Descobri esta história à pouco tempo, e não quis deixar de a postar aqui. Salazar tornou-se eterno por si próprio e também - devemos dizê-lo com frontalidade - devido aos seus "inimigos". Mas António Ferro conseguiu mais que isso. Colocou-o na história ainda antes de ele ter nascido.
Um tema dominante na cultura popular actual é a inversão de papéis. Hoje o herói é o pirata (Piratas das Caraíbas), os bruxos (Harry Potter), ladrões (Oceans's 13), até o ogre (Shrek). Os vilões, entretanto, são o príncipe encantado, a Companhia das Índias, a Igreja (Código da Vinci), o governo americano e as empresas (quase todos os outros filmes). Trata-se literalmente do oposto dos enredos de há 50 anos.
À primeira vista, parece haver uma corrupção de valores, trocando-se o mal com o bem. Ligando isto a dramas reais, do aborto aos escândalos financeiros, não faltam os que duvidam da nossa sanidade moral e desesperam do nosso futuro social.
Se virmos com mais atenção, porém, as coisas são muito mais consistentes. Afinal, hoje como antes, os heróis continuam a comportar-se da mesma forma. Eles só são heróis porque exaltam a honra, amor e amizade, beleza, fidelidade, justiça, sacrifício. E os vilões, mudando roupas e cargos, continuam tão infames e malévolos como sempre. O bem e o mal permanecem.
Que significa então a tal inversão? No fundo, quer dizer o mesmo que os seus críticos. Quando se celebra a bondade do marginal (pirata, ladrão, ogre) e se condena o sistema (rei, empresa, governo), denuncia-se a sociedade como corrupta e hipócrita. Isso é precisamente o que dizem os que, a partir desses filmes, falam de perda de valores e desorientação moral.
Em todos os casos, a vítima, atacada de todos os lados, é ... a sociedade. A vida que temos, o mundo em que vivemos é o alvo de todas as críticas, dos revolucionários como dos moralistas. Esse drama dava um bom filme.
Para bem da história fica aqui o gráfico da evolução/redução do analfabetismo em Portugal desde 1878. A fonte é a Internet. A primeira república que se inicia em 1910, encontra um pais com cerca 75,5% de analfabetos (1911), sendo que a sua maioria vivia no campo . Até ao seu fim, a primeira república reduz cerca de 7% este problema. O Estado Novo inicia-se em 1933, sendo que se depara com uma percentagem de analfabetos de 66%. A politicas aplicadas à educação resultam, e em 1970 a percentagem é apenas de 20,5%, o que representa uma taxa de redução de 1,14% ao ano. 21 anos depois, ou seja, em 1991, a taxa é reduzida de 20.5% para 11%. Reduz cerca de 9%, o que significa uma redução anual de 0.4%. 10 anos passados, realiza-se o ultimo inquérito ao país, o censo de 2001. O resultado indica que a taxa de analfabetos em Portugal é de 8,8%. Numa das pesquisas, encontrei uma frase de Salazar que dizia que «o analfabetismo em Portugal vem de longe e isso não impediu que a nossa literatura fosse em determinadas épocas extremamente rica». A frase de Salazar vem acompanhada por um comentário do autor do artigo: "A afirmação (de Salazar) identifica o campónio que idealizou a PIDE, dispensa comentários". Ou isto é mera ignorância ou é sinal de um ódio desmedido. Como se em 1888 não houvesse um Eça de Queirós a escrever Os Maias, um Antero de Quental, ou em 1800 um Almeida Garrett e em 1870 um Alexandre Herculano, em 1900 um Fernando Pessoa ou um Mário de Sá Carneiro, ou em 1930 um Joaquim Paço d'Arcos! Talvez riqueza da literatura não se classifique por certos princípios, que estes que agora citei, tão bem traduzem. Mas nesse caso sou eu, que fruto de uma educação pós Abril de 74, sai deseducado.
Ontem, passeando pelas livrarias lisboetas, decidi entrar na fnac, loja pela qual tenho uma enorme estima, e na ânsia de encontrar o que desesperadamente procurava, lancei-me ao balcão onde, atrás de computadores cheios de informação, encontro uma jovem senhora, por sinal até bem dotada naquele campo a que chamamos beleza, e perguntei-lhe de forma rápida e bastante expressiva: - Bom dia! Estou à procura de livros de Charles Maurras. Tem alguma coisa? - Desculpe? - interrogou a jovem com aquele ar típico de quem não compreendeu aquilo que se desejava. Pensei ter pronunciado mal. Talvez a minha ansiedade me tivesse causado algum problema linguístico que prejudicasse a percepção do ouvinte. Repeti de forma calma e pausada: - Bom dia! Estou à procura de livros da autoria de Charles Maurras. Tem alguma coisa? - Bom dia! Procura Maurat? - Questiona-me a senhora. Assustei-me. Estaria o meu francês tão mau que ela não percebesse o que eu digo? Teria sido uma mera brisa que, ao passar deturpara as minhas palavras? Seria um problema da minha língua, que se havia baralhado e, apesar da ideia que tinha na cabeça, ela pronunciou outra coisa que não o que eu desejava? Não sei... - Não. Procuro Maurras. Charles Maurras. - Pode soletrar? - perguntou-me enquanto puxava para fora a prateleira do teclado do computador. Inacreditável. Ou sou um autêntico analfabeto, ou isto é realmente inacreditável. Soletrei então: - M-A-U-R-R-A-S. - Hummmmm.... não tenho cá nada. Nem aparece informação nenhuma no computador - disse-me com ar apreensivo e até (não querendo parecer convencido) com um ar desgostoso por não me poder fazer a vontade. Eu próprio fiquei triste ao observar aquela - que eu considero - falha numa livraria de que eu tanto gosto, e tanta qualidade tem. No entanto, a surpresa decide, como é habitual, aparecer quando ninguém a espera, e daquela face angelical, doce e até aparentemente culta, saem seis palavras que me deixam boquiaberto: - Mas afinal o que é isso? A sua beleza caiu por terra. Numa situação daquelas até a mais bela das mulheres, se tornaria um bruxa daquelas dos contos de crianças, gorda, feia, com uma verruga no nariz, etc (por favor não confundir com a Odete Santos). Como é possível não saber quem foi Charles Maurras? Ou trabalha ali alguém que não percebe nada de livros, ou a cultura já não é cultura. Calculo que o problema seja que a cultura agora é "cultura" e é um pouco influenciada, pendente, formada, virada para o lado daqueles que se dizem artistas, sendo que esses se preferem sempre sentar do lado esquerdo. Valeu-me de consolo que aquele rosto, onde antes encontrara tantas qualidades, me afirmasse que conhecia Anrique Paço d'Arcos.
Não é uma questão de mera publicidade - em parte também o é, porque o que é bom deve-se sempre publicitar - mas desta vez passo a palavra a quem sabe mais e por isso recomendo sobre este tema o texto do Prof. HNO
1998: Referendado o Aborto em Portugal
À pergunta «Concorda com a despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?», 50.07% dos votos expressos assinalaram o não. Apenas 31,89% do eleitorado foi às urnas. É verdade que o resultado não foi vinculativo, no entanto também não o foi o de 2007, em que a corrida às urnas foi de apenas 43,61%, mas neste ultimo houve quem levanta-se a voz e afirmasse que "a vontade do povo tinha que ser cumprida". Não me recordo de as ter ouvido em 1998...
1982: Morre Alfredo Rodrigues Duarte, mais conhecido por Alfredo Marceneiro.
Fadista português, antes de ganhar a sua eterna alcunha era conhecido por Alfredo Lulu por sempre se vestir bem. Nasceu na freguesia de Santa Isabel numa família muito humilde a 29 de Fevereiro 1891, mas a mãe registou-o no dia do nascimento do pai, 25 de Fevereiro, devido à complexidade da data. Quando o pai morreu, deixou a escola primária para se dedicar à profissão de encadernador para ajudar no sustento da família. Sempre mostrou grande interesse e talento para as artes, principalmente a música, e desde cedo se juntou com os amigos para cantar o fado em locais públicos e populares, fazendo notar a sua voz e a capacidade de improvisar letras. Um dia, conheceu Júlio Janota, fadista improvisador, de profissão marceneiro que o convenceu a seguir esse ofício que lhe daria mais salário e mais tempo disponível para se dedicar à sua paixão. Assim seria possível ser bem sucedido nas duas actividades. Alfredo ganhou o nome Marceneiro em 1920, quando um grupo de pessoas decidiu organizar uma homenagem a dois fadistas. Como só o conheciam como Alfredo Lulu, decidiram colocar o nome da sua profissão no cartaz. Depois disso Alfredo Marceneiro nunca mais largou o nome artístico. Apesar de marialva e de todas as suas aventuras, a mulher da sua vida e aquela que pôs fim à sua vida de boémio foi Judite de Sousa Figueiredo, senhora que conheceu numa festa em que foi cantar, na Fonte Santa, e aquela que amou até ao fim da sua vida e com a qual teve três filhos: Carlos, Alfredo e Aida. Em 1924, participa no Teatro São Luiz, em Lisboa, na sua primeira Festa do Fado e ganha a medalha de prata num concurso de fados. A 3 de Janeiro de 1948, foi consagrado o Rei do Fado no Café Luso. Reformou-se em 1963, após uma carreira recheada de sucessos, numa grande festa de despedida no Teatro São Luiz. Dos muitos temas que Alfredo Marceneiro cantou destaca-se a Casa da Mariquinhas, de autoria do jornalista e poeta Silva Tavares. Faleceu no dia 26 de Junho de 1982 com 91 anos, na mesma freguesia que o viu nascer. No dia 10 de Junho de 1984, foi condecorado, a título póstumo, com a Comenda da Ordem do Infante D. Henrique pelo então Presidente da República Portuguesa, General Ramalho Eanes. Marceneiro marcou uma época e o fado tornando-se através da sua voz inconfundível, uma das principais referências desta arte tipicamente portuguesa, como escrevia Alvaro do Amaral Netto:
Quando cantas, “Marceneiro”, Com tua voz sem igual, Vibra em ti a alma lusa, Fala por ti, Portugal!...
1975: Morre São Josemaría Escrivá de Balaguer, fundador do Opus Dei.
Padre espanhol, destacou-se como fundador do Opus Dei, prelatura pessoal da Igreja Católica. Dizia que o Opus Dei "é velho como o Evangelho e, como o Evangelho novo. Trata-se de recordar aos cristãos as palavras maravilhosas que se lêem no Génesis: que Deus criou o homem para trabalhar. Pusemos os olhos no exemplo de Cristo, que passou quase toda a sua vida terrena trabalhando como artesão numa terra pequena. O trabalho não é apenas um dos mais altos valores humanos e um meio pelo qual os homens hão-de contribuir para o progresso da sociedade; é também um caminho de santificação" e assim o Opus Dei procura "ajudar as pessoas que vivem no mundo - o homem vulgar, o homem da rua - a levar uma vida plenamente cristã, sem modificar o seu modo normal de vida, o seu trabalho habitual, nem os seus ideais e preocupações". São Josemaría Escrivá planeava e m jovem ser arquitecto. No entanto, um encontro com um carmelita, que caminhava descalço sobre a neve num dia de inverno, provocou em si um sentimento muito forte, tomando, pouco depois, a decisão de ir para o seminário.Recebeu a ordenação sacerdotal em Saragoça, a 28 de Março de 1925. Iniciou a sua actividade pastoral em paróquias rurais, continuando-a posteriormente pelos bairros pobres e pelos hospitais de Madrid, onde realiza numerosas obras de misericórdia , e entre os estudantes universitários. Toda a actividade desenrolada na sua vida está relacionada com o Opus Dei. Durante alguns dias de retiro espiritual em Madrid, São Josemaría Escrivá percebe que no seu tempo há uma mentalidade que reduz os santos a "habitantes de conventos". Mas a santidade é possível de alcançar através do empenho no trabalho profissional e no cumprimento dos deveres ordinários. O Opus Dei seria então o caminho para o homem alcançar a santidade, segundo o qual, todos os cristãos tinham a obrigação de lutar por serem santos e que o chamamento à santidade é para todos sem distinção: leigos e religiosos. Com o inicio da Guerra civil Espanhola, São Josémaría, que vivia e exercia o seu apostolado em Madrid, esteve várias vezes prestes a ser capturado por militantes republicanos a anti-clericais, e por essa mesma razão, acabou por se refugiar na Legação de Honduras e em diversos outros lugares. Mesmo durante a guerra dedicou-se clandestinamente ao trabalho pastoral.Com o fim da guerra civil retorna a Madrid e inicia a expansão de seu trabalho apostólico em outras cidades da Espanha. O início da Segunda Guerra Mundial impede o começo do trabalho em outros países. Durante o período imediato do pós-guerra na Espanha, crescem as incompreensões por parte daqueles que não entendem o "chamamento universal à santidade" pregado pelo Fundador do Opus Dei. Por essa razão, o Opus Dei e o fundador foram várias vezes vítimas de calúnias e duras criticas por parte de pessoas que não compreendiam o espírito da organização, muitos achando-a demasiado progressiva para o seu tempo. Efectivamente, enquanto apresentava os moldes essenciais do Opus Dei na Cúria Romana, um Cardeal disse-lhe que "tinha chegado com um século de antecedência". É curioso ver a evolução da história: se antes era vista como progressista, hoje é vista como extremamente conservadora. Quando a Segunda Guerra Mundial terminou, Escrivá mudou-se para Roma, sede da Igreja Católica, deixando claro que o Opus Dei era universal, destinado a todos os homens de todas as nacionalidades de todos os tempos. Preocupava-o o facto do Opus Dei não ter um enquadramento jurídico e por isso considerava que, ao instalar a sede junto da Cúria, estaria mais perto desse objectivo. No entanto, tal coisa só nos anos 80, através do Papa João Paulo II e já depois da sua morte. Em 1948 erige em Roma o Colégio Romano de Santa Cruz, destinado à formação de homens do Opus Dei provenientes de todas as partes do mundo. O Papa Pio XII concede, em 1950, aprovação definitiva ao Opus Dei permitindo, então, o ingresso de pessoas casadas na instituição. Em 1953 erige o Colégio Romano de Santa Maria, centro internacional para a formação espiritual, teológica e apostólica de mulheres do Opus Dei. Durante os mais de 25 anos em que viveu em Villa Tevere - nome do complexo de edifícios que constituem a Sede Central do Opus Dei - São Josemaría Escrivá trabalhou intensamente quer no governo do Opus Dei quer no apostolado junto dos seus membros. Principalmente a partir de 1970 realizou várias viagens pela Europa e América do Sul, tendo ficado célebres pelas conferências que produzia, que tinham lugar em grandes auditórios com várias pessoas, membros e não-membros do Opus Dei, onde, contava histórias, respondia a perguntas e exortava a um contacto pessoal mais íntimo com Deus. Morre a 26 de Junho de 1975, e o seu corpo encontra-se sepultado na Igreja de Santa Maria da Paz, na sede central da Prelatura, em Roma. Após o seu falecimento, 69 cardeais, cerca de 1300 bispos de todo o mundo e 41 superiores de congregações religiosas, dentre outras personalidades, pediram ao Papa o início da causa de sua beatificação e canonização. Em 12 de maio de 1981 foi aberto o processo de beatificação de Josemaria Escrivá. A 9 de Abril de 1990 o Papa João Paulo II declarou a heroicidade de suas virtudes cristãs, e a 6 de Julho de 1991 decretou o carácter milagroso de uma cura atribuída à sua intercessão. Foi beatificado em 17 de maio de 1992. Em 6 de Outubro de 2002 foi canonizado pelo Papa João Paulo II, através de novo decreto pontífice, que reconhecia o carácter milagroso de uma segunda cura atribuída à intercessão do Beato. Assim, todos os anos desde então, no dia 26 de Junho, a Igreja celebra o dia de S.Josemaria Escriva. Sobre ele João Paulo II disse: São Josemaria foi um mestre na prática da oração, o que considerava uma extraordinária "arma" para redimir o mundo. Recomendava sempre: ""Primeiro, oração; depois expiação; em terceiro lugar, muito "em terceiro lugar", acção"" (Caminho, n. 82). Não é um paradoxo, se não uma verdade perene: a fecundidade do apostolado reside, antes de tudo, na oração e em uma vida sacramental intensa e constante. Este é no fundo, o segredo da santidade e do verdadeiro êxito dos santos. (Da homilia na missa de canonização).
É possível não se considerar um dia Português no mês de Junho. Antes pelo contrário é um dia vulgar, com pontos altos e baixos, sendo os mais baixos penosos para Portugal e os mais altos de orgulho para o nosso vizinho peninsular. No entanto, apesar de ser um dia que não deixa de marcar a história de Espanha (de forma indirecta), o valor do nascimento deste dia é essencialmente artístico, e como esse valor se estende a todos os cantos do mundo e aos olhos de todos os que aqui vivem, eu penso que também nós beneficiámos deste dia (também de forma indirecta obviamente).
1852: Nasce a 25 de Junho Antoni Placid Gaudí i Cornet, que ficou conhecido na história por Antoni Gaudí ou simplesmente Gaudí.
Foi um arquitecto catalão, que se fez notar pelas inovações artísticas que promove no seu tempo, como os seus arcos parabólicos, a sua introdução de novos materiais, formas e cores. Os seus trabalhos revelam claras influências da arquitectura gótica e da arquitectura catalã tradicional. Fortemente influenciado pelo arquitecto francês Eugene Viollet-le-Duc, Gaudí foi responsável por promover o retorno às formas góticas. Ridicularizado pelos seus contemporâneos, Gaudí encontrou no empresário Eusebi Güell o parceiro e cliente ideal, tendo-se tornado este o seu mecenas. É com ele e através dele que contactará com a chamada "Arte Nova". Procurou toda a vida um estilo próprio de que são exemplos as casas Batlló e Milá, que apesar de actualmente serem referências de monumentos e obras de arte de Espanha, não deixaram de ser duramente criticadas e consideradas enormes aberrações de Barcelona.
Gaudí foi um fervoroso nacionalista. Chegou mesmo a ser preso por falar em catalão numa situação considerada ilegal pelas autoridades. A sua vida dá grandes voltas e denota-se uma enorme dicotomia entre a sua juventude e a idade adulta. Gaudí trabalhou essencialmente em Barcelona, a sua terra natal, onde havia estudado arquitectura. Originário de uma família não muito abastada, Gaudí tinha como objectivo de vida durante a sua juventude alcançar a riqueza; no entanto no final da vida esse desejo havia sido desaparecido, esquecido ou mesmo ignorado por completo. Em jovem aderiu ao Movimento Nacionalista da Catalunha e assumiu algumas posições críticas face à igreja; no final da sua vida dedicou-se exclusivamente à religião católica. Um sinal disso é o a construção da Catedral da Sagrada Família (1884-1926), a sua obra mais conhecida e admirada, em que concentrou todos os seus esforços nos seus últimos 12 anos de vida, e que nunca foi concluída.
Antoni Gaudí morre (curiosamente) no dia 10 de Junho (Dia de Portugal) de 1926. Desde 1992 encontra-se em funcionamento um movimento a favor da beatificação de Gaudí.
1967: 1ª Transmissão Mundial Televisiva ao vivo, via Satélite, através do canal BBC para 26 países do mundo. E o que foi que transmitiram? Ora... os Beatles está claro.
1975: Independência de Moçambique
Território Português desde 1478, Moçambique torna-se independente a 25 de Junho de 1975. Depois da guerra colonial que durou cerca de 10 anos, Moçambique conquista a sua independência na sequência da revolução de abril e, a seguir à qual, o governo de Portugal assina com a Frelimo o acordo de Lusaka. O conteúdo do Acordo de Lusaka, em duas páginas nem merece ser transcrito. Como dizia Camilo Sarmento Caveiro, foi «apenas o reconhecimento oficial da Frelimo como representante do "povo" de Moçambique, o reconhecimento à independência, à criação de órgãos políticos de transição, os procedimentos administrativos, e pouco mais». E o acordo teminava com a frase "O Estado Português e a Frente de Libertação de Moçambique felicitam-se pela conclusão do presente Acordo". «Felicitam-se, na sua torpeza, pela aleivosa conclusão deste abominável acordo... Deveriam felicitar-se também pelos "brilhantes" resultados. Era demais! E nem uma palavra de garantia sobre a segurança dos residentes portugueses e seus bens, a salvaguarda da sua cultura e seus valores, e a de outros residentes imigrados das diversas partes do mundo. Que no conjunto seriam para cima de um milhão. Nem dos autóctones que eram cerca de sete milhões. E tudo feito em nome do povo. Partindo de um principio, de uma base, que era uma rotunda falsidade: a de que a Frelimo era realmente a representante do povo ou povos, e tantos são, de Moçambique. E por outro lado partindo de outra falsidade, a de que os signatários do acordo representavam o estado português, enfim, Portugal. Seria despiciendo perguntar a Mário Soares, a Almeida Santos, a Melo Antunes e aos demais títeres, quem lhes conferiu poderes, competência, legitimidade, autoridade ou o que fosse para em nossos nomes subscrever aquele acordo?»
General português do século XIV; desempenhou um papel fundamental na crise de 1383-1385, onde Portugal jogou a sua independência contra Castela. É também conhecido por Santo Condestável ou Beato Nuno de Santa Maria. Após a morte da sua mulher, tornou-se carmelita. Morreu a 1 de Novembro 1431, mas o seu túmulo foi destruído no terramoto de 1755. Foi beatificado a 23 de Janeiro de 1918 pelo Papa Bento XV. O seu processo de canonização está aberto desde 1940.
Em 1128: Batalha de São Mamede, em que D. Afonso Henriques se bate contra D.Teresa de Leão e o Conde Galego de Fernão Peres de Trava, que se procurava apoderar do Condado Portucalense.
1828- Reunião dos três estados do reino que aclamam o infante D. Miguel como rei absoluto
«Hoje é o aniversário de um dia que será sempre memorável na história, pela transcendência de seus resultados. Em 23 de Junho de 1789 houve em França aquela sessão real dos Estados Gerais, onde se desenvolveram os princípios da revolução que o virtuoso Luís XVI com ela pretendeu atalhar. Mas que diferença entre os tumultos que começaram naquele dia e o sossego que Vossa Alteza Real vê reinar neste Congresso! Da reunião dos três estados de França em 23 de Junho de 1789 resultou a destruição da monarquia francesa e esta espantosa série de males, de que ainda se ressente a geração actual e se ressentirão talvez por muito tempo as gerações futuras; da reunião dos três estados de Portugal em 23 de Junho de 1828 resultarão providências que hão-de fazer a felicidade da nação e devem ter uma alta influência na tranquilidade da Europa. Mas em França dominava o espírito revolucionário, aqui domina o amor da ordem e brilha a felicidade portuguesa, eis a diferença.»
Discurso de José Acúrcio das Neves na Junta dos Três Estados
Nascido com o nome de Frederick Austerlitz, ficou conhecido como Fred Astaire por todo o mundo, tornando-se famoso pelas suas actuações em inúmeros filmes em que o principal papel consistia em dançar - coisa que fazia de forma extraordinária. Antes de Fred Astaire se estrear no cinema, os dançarinos apareciam nos filmes apenas "em partes": os pés, as cabeças etc. e eram compostos na sala de edição. Astaire, por sua vez, exigia ser filmado de corpo inteiro e ao vivo. Para isso eram necessários longos ensaios, chegando mesmo a demorar três meses para gravar com dez horas diárias de trabalho, com repetições feitas passo a passo e movimentos de câmara acompanhando a coreografia, dando assim uma nova vida e emoção à dança. E depois claro... aquela maneira de vestir maravilhosa ainda hoje me causa inveja.
Outra efeméride é o facto de dia 22 ser o dia festivo de São Tomás Moro, mais conhecido nas história e no mundo por Sir Thomas More.
Foi um escritor e estadista, tendo ocupado vários cargos públicos, tendo ocupado, de 1529 a 1532, o cargo de chanceler do reino, um alto cargo administrativo no reinado de Henrique VIII. A sua obra mais conhecida é a Utopia. Foi canonizado a 9 de Maio de 1935 pelo Papa Pio XI, sendo mais tarde, no ano de 2000, declarado pelo Papa João Paulo II, o padroeiro dos Estadistas e políticos. A sua beatificação e canonização devem-se ao facto de ter desobedecido a Henrique VIII, quando este pretendia casar com Ana de Bolena e separar-se de Catarina de Aragão, contrariando assim as próprias ordens do Papa e da Igreja. Quando em 1534 o Parlamento promulgou o Decreto da Sucessão, que incluía um juramento reconhecendo a legitimidade de qualquer criança nascida do casamento de Henrique VIII com Ana Bolena, todos os funcionários públicos e suspeitos de não apoiarem Henrique VIII, foram chamados a fazê-lo. Mas Thomas More recusou, e por isso acabou preso e condenado à morte, numa das mais injustas sentenças de sempre, afirmando ele próprio que "morria como bom servidor do rei, mas de Deus primeiro." Não se curvando perante o poder do rei que ele sabia que errava naquele momento, pagou com a vida a defesa daquilo que para ele era mais sagrado e mais importante, muito mais do que o poder terreno e temporal do rei. Não abandonou ideais ou crenças por troca de benefícios de qualquer género que fosse, nem pela própria vida.
Foi historiador, poeta e diplomata do Renascimento. É reconhecido como fundador do pensamento e da ciência política moderna, pela simples manobra de escrever sobre o Estado e o governo como realmente são e não como deveriam ser. A sua principal obra é O Príncipe.
1908: Morre Nikolai Rimsky-Korsakov
Foi compositor, militar e professor russo; membro do Grupo dos Cinco, ao lado de Mily Balakirev, Aleksandr Borodin, César Cui e Modest Mussorgsky.
Não sei ao certo os valores que se perdem neste país por conta das mudanças políticas e sociais que sofremos - há quem lhe chame mutações culturais, mas a meu ver estas resultam da politica e dos que lá se "colocaram", se é que me entendem. O Post devia ter sido publicado ou a 10 ou a 14 de Junho. Gostaria de o ter colocado dia 10 de Junho, porque é o dia de Camões e da língua portuguesa, e porque se trata da trata de um referência de amor à pátria. Mas os atribulados dias que me têm ocupado, levaram-me a deixa-lo para hoje.
Falo-vos hoje de Joaquim Belford Corrêa da Silva, mais conhecido Joaquim Paço D'Arcos, o seu nome artístico. É normal desconhece-lo. Ou melhor, normal não é, mas tendo em conta as condições, considera-se normal. Num país como este, promove-se a leitura de uns Manueis Alegres e uns Saramagos (sabe-se lá porquê...) e ignoram-se os homens que por vezes projectaram o nome do país e o honraram através do seu talento. Joaquim Paço D'Arcos foi, como se pode depreender pelas linhas anteriores, um escritor, poeta, ficcionista, ensaísta e dramaturgo português, nascido em Lisboa a 14 de Junho de 1908, e falecido a 10 de Junho de 1979. A sua obra principal constitui a «Crónica da Vida Lisboeta», que se desenvolve ao longo de seis volumes, um ciclo narrativo da vida em Lisboa nos anos 40 e 50, onde escreve e denuncia situações sociais, económicas e políticas da época, centrando-se sobretudo nas classes altas, o que faz reverter para a Comédia Humana, de Balzac, chegou a ser considerado por muitos críticos, quer portugueses, quer brasileiros, fundamental no âmbito da literatura portuguesa. Depois de «Ana Paula» (1938) e «Ansiedade» (1940), segue-se «O Caminho da Culpa», o terceiro livro da série, sendo este geralmente considerado o seu melhor livro, girando a acção em torno de uma jovem da alta burguesia de Lisboa, Maria Eugénia, que, após cometer adultério com Paulo (médico da família), virá a morrer de cancro no momento em que percebe estar grávida do amante. Além de interrogar com argúcia o drama pessoal da protagonista, este romance fornece-nos também um bom retrato da vida mundana lisboeta de meados do século XX. No entanto, foi como ficcionista que atingiu maior notoriedade. Deste género são exemplares as suas obras «Memórias de uma Nota de Banco» ou «O Navio dos Mortos». Após a sua morte foi praticamente esquecido, não se cumprindo as suas palavras no poema «Escrever é vencer a morte»: "escrever é projectar-se além da Vida, É vencer a Morte". Foi um dos escritores mais lidos em Portugal nos anos 40 e 50 e foi dos escritores portugueses do século XX mais traduzidos no estrangeiro. Para além de escritor, foi chefe do gabinete de governo do território de Companhia de Moçambique na Beira (Africa Ocidental), comerciante em São Paulo e foi desde 1936, prolongando o cargo durante décadas, director dos serviços de imprensa do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Foi ainda administrador, por parte do governo português, na Trans-Zambézia Railway Co. Ltd, com sede em Londres. A sua obra apresenta ideais conservadoras, o seu espírito cosmopolita e abertura ao mundo. Estas últimas ganham bastante notoriedade nas suas obras, não só como ficcionista como também como poeta, estando os seus poemas cheios de referências a países estrangeiros, como o exemplo do poema «Não quero perder o Navio em Nova Orleans», ou «Esta é a Terra do Texas Jack», revelando-se o escritor como um homem viajado. Na poesia, o seu livro mais conhecido é de 1952, «Poemas Imperfeitos», e é nele que se encontram os poemas acima citados. Na sua obra reconhece-se também um amor à nação portuguesa, sendo que, a 10 de Junho de 1975, acabaria por escrever um poema que lhe rendeu algumas más interpretações e mesmo ofensas. Sobre este poema, alguém – que eu desconheço por completo - escrevia na Internet que "Não foi conservadorismo nem fascismo que o levou a escrever um poema assim. Foi uma coisa que muitos não compreendem porque não a sentem: amor a Portugal, em vez de desejos de pagar menos impostos. E um sentimento assim transcendente, é um pouco como a Fé: não se explica nem se discute, ou existe no nosso coração -- ou não". Poema esse que passo a citar, pois, como escreveu de novo o ilustre desconhecido "pode não se concordar, mas tem de dizer-se que ele tinha toda a razão em escrever o que escreveu. Toda" e "Quem disser que ele mente, afinal apenas se envergonha do facto de ele falar verdade".
25 de Abril de 1974 Duzentos capitães! Não os das caravelas Não os heróis das descobertas e conquistas, A Cruz de Cristo erguida sobre as velas Como um altar Que os nossos marinheiros levavam pelo mar À terra inteira! (Ó esfera armilar, que fazes hoje tu nessa bandeira?) Ó marujos do sonho e da aventura, Ó soldados da nossa antiga glória, Por vós o Tejo chora, Por vós põe luto a nossa História! Duzentos capitães! Não os de outrora… Duzentos capitães destes de agora (pobres inconscientes) Levando hílares, ufanos e contentes A Pátria à sepultura, Sem sequer se mostrarem compungidos Como é o dever dos soldados vencidos. Soldados que sem serem batidos Abandonaram terras, armas e bandeiras, Populações inteiras Pretos, brancos, mestiços (milagre português da nossa raça) Ao extermínio feroz da populaça. Ó capitães traidores dum grande ideal Que tendo herdado um Portugal Longínquo e ilimitado como o mar Cuja bandeira, a tremular, Assinalava o infinito português Sob a imensidade do céu, Legais a vossos filhos um Portugal pigmeu, Um Portugal em miniatura, Um Portugal de escravos Enterrado num caixão d’apodrecidos cravos! Ó tristes capitães ufanos da derrota, Ó herdeiros anões de Aljubarrota, Para vossa vergonha e maldição Vossos filhos mais tarde ocultarão Os vossos apelidos d’ignomínia… Ó bastardos duma raça de heróis, Para vossa punição Vossos filhos morrerão Espanhóis!
É com certeza por defender ideias conservadoras (ou mesmo) como estas, e certamente também devido aos cargos públicos que exerceu, que a sua obra acabou "apagada" e ignorada da história portuguesa. Temos sorte em ter um nome como o dela na nossa história, mas mais uma vez, fizemos com ele aquilo que, no nosso país sucede de generalizada a vários homens de valor: esquecem-se e não se lhes são prestadas as devidas homenagens. É contra esse espírito que aqui relembro a obra deste grande escritor português que, num país como o nosso, sai prejudicado devido ao "regime".
Nem rei nem lei, nem paz nem guerra, Define com perfil e ser Este fulgor baço da terra Que é Portugal a entristecer - Brilho sem luz e sem arder, Como o que o fogo-fátuo encerra.
Ninguém sabe que coisa quere. Ninguém conhece que alma tem, Nem o que é mal nem o que é bem. (Que ânsia distante perto chora?) Tudo é incerto e derradeiro. Tudo é disperso, nada é inteiro. Ó Portugal, hoje és nevoeiro...
É a Hora!
retirado da única obra de Fernando Pessoa editado em sua vida, A Mensagem. (Relacionando com dia 10 de Junho)
Não será difícil de perceber, para quem tem tempo para ver televisão, que nos últimos tempos, têm passado de novo os filmes portugueses em que participou Vasco Santana. A razão é simples: Vasco Santana, o actor português morreu, faz hoje, dia 13 de Junho, precisamente 49 anos.
Vasco Santana foi um dos mais notáveis e mais adorados actores cómicos portugueses. Possuidor de uma singular popularidade. É principalmente conhecido pela sua participação no cinema português, tornando-se célebre através de filmes como "A Canção de Lisboa" (1933), ao lado de Beatriz Costa e António Silva, com quem voltaria a trabalhar em "O Pátio das Cantigas", de 1942, e onde protagoniza alguns dos melhores momentos, não só seus, como do cinema português, como o monólogo com o candeeiro ou nos diálogos com António Silva, repletos de trocadilhos que ficariam para a posteridade, tão célebres como o "Ó Evaristo, tens cá disto?" ou como o próprio fado do estudante. No filme "O Pai Tirano"(1941), contracenando com "Ribeirinho", conseguiu de novo uma brilhante interpretação, dominando toda a acção e criando situações de um humor extremo. Além do cinema, Vasco Santana dedicou-se também à rádio, para o qual criou personagens de grande sucesso, como o "Zequinha" da série "O Zequinha e a Lelé" (1947/1948), e ao teatro, onde actuou até ao final da sua vida.
Hoje, em Lisboa, festejou-se o dia daquele a quem o Papa Gregório IX chamou "Arca do Testamento", e que ao longo dos anos, foi reconhecido como "Martelo dos hereges, defensor da fé, Doutor da Igreja, arca dos dois Testamentos, oficina de milagres, maravilha da Itália, honra das Espanhas, glória de Portugal, querubim eminentíssimo da religião seráfica, etc.".
Quando o Papa Gregório IX, no dia 30 de Maio de 1232, em Espoleto, procedeu à canonização de Santo António, os sinos tocaram à mesma hora em Lisboa, sendo isso considerado como um sinal sobrenatural. O povo tomou para si este Santo, que se tornou, no século XVI, o Santo Nacional dos Portugueses. Por essa mesma razão, centenas de pessoas saíram hoje à rua em Lisboa, para prestar homenagem àquele que foi proclamado padroeiro de Portugal, a par de Nossa Senhora da Conceição (em 1934 pelo Papa Pio XI).
Ainda devido ao (meu) atribulado dia 7 de Junho, esqueci-me que nesta mesma data, à 513 anos, foi assinado na província de Valladolid o Tratado de Tordesilhas; um dos pontos mais altos da história de Portugal, em que o nosso país, divide com Espanha o Novo mundo, evitando assim um conflito armado que se adivinhava, resultante das descobertas de Cristóvão Colombo, e para isso implicando o tratado um acto de submissão recíproca. O tratado estabeleceu uma divisão entre somente os dois estados signatários, tendo como linha divisória o meridiano localizado a 370 léguas (1770 km) ao oeste das ilhas de Cabo Verde - meridiano que se situaria hoje a 46° 37' oeste. Todas as outras potências marítimas europeias foram excluídas do Tratado, não tendo qualquer direito sobre as novas terras. Poderiam somente recorrer à pirataria e ao contrabando para explorar as riquezas do Novo Mundo. Porque tanta submissão e obediência por parte de todo o mundo? Não é difícil de explicar este facto se tivermos em conta que o Papa era considerado a autoridade mais alta e mais oficial existente na Europa e que, em 1506, o Papa Júlio II emite a bula Praecelsae Devotions que aprovava o tratado e concede aos portugueses o direito sobre todas as terras encontradas ao este. Anos antes, em 1481 o Papa Xisto IV, através da Bula pontifical Aeterni Regis Clementia garantia o domínio português sobre as Açores e Cabo Verde que em troca havia concedido à Espanha o arquipélago das Canárias que Colombo havia invadido. A 3 de Maio de 1493, o Papa Alexandre VI – de origem espanhola, descendente da família Bórgia – decretou pela bula Eximia Devotions que as novas terras descobertas situadas a oeste do meridiano a 100 léguas das ilhas de Cabo Verde pertenceriam à Espanha, e as terras a leste deste meridiano pertenceriam a Portugal, desde que não estivessem sob domínio de outro príncipe cristão. No entanto, a bula não agradou ao rei D. João II, que abriu rapidamente abriu negociações com os reis espanhóis Fernando II de Aragão e Isabel I de Castela para mover a linha mais para oeste, limitando assim as pretensões espanholas na Ásia. O tratado contrariava a bula do Papa Alexandre VI. A situação mudou com o surgimento do Protestantismo. Com este, a autoridade Papal foi posta em questão. Um bom exemplo desta situação é a frase de Francisco I de França, que, a propósito do tratado, pediu para ver a cláusula no testamento de Adão que excluía a França da divisão de terras. O Tratado de Tordesilhas assegurou uma vasta parcela do Atlântico como zona exclusiva da Coroa e confirmou também a posição de Portugal na sua rota para a Índia. É com o tratado que é estabelecida a figura jurídica que se conhece por mare clausum, ficando consagrado o direito de as duas grandes potências da época condicionar o direito à navegação por parte de terceiros. No entanto, o mundo não terá sido dividido em duas partes, como geralmente é afirmado, pois Portugal sai claramente vencedor. O Tratado de Tordesilhas, prodígio da política externa de D. João II, atribui a Portugal um poder que nunca fora atingido antes por qualquer potência. Tordesilhas é o claro exemplo da enorme visão de D. João II.
Ficou por postar algo sobre a data que se celebrou ontem, dia 7 de Junho. Em Lisboa, como por todo o país, realizou-se pelas cidades, vilas e aldeias a habitual procissão em honra da Solenidade Litúrgica do Corpo e Sangue de Cristo, conhecida popularmente como "Corpo de Deus". É uma data que faz parte da história de Portugal. Aqui, a data festeja-se desde o reinado de D. Afonso III, portanto desde o século XIII, apesar de ao longo dos anos, o ritual comemorativo tenha sofrido, várias alterações. A solenidade conhecida pelo nome de Corpus Christi ou do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, só ganha lugar de relevo na Liturgia em 1246, quando o bispo de Liège instituiu a festa, na sua diocese. Esta primeira “festa oficial” do Corpus Christi surge em consequência das revelações recebidas pela Beata Juliana de Retinne. Pela bula Transiturus (1264), o Papa Urbano IV estendeu a festa a toda a Igreja, como solenidade de adoração da Sagrada Eucaristia. Esta exultação popular à Eucaristia é manifestada no 60° dia após a Páscoa e forçosamente uma Quinta-feira, fazendo assim a união íntima com a Última Ceia de Quinta-feira Santa. Em 1311 e em 1317 foi novamente recomendada pelo Concílio de Vienne e pelo Papa João XXII, respectivamente. Nos primeiros séculos, a Eucaristia era adorada publicamente, mas só durante o tempo da missa e da comunhão. A conservação da hóstia consagrada fora prevista, originalmente, para levar a comunhão aos doentes e ausentes. É neste mesmo ano pela e mesma mão que o rito da procissão é introduzido e instituído. Hoje, a procissão do Santíssimo Sacramento é recomendada pelo Código de Direito Canónico, no qual se refere que "onde, a juízo do Bispo diocesano, for possível, para testemunhar publicamente a veneração para com a santíssima Eucaristia faça-se uma procissão pelas vias públicas, sobretudo na solenidade do Corpo e Sangue de Cristo" (cân 944, §1). A "comemoração mais célebre e solene do Sacramento memorial da Missa", como dizia o Papa Urbano IV, recebeu várias denominações ao longo dos séculos: festa do Santíssimo Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo; festa da Eucaristia; festa do Corpo de Cristo. Hoje denomina-se solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, e com a sua comemoração, retirou-se do calendário das festas litúrgicas, a festa do "Preciosíssimo Sangue", que se comemorava a 1 de Julho.
Em Portugal a festividade tornou-se característica e marca cultural. Destaca-se claro a igreja dos Mártires, em Lisboa, que manteve, no decurso dos séculos (e apesar das inovações havidas), o rito da festa com exposição do Santíssimo, Procissão, Vésperas solenes e Sermão. Desde cedo que, no nosso país, as Câmaras Municipais e as Corporações de Artes e Ofícios acolheram a devota iniciativa, pelo que, a Procissão veio a tornar-se a mais vistosa e interessante de todas, merecendo o título de “Procissão das Procissões”. Constituída por cortejo cívico e corporativo, com carros alegóricos, figuras pitorescas, danças, momices e cenas de autos sacramentais, a procissão demorava horas a caminhar, vindo a constituir tanto um evento religioso como um evento social. A festa atingiu a maior grandiosidade no tempo de D. João V. A Procissão incorporava, desde logo, as associações socioprofissionais e também as delegações das diversas Ordens Religiosas de Lisboa (Agostinhos, Beneditinos, Dominicanos, Franciscanos, Ordem de Cristo...) e militares. No cortejo, avultava a figura de S. Jorge a cavalo e a Serpe, ou dragão infernal (do tipo chinês, locomovido por figurantes), contra o qual S. Jorge lutava. D. João V chegou a encarregar Vieira Lusitano (pintor português), mal este regressou a Portugal após 7 anos de ausência, de fazer um grande quadro do Santíssimo Sacramento para servir na procissão do Corpo de Deus. No final do cortejo, vinha o palio, a cujas varas pegavam os mais altos dignitários da Corte e da Câmara. Sob o palio, deslocava-se o Bispo de Lisboa, ostentando a custódia com o Santíssimo Sacramento. Era sempre ladeado pelo Rei ou Chefe de Estado. Outro dado curioso a salientar, e que ainda mais une a celebração religiosa à nossa história, é o das várias tentativas de realização de atentados contra as figuras régias durante a procissão do Corpo de Deus. Um deles contra a pessoa de D. João IV. Sobrevivendo o monarca ao acto, a sua esposa, D. Luísa de Gusmão, promoveu a construção do Convento dos Carmelitas, na Baixa Lisboeta. Edificado no exacto lugar do falhado crime, foi chamado “Convento do Corpus Christi”. Outro atentado famoso deu-se contra D. Manuel II, perto da Igreja da Vitória, quando a procissão passava na rua do Ouro. Mais tarde, com a primeira republica, vieram também as perseguições religiosas - durante a primeira semana de governo republicano, fazem com que nas prisões de Lisboa estejam encarcerados 128 padres e 233 freiras, tendo sido assassinados dois padres lazaristas – e um exemplo delas é a legislação de 1910, que proibia os dias santos da Igreja (excepto o Natal e o dia 1 de Janeiro), e interrompeu o culto público, embora, nas igrejas, continuassem a ser celebradas missas solenes; e solenes pontificiais nas Sés.
No Teatro São Carlos encontra-se até ao dia 8 de Junho a ópera Macbeth de Verdi, composta em 1846-47 segundo a tragédia homónima de William Shakespeare.
Video: Cena XVI, XVII, XVIII e XIX (finais) do I Acto.
SCENA XVI Macduff e Banco
MACDUFF Di destarlo per tempo il Re m'impose: E di già tarda è l'ora. Qui m'attendete, o Banco.
(Entra nella stanza del Re.)
SCENA XVII Banco solo.
BANCO Oh, qual orrenda notte! Per l'aer cieco lamentose voci, Voci s'udian di morte. Gemea cupo l'augel de' tristi auguri, E della terra si sentì il tremore...
SCENA XVIII Macduff e Banco.
MACDUFF (agitatissimo) Orrore! orrore! orrore!
BANCO Che avvenne mai?
MACDUFF (affannoso) Là dentro Contemplate voi stesso... io dir nol posso! (Banco entra precipitoso nella stanza del Re) Correte!... olà!... Tutti accorrete! tutti! Oh delitto! oh delitto! oh tradimento!
SCENA XIX Scene Macbeth, Lady Macbeth, Malcolm, Macduff, Banco, Dama di Lady, Servi.
LADY Qual subito scompiglio!
BANCO (Esce spaventato) Oh noi perduti!
TUTTI Che fu? parlate! che seguì di strano?
BANCO (con orrore) E' morto assassinato il Re Duncano
(Stupore universale.)
TUTTI Schiudi, inferno, la bocca ed inghiotti Nel tuo grembo l'intero creato; Sull'ignoto assassino esecrato Le tue fiamme discendano, o Ciel. O gran Dio, che ne' cuori penetri, Tu ne assisti, in te solo fidiamo; Da te lume, consiglio cerchiamo A squarciar delle tenebre il vel! L'ira tua formidabile e pronta Colga l'empio, o fatal punitor; E vi stampi sul volto l'impronta Che stampasti sul primo uccisor.