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Friday, May 04, 2007

Ulrich Beck: O Futuro da Europa



O sociólogo alemão diz que o aparecimento de líderes populistas de extrema-direita, como o austríaco Haider, é uma das variantes do futuro, na Europa.

Ulrich Beck acha que o sex appeal da ideologia liberal está a diminuir e adverte sobre os reflexos nacionalistas e étnicos libertados pela globalização. O «pensador da modernidade» toma posição sobre o conceito de Leitkultur (cultura dominante) alemã, a possibilidade de proibir os ultradireitistas do Partido Nacional Democrático - NPD - e a imigração. Defende o compromisso de cidadania, na sociedade civil, e é um assessor muito procurado, que não se deixa manipular nas operações de relações públicas dos políticos. Aos 56 anos, tem essa combinação de erudição, capacidade de entusiasmo e gosto pela vida, que faz de alguns alemães personagens atraentes. Recebe-nos, num dia feriado, no seu gabinete do Instituto de Sociologia. Vestido com roupa desportiva, o professor trabalha num edifício deserto. Ao chegarmos cedo demais, encontramo-lo a procurar algo para comer, numa gaveta. O resultado da busca é um prato de amendoins que desaparecem durante a conversa.

VISÃO: No recente livro de entrevistas, Freiheit oder Kapitelismus (Liberdade ou Capitalismo), diz que os partidários da globalização estão na defensiva. Em que nota isso?
ULRICH BECK: A globalização é um termo nebuloso, um conceito complicado, em que cada um empacota aquilo que considera especialmente negativo e pretende refutar. Por trás do conceito de globalização, é costume ver uma ideologia neoliberal do domínio do mercado mundial, uma lógica capitalista que tende a reduzir a política e a democracia, e a organizar todos os domínios segundo o modelo económico. É muito importante distinguir entre «globalismo» e «globalização». (Globalismo é uma ideologia, é a ditadura neoliberal do mercado mundial. Globalização é uma palavra inventada para designar o processo de superação dos contextos nacionais que afecta os fenómenos políticos, sociais, culturais e económicos). A ideologia do globalismo ocupa uma posição central, mas muitas coisas na nossa sociedade não se limitam ao contexto do Estado nacional. Temos experiências e biografias que já não respondem ao padrão da identidade nacional. A reacção a tudo isto pode ser o «antigloba-lismo». Embora a ideologia neoliberal tenha dominado nos anos oitenta e noventa, e também hoje em muitos domínios, há sintomas de que o seu sex appeal ideológico, a sua força de convicção, está a diminuir.

V.: Em que se baseia para dizer isso?
U.B.: Onde quer que se reúna o Banco Mundial ou o Fundo Monetário Internacional, espera-se que os antiglobalizadores se organizem, coisa que fazem com grande eficácia. Os antiglobalizadores conquistaram a tribuna da opinião mundial do mesmo modo que os globalizadores. Quando analiso a simpatia com que este fenómeno é tratado na Alemanha, inclusive pêlos diários conservadores, posso reconhecer, como sociólogo, que a falta de legitimação do neoliberalismo aumenta de forma clara. Aqueles que representam esta ideologia no Banco Mundial ou noutras instituições repetem argumentos que não convencem ninguém nem atingem o público. As instituições que impulsionam a globalização argumentam a partir de um vazio de legitimidade, já que não têm nenhuma autoridade democrática e não sabem responder quando se lhes pergunta em nome de quem falam. Um terceiro aspecto tem a ver com o ponto central do meu diagnóstico. Vivemos numa sociedade de risco mundial. Nos domínios da tecnologia, do meio ambiente e também dos mercados financeiros há muitas circunstâncias imprevisíveis, embora os especialistas julguem poder controlá-las e calculá-las.

V.: É o que descreve em Chernobil Económico? Refiro-me ao seu conceito de um risco qualitativamente novo, que ocorre na segunda modernização e que, pelas suas consequências temporais, espaciais e sociais ilimitadas, ultrapassa o conceito de risco controlável próprio da primeira modernização.
U.B.: Temos visto esse fenómeno nos mercados financeiros, na crise da Ásia e da América do Sul e, em parte, na Rússia. A rapidez com que as correntes de capital fluem de um lado para o outro e abandonam uns países para investirem noutros, implica um risco considerável e tem um efeito político crescente. Por isso se coloca a necessidade de uma globalização responsável, que permita aproveitar as oportunidades e recriar a política para que conserve a sua capacidade de acção face à economia.

V.: Quem são os sujeitos políticos dessa tentativa de moldar a globalização?
UB.: São grupos, em partidos políticos ou em países concretos, são novos movimentos sociais, são também governos e chefes de governo que têm um interesse crescente em não andar segundo a batuta dos actores económicos. Em torno da globalização, produziu-se um conflito entre o transnacional e o nacional. Até agora, temos pensado nos conflitos de classe, no contexto de Estados nacionais, mas agora acontece algo diferente. Por um lado, temos uma certa classe transnacional, elites que impulsionam a globalização. São directores dos grandes conglomerados, são determinados agentes, nos partidos, nos governos e nos ministérios, cuja política responde a um programa de globalização e se dirige à abertura dos Estados nacionais e à liberalização. E são também as organizações não governamentais, que querem realizar uma abertura política transnacional. Contra a globalização temos um grupo heterogéneo, constituído pêlos que se consideram perdedores, incluindo uma parte da elite. Do ponto de vista económico, representam sectores que operavam em mercados nacionais. Na política, os que acreditam que o nacional perde o seu poder devido às redes transnacionais. E também a esquerda, convencida de que a globalização mina o projecto da democracia. E estão os que advogam a recuperação do carácter nacional e até étnico da política.

V.: Falou do «autoritarismo democrático» como forma de reconciliar princípios que se excluíam mutuamente e referiu-se a Tony Blair, como modelo para os ganhadores da globalização, e ao austríaco Jòrg Haider, como modelo dos perdedores. Como funciona esta divisão do trabalho?
U.B.: Na Europa, são os elementos reaccionários, e não os novos projectos, que têm mais oportunidades. O «modelo Haider» aposta na renacionalização e no regresso do factor étnico, mas também se adapta à globalização, ao estar aberto às novas possibilidades técnicas de controlo interno que esta lhe confere. O isolamento da Áustria foi um conflito instrutivo. Não se pode esquecer que o impulso para isolar a Áustria veio da Alemanha e da França, mas não do Reino Unido. A União Europeia quis distanciar-se claramente, o que é muito importante, se tivermos em conta as tendências na Europa de Leste. Por outro lado, os Estados da União Europeia imiscuíram-se na política interna da Áustria e vimos um exemplo fracassado de política europeia transnacional.

V.: Acha que podem aparecer novos Haider na Europa?
U.B.: Creio que sim. Creio que se trata de uma das variantes do futuro na Europa. Se compararmos Haider com o fascismo alemão, vemos que o nacional-socialismo foi uma resposta relativamente sistemática aos desafios da perda de identidade combinada com impulsos modernizadores baseados em premissas fascistas. Haider carece de semelhante concepção sistemática. O que faz é tentar adoptar elementos do globalismo, como, por exemplo, a necessidade de uma reforma do Estado social, e combiná-los com a redefinição da identidade e a revalorização do factor étnico. O debate interno alemão sobre o Cartão Verde - o programa de imigração de especialistas informáticos - mostra as limitações do modelo de Haider.

V,: Porquê?
U.B.: O Cartão Verde põe à prova a tese de Schrõder, segundo a qual a economia que se globaliza tem um programa de acção política e não está interessada apenas na exploração, mas também num desenvolvimento democrático. Schrõder é muito optimista nesta matéria e eu discuti vivamente com ele. No debate sobre a Leitkultur, que decorre agora na Alemanha, surgiu uma coligação entre o Governo vermelho-verde actual e o empresariado. Com os seus interesses cosmopolitas e abertos, o empresariado apoia a abertura do Governo e isso contribuiu para afastar os partidos conservadores. Mas resta ver se se impõe a ideia de facilitar a imigração ao «estrangeiro rentável» ou um conceito cosmopolita, que prevê o reconhecimento do outro como «outro» e também como enriquecimento, e não apenas como um produto da necessidade.

V.: Que entende por Leitkulturl
U.B.: Na Alemanha, existiu uma certa compreensão cultural da nação. O Estado cultural estava em oposição à identidade política e esta característica foi decisiva na catástrofe que a Alemanha causou no último século. A tentativa de utilizar a cultura alemã como uma premissa selectiva para a integração da diversidade está muito arreigada na tradição alemã e não é uma fórmula casual. A definição dos alemães como sociedade civil começou, possivelmente, a ter efeito, pela primeira vez, com o fim da RDA, mas até agora não se transformou numa componente da autodefinição dos alemães num sentido radical, como em França ou no Reino Unido. As contribuições que os alemães deram para a cultura estiveram abertas ao mundo. No século XVII e XVIII, teve lugar uma animada discussão sobre o cosmopolitismo. O conceito de Leitkultur procura negar a relação entre nacionalidade e abertura ao mundo.

V.: Vê perigos nacionalistas noutros países europeus?
U.B.: Há tensões em todos os países europeus. A globalização liberta o reflexo nacionalista. Mas o essencial é até onde estão dispostas a opor-se as elites políticas para faxer com que os processos de abertura beneficiem um número crescente de pessoas.

V.: Que acha da campanha organizada pelo Governo alemão contra a ultradireita, a xenofobia e o racismo?
U.B.: Nos anos noventa, segui, com crescente mágoa, as actividades da ultradireita na Alemanha. A ultradireita não só expressou xenofobia e exerceu a violência, como pretendeu ser portadora de «valores progressistas», como atacar pessoas até as matar, e isso foi aceite pelas elites políticas. Esta situação rompeu-se no Verão passado. Creio que a proibição do NPD seria uma decisão importante, que daria à sociedade o sinal de que existe um limite para a direita. Os ultradirei-tistas não têm a impressão de atentar contra as normas. Sentem-se protagonistas da emancipação. Antes negavam a existência do Holocausto e agora dizem que não bastou matar 6 milhões.

V.: Fala de uma primeira e de uma segunda modernidade. Como se manifesta a segunda modernidade na Europa?
U.B.: A segunda modernidade é a modernidade reflexiva, que se vive a si mesma como problema. Os sociólogos não dispõem dos conceitos adequados para descrever as novas realidades, como, por exemplo, a família. No aspecto normativo, pode dizer-se que a Europa, que foi a descobridora do moderno, verificou que a sua descoberta é um produto deficiente. Devemos actuar como um empresário que constata o fracasso do produto que fabricou e tem que o rever a fundo, não só num discurso europeu, mas também num discurso global transnacional, que inclua os países pós-coloniais, porque estes têm diferentes experiências com a modernidade que nos podem servir.

V.: Está decepcionado com a política da Terceira Via?
U.B.: De início estava muito decepcionado, sobretudo porque tinha a impressão de que era praticada por amadores que, em minha opinião, não tinham compreendido as regras básicas da política. Praticar uma política moderna significa explicar sempre as medidas que se adoptam e conseguir o apoio de uma maioria. A tentativa da velha social-democracia de restabelecer o pleno emprego de acordo com um velho modelo é que me parece ingénua. Em minha opinião, fracassará, porque temos que distinguir entre o pleno emprego, tal como foi concebido até agora, e este pleno emprego frágil que abarca um sector cada vez mais amplo da população. É preciso aceitar os contratos de trabalho flexível, de jornada reduzida, e os trabalhos informais, e isto implica unia estrutura laborai completamente diferente. Os políticos não entenderam de todo o problema da abertura transnacional. Não sei se os sociais-democratas estarão na disposição de solucionar este problema-chave, que não gostaria de ver nas mãos dos conservadores.

V.: O trabalho continua a ser um dos direitos humanos?
U.B.: Sim, e também a construção da sociedade civil. Considero problemática a ideia de que a identidade se constrói em função do trabalho. Temos identidades mais complexas, somos pais ou mães, cidadãos activos. A sociedade moderna deve reconhecer a pluralidade de facetas e organizar a mobilidade de modo a que nos possamos concentrar temporalmente noutros aspectos, seja a família ou o compromisso social, sem passar dificuldades económicas por isso. O trabalho, como actividade laborai regulada, deve desempenhar um papel mais limitado na vida e deve ser repartido de outra forma. Para isso, advogo o trabalho cívico como modelo.
El País/VISÃO

in Revista Visão, 7 de Dexembro de 2000

Thursday, April 26, 2007

Lições



«Ao fim e ao cabo o que sucedeu é que, derrubado o poder autoritário, que defendia ou tinha defendido autoritariamente valores como os da triologia "Deus, Pátria, Família", foi entendido não só que, numa primeira fase, o democrata politicamente correcto tinha que ser contra Deus, contra a Pátria e contra a Família,(...)Numa segunda fase, a esquerda baniu, com sucesso, a ideia de valores objectivos em termos de ética e de costumes (se o Estado é laico e o Papa não tem poder temporal, porque é que se incomodam tanto com o facto de os católicos lhe obedecerem...)»
in Perfácio da terceira edição da obra Portugal - Os anos do Fim de Jaime Nogueira Pinto


É um período do tempo que reúne muitas datas no seu espaço.
Dia 23 de Abril comemoram-se os anos de Frederico Ozanam.
Dia 25 de Abril faz anos a revolução dos cravos (lamento, mas é impossível chamar-lhe da liberdade. Aquele dia só serviu mesmo para promover o cravo na historia de Portugal)
Dia 28 de Abril festeja-se o nascimento de António de Oliveira Salazar.

Não deixa de ser curioso como estes três acontecimentos se podem, e se relacionam.
A 25 de Abril de 1974 dá-se a revolução dos cravos. As manifestações de liberdade e justiça sucedem-se e não passam disso mesmo: meras manifestações de intenções.
O que aconteceu no espaço temporal seguinte foi revolta, crime e roubo. Uma palavrinha para quem diz que foi uma revolução sem sangue: é mentira.
Os governos a seguir não fizeram crescer o país como prometiam e o país caiu de novo no fosso. As promessas de liberdade e democracia morreram.
O antigo lema de Salazar "Deus, Pátria e Família", como ódio dos que o quiseram apagar, foi alterado para "Anti-Deus, Anti-Pátria e Anti-Família". Com isso ruiu a nação e a sociedade portuguesa.
Hoje não há liberdade – no verdadeiro sentido da palavra - nem de ser de direita, nem de sequer de ser religioso.
Ainda há pouco, com a problemática do aborto, o país votou sim, e o primeiro-ministro regozijou e gritou: "está provado que a igreja não manda".
Assim se destroem os pilares da Nação.
Que tem isto a ver com Frederico Ozanam?
Também ele viveu em tempos duros de anti-religiosidade. Dizia que era necessário "honrar o Catolicismo em tempos de paz e defendê-lo em tempos de guerra". Ainda esta missão é necessária, e nos dias de hoje cada vez mais urgente. Cabe-nos a nós seguir-lhe o exemplo.

Thursday, April 12, 2007

A Esquerda e o Ensino



Falemos então de esquerda. Essa tal e assim denominada, que teima em criar extremos, só adquiriu poder em Portugal depois da revolução de 25 de Abril 1974, mantendo-o intacto, salvo raras excepções, até hoje.
Ora essa esquerda, considerada composta por gente com grande sentido de humor e bastante intelectual, conseguiu criar no nosso país uma certa deseducação.
O que significa isto?
Não é raro nos dias de hoje ouvir que o sistema educativo do Estado Novo era mau. A esquerda “do costume” teima em dize-lo. Mas é curioso verificar que cada vez mais o ensino que eles próprios consideram bom e que tanto teimam em impingir ao país, é por si só, uma nódoa nacional.
Hoje o ensino é um desastre. Sabe-lo e vemo-lo todos os dias. As biqueiradas na gramática, as calinadas linguísticas, a ignorância da história, etc.
Há até uma piada de uns “esquerdas” (?) que dizia que “quanto mais tempo se anda no ensino secundário em Portugal, menos se aprende”.
Curioso é ainda de notar que as mentes brilhantes que tantas teorias inventam sobre o ensino actual e, criticam o ensino do governo de Salazar, são na sua maioria formados pelo próprio Estado Novo, o que nos deixa a pensar, que ou o ensino era mesmo fraco e por isso mesmo, os ouvimos dizer aquelas barbaridades todas, ou então é uma mera teimosice ou mesmo o habitual facciosismo que os leva a dizer certas coisas.
A esquerda sempre se deu mal com o ensino e isso nota-se em situações tão simples como as que vivemos agora. Salazar foi eleito o maior português de sempre, o que significa que não foi completamente denegrido nem banido da história como queriam, nem o 25 de Abril foi a “criação de um país livre”, como tentam fazer crer na escola.
Cada vez mais os jovens são formados de pior maneira. Cada vez se ensina menos. Nos dias de hoje é até bem possível que haja tantos analfabetos como os que (dizem) que havia no tempo do “ignorante” Salazar, mas esses estão escondidos atrás de diplomas de conclusão do ensino secundário ou mesmo de curso superior, muitos destes conseguidos sabe-se lá como.
Os meus pais, os meus avós, todos os “crânios” e intelectuais da nossa sociedade foram, na maioria dos casos, criados por essa instituição chamada Estado Novo, e sabem bem mais que a actualidade. Sabem a histórias de Portugal – desde os reis, às conquistas ou às obras, etc. – a história do mundo, a língua do seu país, etc. Hoje até os professores são vítimas de violência por parte dos alunos, que é algo, a meu ver, muito estranho, mas normal de se perceber, tendo em conta a actualidade. A revolução de Abril fez cair a estrutura do país e com ela fez o país cair. A família, pedra basilar da sociedade e da educação é hoje esquecida e abandonada. Criou-se o lema de “aprender é na escola”, e por isso é normal que haja de tudo, menos o completo respeito que os professores também têm direito a ter. É no que dão as liberdades…
Não tenho dúvidas de que o ensino que frequento é bastante fraco, e as melhorias que tem são poucas para que as possamos contemplar como salvação de algo que se encontra, neste momento, perdido...
Dizerem que Salazar perdeu num concurso televisivo porque ficou acima de figuras como D. João II ou o Infante D. Henrique é uma banalidade, pois não foi por ele não ter conseguido passar “a mensagem” dos grandes heróis da Nação, mas sim pela miséria de ensino que temos, que não sabe ensinar sequer quem foram os fundadores do reino. E querem um exemplo simples: no programa televisivo do GP, há uma mente brilhante que diz: “ D. Afonso Henriques é o maior Português de sempre porque conquistou um país com pouco mais do que paus!”.
Ora meus amigos, isto não é com toda a certeza, um ensino de qualidade.
Conclusão: A esquerda educa mal, e isso juntamente com a cultura de facilitismos que afecta e muito a cultura ocidental, deu numa educação que só deseduca.

Saturday, February 03, 2007

Teoria da Não Evolução II

Ui....



Liberdade -do Lat. libertate; s. f.; faculdade de uma pessoa poder dispor de si, fazendo ou deixando de fazer por seu livre arbítrio qualquer coisa; gozo dos direitos do homem livre; independência; autonomia; permissão; ousadia; (no pl. ) regalias; (no pl. ) privilégios;(no pl. ) imunidades.
- de consciência: direito de emitir opiniões religiosas e políticas que se julguem verdadeiras;

- de imprensa: direito concedido à publicação de algo sem necessidade de qualquer autorização ou censura prévia, mas sujeito à lei, em caso de abuso;

- individual: garantia que qualquer cidadão possui de não ser impedido de exercer e usufruir dos seus direitos, excepto em casos previstos por lei.

Olhando de forma clara a definição de Liberdade é justo, penso eu, fazer uma comparação com a sua utilização.

Estando nas vésperas de um referendo sobre o aborto onde se diz votar-se a despenalização do aborto, e onde de seguida os mesmos defensores desta ideia afirmam que procuram alcançar a liberdade da mulher, acho importante definir a palavra liberdade. Ora, em primeiro lugar, se vamos despenalizar, iríamos apenas fazer com que se deixa de haver uma pena (e neste caso a tão falada prisão). No entanto, se falamos da liberdade da mulher, há para além deste aspecto, outros a ter em causa. Eu bem sei que o que dizem na campanha defensora do "Sim", o seguinte argumento, explicado por muitas e variadas formas: " a mulher tem o direito de fazer por seu livre arbítrio o que quer". Ora isto não é totalmente mentira, mas temos que ter em conta a parte anterior da definição:"faculdade de uma pessoa poder dispor de si". Ora se é dispor de si, não está a dispor do que é dos outros, por isso ela não pode decidir sobre a vida que transporta na barriga.

Outro aspecto curioso de se referir é o seguinte: Vivemos num país que se diz livre. Onde cada um, após ter derrotado uma "horrorosa ditadura", pode usufruir da sua liberdade. No entanto essa liberdade pende para um certo "lado" (não foi o próprio Mário Soares que disse que os havia), e num país que se diz livre, é estranho haver opiniões que não possam ser ditas e que ainda sejam tão discriminadas.

Um exemplo claro é o programa Prós e Contras onde ainda hoje há quem queira retirar Salazar da lista. Ou então, no mesmo programa o facto da apresentadora ser contra todos os argumentos que defendem o homem já citado.
Esperemos pelo fim para ver o acontece.

Acho é curioso vivermos num país tão moderno e que proclama altos valores de liberdade, e no entanto, ainda censura coisas tão banais. É triste um homem não poder manifestar a sua opinião num país "tão democrático".

Evoluimos? Não, não me parece.

Wednesday, January 24, 2007

Teoria da Não Evolução I



Na obra de Platão O Górgias, o autor utiliza a personagem de Sócrates para afirmar:"quem deve governar a cidade sãos os filósofos".

Platão viveu no século V e IV a.C. mais propriamente na cidade de Atenas. Nessa época, os homens que governavam a cidade eram quase todos corruptos e procuravam o poder apenas para poderem satisfazer os seus interesses pessoais. No entanto, e na discussão que nos é dada a conhecer na obra acima referida, Sócrates prova que apenas o filósofo pode governar a sociedade pois só ele procura que o "homem se torne melhor". Baseando-se na razão e no saber (e não na manipulação da opinião que era traduzida pelos retóricos e pelos políticos), a governação e todo o poder do estado deve conduzir à justiça, pois essa é a única forma de alcançar o Bem de toda a sociedade e garantir a felicidade dos cidadão.
Ao Estado cabe então um papel Educativo, onde o estadista, nunca demagogo ou tirano, deve ser filósofo, pois só ele "possui o saber e o pode transmitir com eficácia".

HOJE
Ou muito me engano ou ainda hoje a cidade continua a ser governada não por filósofos, mas por políticos que nada de filosofico têm*?
O Estado não exerce qualquer poder educativo, antes aposta numa liberdade exagerada, não controlada e que apenas promove uma cultura que em vez da razão tem em vista o prazer.
Evoluímos? Não, acho que não.
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*o facto do nosso primeiro-ministro ter o mesmo nome que o filósofo acima referido, não encontro em ambos mais nenhuma semelhança. Mesmo esta que acabei de referir não se deve ter em conta nesta discussão.