, mas controlada. Porque obediência sem limites é loucura. Não vou espalhar a razão como método de alcançar a verdade, e depois cair no inconsciente, na acção por mera ordem superior, que nem se percebe qual é razão. Nem obedecer por uma razão simples e de ultima hora, que no fundo não seja mais que uma desculpa. Porque isso é muito triste.
E bem sei que agora para vocês já não sou o mesmo. Agora sou talvez um revoltado. Uma besta qualquer. Sim uma besta qualquer, porque agora eu já não estou no mesmo circulo que vocês. Já não sirvo para fazer o que fazia antes, só porque contei a verdade.
Que triste!
Mas mesmo esta tristeza agora não interessa, porque eu estou feliz. Feliz pela companhia de coisas, pelo conhecer pessoas; pela verdade. Uma verdade que reconheço em cada coisa que me é dada e me dá alegria. Uma verdade que está aqui, e que só ultimamente descobri.

E a vida continua eu continuo a gostar dela. Maria! Maria! espera por mim..."

Friday, December 01, 2006

Carta à Persistência

Querida Persistência,

Não quero desperdiçar mais o meu dia.
Não quero perder mais tempo de vida.

Quero amar o meu Deus,
A realidade, tu e
A minha família.

Conseguirá o Homem viver sem Deus?
Não
Conseguirei eu viver sem ti?
Não!
Serás tu o meu Deus?
Talvez...
Ou pelo menos eu vejo-O em ti.

Ou podes ser um sinal?
Quem sabe um rosto?
Não queres ficar comigo para sempre?

É porque é um desperdício
Perder tempo com quem não nos ama.
Ou pelo menos quem não quer o nosso amor...

Ah! Faz um esforço! já estou farto!
Já não quero voltar a sair
Sem saber o que fazer,
E não viver
Intensamente o real.

Não me quero dispersar
Com o que não interessa,
Nem desperdiçar
A vida que me resta.

Salva-me!

Vá lá!
Só tu podes faze-lo!
"Fazes?"

Thursday, November 30, 2006

A Longa Espera.....

Persistência - s.f., qualidade do que é persistente; acto de persistir; constância; perseverança.

Persistir - do Lat. persistire v. int., continuar a existir; ser constante; perseverar; permanecer; durar longo tempo; insistir; perdurar; teimar.

Há sempre alguém desencontrado.
Há sempre alguém atrasado
Num encontro,
Mesmo quando se trata
De um grande Amor.

Há sempre alguém que falta à hora combinada.
Que deixa outra desesperada
Numa espera,
(Sobretudo) por um grande amor.

E eu não sei se é o destino
Que nos separa aos dois,
Se tenho medo, se não tenho tempo
Ou se guardo tudo para depois;
Apenas sei que na minha vida
Ainda não nos encontramos os dois.

E tenho pena sabes?
Ainda me recordo quando sorria
Enquanto olhava aquela tua fotografia
E o meu coração dizia para mim:
Maria! Maria!

Ainda me lembrava daquela ansiedade
Daquela vaidade,
Daquelas noites em que não dormia,
E recordava, Maria,
Aquele dia em que nos conhecemos!

Foram tantos sonhos – Tolices!
Tantos desejos – Parvoíces!
Obsessão romântica que fazia
Ouvir na telefonia
Em cada música um nome: Maria.

Mas talvez tenha que ser assim!
Talvez sejas mais feliz sem mim!
E agora satisfeito com a decisão,
Posso anunciar a resolução do coração:
Fim!

P.S.:
Cá te espero.
Talvez um dia procures por mim.
Eu estarei aqui a esperar por ti.
Revela-te!


Sunday, September 17, 2006

But I Still Haven't Found What I'm Looking For



Morais, 16 de Setembro de 2006

Caro Senhor Bono,

há muitos anos que oiço a sua música e que sou um dos seus maiores fãs. Mas deixe-me apresentar-me: Sou de Portugal, da região de Trás-os-Montes, de uma pequena vila chamada Morais e por aqui todos me tratam por Baptista. Escrevo-lhe em busca de algumas respostas, que eu creio, só o senhor me pode responder.

Sabe, eu já corri o mundo. Bem, eu não corri bem o mundo: voei por ele, mas não de avião, que isso é muito caro. O meu veículo é o que aqui se chama de Sonho. Conhece?

Nesta viagem conheci milhões de pessoas. Todas elas diferentes entre si e diferentes das que conheço aqui. Não sei bem como definir.
Sai de Portugal e corri toda a Europa; e depois a Índia, a América e só depois África. No entanto devo confessar-lhe que me sinto um pouco desiludido.

Parti de Portugal com a intenção de descobrir alguém que me correspondesse (e não apenas aquele "alguém" que desejo ter comigo para o resto da vida - porque para mim (é como dizia a, minha mãezinha) o casamento é para a vida!), alguém que me definisse e que me soubesse dizer quem sou. Aqui sinto-me (e sou!) apenas um estranho. Não me encaixo em lado nenhum. Ainda hoje não sei de onde venho e ao que venho. Nos meus amigos apenas vejo pessoas com quem falo e partilho as aventuras e desventuras da vida. Não há ninguém que, de facto, me pertença e não pertenço a ninguém. Ainda hoje estou perdido. Ainda sou apenas um estrangeiro. Nada me faz e em nada me revejo. Nada me prende.

Mas acredita Sr. Bono, que em lugar nenhum do mundo eu encontrei um lugar onde eu dissesse eu verdadeiramente? Onde eu fosse verdadeiramente eu?
Confesso que tudo isto me atormenta mais que o frio que faz aqui nas montanhas, e me tira mais o sono que o café que a minha querida mãe faz.

É por tudo isto que lhe escrevo.
É porque continuo sem encontrar aquilo que procuro.
É por isto que acho que talvez o Sr. me possa ajudar.
O senhor encontrou aquilo que procurava?
Pode indicar-me um caminho?
Peço-lhe que me ajude, como uma criança inocente e perdida pede à sua mãe quando está presa e anseia liberdade.

Com os melhores cumprimentos e um grande abraço cheio de admiração e respeito

Batista.

Tuesday, June 06, 2006

Ultimamente

"Ultimamente tenho pensado e reparado no meu mundo. É bem verdade que ando feliz. Vivo uma felicidade só minha e que só me é possível através do contacto com outras coisas. Coisas que me são dadas. Coisas que por vezes além de objectos, são rostos e nomes. Não nego que por vezes fico triste. Mas ultimamente estou feliz.
Sempre vi na verdade a fonte de tudo o que hoje existe. Mas as pessoas tem o dom de aldrabar significados, e hoje eu já não sei o que devo pensar que é a verdade. Já cai neste planeta da incerteza, onde tudo é abstracto e nada é certo. Onde tudo é incerto, onde cada um tem o seu significado, cada um tem a sua interpretação, a sua verdade. Uma verdade que sempre foi muito simples e fácil de encontrar. Pelo menos é o que me parece, através da minha experiência. Olho à minha volta e vejo a verdade que há em mim. E existe tanta. Mas será esta verdade diferente da que te rodeia? Não sei.... Mas tu chamas-lhe outra coisa, e por vezes até chegas a querer apagar a minha. Vou-te contar Luís a minha história.
Eu sempre fui um homem de fé. Sempre tive amigos. Mas ultimamente tenho reparado que algo mudou. Nunca te escondi o que penso sobre muitos assuntos, e até hoje as coisas foram normais. Hoje reparei no que ultimamente se tem passado. Desde que manifestei a minha opinião sobre um tema que em nós existe em comum, a tua reacção, e também o teu comportamento se alteraram, mas nunca percebi porque. É verdade que posso ter ofendido os teu princípios e a tua experiência, e que também me rejeitei a seguir, aquele que Deus pôs na minha frente na vida, para seguir aqueles que me deram vida, mas sempre pensei que isso me ajudasse a ser mais teu amigo, e nunca um chato ou mesquinho homem, que apesar de, em tempos ter sido o teu melhor amigo, agora é um mero conhecido que tens(apesar de gostar de ti tanto como gostava, mas as circunstancias não permitem mostra-lo), e com o qual preferes manter distancia. É como a minha história com a Ana. Preferiu aquele que lhe mentia e a fazia sonhar, do que a mim, que apenas dizia a verdade. Mas também confesso que não é o único. Bem sei que todos aqueles que conheces (e que tem a mesma experiência que nós,)e me conhecem, dizem o mesmo. E para vocês eu sou apenas uma besta. Talvez fui em tempos um daqueles que poderia fazer numero e pertencer a uma mera elite de um grupo de pessoas que procura encontrar a verdade, e que agora, apenas porque discorda com alguma coisa, e um mero elemento que obstrui o caminho. Mas eu estou cansado de seguir a vossa verdade. Vou seguir aquela que me foi dada. A que me foi introduzida por aqueles que escolheram para me acompanhar e ensinar a viver. Porque essa é a verdade que eu conheço, e essa tem razões. Não se limita a um ceder à obediência. Alias obediência essa que é muito importante, mas controlada. Porque obediência sem limites é loucura. Não vou espalhar a razão como método de alcançar a verdade, e depois cair no inconsciente, na acção por mera ordem superior, que nem se percebe qual é razão. Nem obedecer por uma razão simples e de ultima hora, que no fundo não seja mais que uma desculpa. Porque isso é muito triste.
E bem sei que agora para vocês já não sou o mesmo. Agora sou talvez um revoltado. Uma besta qualquer. Sim uma besta qualquer, porque agora eu já não estou no mesmo circulo que vocês. Já não sirvo para fazer o que fazia antes, só porque contei a verdade.
Que triste!
Mas mesmo esta tristeza agora não interessa, porque eu estou feliz. Feliz pela companhia de coisas, pelo conhecer pessoas; pela verdade. Uma verdade que reconheço em cada coisa que me é dada e me dá alegria. Uma verdade que está aqui, e que só ultimamente descobri.

E a vida continua eu continuo a gostar dela. Maria! Maria! espera por mim..."

Vasco Inocêncio Marçal