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Tuesday, May 26, 2009

Tuesday, May 19, 2009

O que tu não és é Católico!



É um católico mesmo praticante? Vai à missa?
Sim, mas sou um progressista, não me revejo na moral de costumes da Igreja Católica, na não ordenação das mulheres, no não casamento dos padres.

Defende o casamento dos padres?
Em primeiro lugar defendo a ordenação das mulheres. Não compreendo que hoje, 2009, a Igreja tenha esta restrição. Olhe, o São Paulo, que tem aura de ser um autor sexista, em grande parte das igrejas que fundou as chefes eram mulheres. O que revela bem que o estatuto da mulher não era assim tão subalterno quanto pode parecer da leitura de alguns textos.

Na Igreja é.
Na igreja institucional, sim. Mas com Jesus Cristo não. Tudo o que se conhece até aponta para um certo escândalo por ele ter mulheres apóstolas. E São Paulo também, curiosamente.

Concordou com a despenalização do aborto?
Eu estou de acordo com a posição da Igreja quanto ao aborto e à eutanásia. No resto não. Nos anticonceptivos sou um radical activista contra as posições da Igreja. Na moral sexual em geral sou contra: casamento, divórcio, a questão dos homossexuais.

Defende o casamento gay?
Não é uma coisa que eu defenda hoje. Defendo uma instituição à parte.

A solução inglesa?
Um instituto análogo ao casamento. Para a sociedade portuguesa seria a melhor solução agora. Não porque eu não reconheça o direito? Eu percebo muito bem as reivindicações dos activistas e das activistas dos movimentos gay, mas acho que sociologicamente também temos que respeitar as convicções da maioria da população portuguesa, que é muito conservadora nesta matéria. Temos de encontrar um equilíbrio. A terceira via é um bom equilíbrio. Aliás, nas associações activistas há uma certa contradição. Elas dizem: agora falamos em casamento e mais tarde na adopção, é preciso um primeiro passo. Mas eu acho que é preciso um primeiro passo antes do casamento. Se aceitássemos a teoria gradualista, criavam-se menos fracturas.

Primeiro a união civil, depois o casamento, a seguir a adopção? Também defende a adopção?
É uma questão muito problemática.

Mas um homossexual é menos bom pai que...
Não, não é menos. Não é menos. Não é menos.

Então?
Mas eu percebo que há aqui questões sociológicas, de respeito pelas convicções dominantes na sociedade. E também têm de ser tidas em conta, não há aqui só direitos de uns. Prefiro uma engenharia social gradual. Mas acho que é aqui, na relação com os homossexuais, que a Igreja deveria abrir mais. Em toda a moral sexual é preciso uma grande renovação na Igreja. E há coisas que não compreendo de maneira nenhuma: a ordenação das mulheres, o casamento dos padres, a questão dos anticonceptivos, não percebo como é que se consegue continuar com este discurso.


Eis porque não voto PSD.

Tuesday, April 21, 2009

Já que falamos de Europeias!

Em tempos em que se discute a tolerância, eis que o Parlamento Europeu decide dar o exemplo!

Vejam esta notícia: EU Parliament Removes Religious Exemption

Monday, March 23, 2009

Liberdade e tolerância... só para alguns

"É curioso como, num mundo em que as palavras "liberdade" e "tolerância" são divinizadas, é concedida tão pouca liberdade e há tão pouca tolerância em relação à Igreja Católica e ao seu ensinamento."

A propósito do post anterior, apelo à leitura do texto de hoje de Raquel Abecasis.

Três Declarações de Blair em Destaque



Tony Blair diz que a religião é fundamental em política

Tony Blair, preocupado pela «marginalização» dos cristãos na Grã-Bretanha

Cristãos têm de se fazer ouvir nesta era de “secularismo agressivo”

Wednesday, March 04, 2009

Wednesday, April 30, 2008

A Igreja e O Estado, pelo Prof. Manuel Cavaleiro Ferreira

Morreu a 27 de Abril de 1992(fez à poucos dias 16 anos) o Professor Catedrático da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, Manuel Cavaleiro Ferreira.



"A separação da ordem temporal é uma conquista do cristianismo.
Mas nem por isso deixará de ser deturpada na teoria e na prática, mesmo nas sociedades cristãs. O erro é, na maioria das vezes, uma sombra da verdade.
O século XIX assistiu à vitória incontestada do individualismo como doutrina política. O Estado tomou por toda a parte as características do Estado liberal.
A liberdade do homem assenta nas verdades cristãs. O homem não se esgota na qualidade de quaisquer sociedades política ou não política, porque o seu destino ultrapassa o das sociedades terrenas que o envolvem. Filho de Deus para Deus caminha e a Ele regressa, pela sua vida e pela sua morte.
A pretensão de o sujeitar a uma disciplina humana omnicompreensiva de todo o seu destino equivale a destitui-lo da sua filiação divina encorporando na peregrinação terrena os fins de vida eterna.
E no entanto foi a liberdade individual o pendão da revolução na estrutura do Estado que o individualismo empunhou. Como pôde um princípio da liberdade atacar a fonte da verdadeira liberdade?
É que, no individualismo, a sociedade, e com ela o Estado deixará de ter uma fundamentação moral: a única realidade seria o próprio indivíduo, desligado da sociedade a que naturalmente pertence.
A Revolução Francesa, se por um lado proclamou o direito à luta contra a opressão e a plena exteriorização da liberdade individual, retirou, por outro lado, todo o fundamento moral à vida colectiva e ao Estado. O Estado seria apenas o guardião da liberdade individual, esta mesma, por sua vez, fim de si própria.
Em tais condições a vida social teria de ser orientada pelo princípio pragmático do interesse individual, cuja coexistência com os demais interesses individuais importava exclusivamente assegurar.
O homem concebia-se a si mesmo, como supremo dispensador de benesses, uma liberdade, como instrumento e como fim.
Afastada, porém, a base real e moral da própria liberdade, esta deveria destruir-se a si mesma. Os dois princípios da proclamação e da destruição da liberdade, pode por isso encontrar a sua origem na mesma Revolução."




O Professor tem um site a si dedicado com notas biográficas, e várias das suas obras e publicações.
Aconselho a todos visita (principalmente a Juristas).

Wednesday, July 25, 2007

A Democracia, Bem vs Mal e Relativismo

«Cícero (106-43 a.C.) já ensinava: se a vontade dos povos, os decretos dos chefes, as sentenças dos juízes, constituíssem o direito, então para criar o direito ao latrocínio, ao adultério, à falsificação dos testamentos, seria bastante que tais modos de agir tivessem o beneplácito da sociedade (...) por que motivo a lei, podendo transformar uma injúria num direito, não poderia converter o mal num bem?»

Hoje ao visitar o Horizonte, deparei-me com este excerto, que o agora entrevistado, FSantos, citou no seu blog.
A frase de Cícero está carregada de actualidade. Aliás, digo mesmo que é uma frase intemporal, mas que infelizmente tende cada vez mais a suceder na sociedade de hoje.
Num estado democrático, o poder emana da base: do povo. Os seus representantes são eleitos por si, e têm, como se diz na gíria, o poder de "mais ordenar". Mas o povo não legisla, elege quem pode legislar.
Até aqui tudo certo. É um facto, tanto no espírito como na letra.
Mas o problema principal (e mais grave, penso eu), decorre da utilização do poder desta forma. A opinião popular, no caso de eleições e referendos, tal como a dos juízes de onde quer que provenham e a sua área de actuação, tendo o poder de se pronunciar e demonstrar a sua vontade, e sendo esta geralmente vinculativa, faz com que a sociedade se envolva em sérios riscos, pois pode ocorrer que esta esteja enganada, manipulada, relacionada com certo tipo de proveitos e influências. E isto hoje ganha um certo valor, quando percebemos que o hedonismo, e a cultura de facilitamos ganham proporções demasiado grandes.
Por isso na democracia é essencial uma grande e excelente informação a todos os níveis e que chegue a partes, ao contrário da demagógica que se verifica nos dias de hoje, para que não ocorra, como na maioria das vezes, que haja votos sem sentido, por mera "obrigação cívica", e que correspondem no geral, a votos errados, sem critério, conquistados por slogans de qualquer tipo, mas sem valor moral. Por isso no sistema democrático é essencial, criar um sistema educativo, que realmente eduque o homem. Homens com valores. Homens para o bem, e não para o "fazes o que quiseres. Aqui tens a base". Já Sócrates, demonstrava no diálogo Górgias, que ao educador cabe um papel muito importante, pois as acções do aluno, dependerão do que ele lhe ensinar.
Por esta razão me manifesto contra debates onde apenas se encontram os considerados maiores como antes havia escrito. Por isso me oponho contra leis que condenam a vida humana, como a do IVG ou da eutanásia.
Como o bem e o mal não são relativos, nem dependem do que quer que seja, é necessário caminhar o primeiro, e afastar o mais que se puder o segundo. A desinformação e a deseducação moral tornam a democracia frágil perante a indecisão de caminhar para o bem ou mal, e frágil perante o poder de grupos fortes, pouco interessados em dicotomias de bem ou mal, muitas vezes para eles inúteis ou irrelevantes. Problema interessante em Portugal, se analisarmos a história, e repararmos que sempre que vivemos sobre o regime democrático, sofremos com esse problema.
Assim sendo, é me impossível aceitar que digam que a democracia é um regime perfeito, nem pensado para o homem, tendo em conta as suas imperfeições, como dizia o Rodrigo.
Justificando o que escrevi ao Crocunda, o "meu professor blogosférico" (atenção: este titulo deve ser estendido também ao Mário claro!), este é um problema perante o qual nos encontramos, e que é bastante perigoso.
Aproveitanto o recente post para reagir à resposta que me deu, afirmo que é pelas razões acima apontadas, que considero ser necessária uma união entre o bem social e o da alma. União sim. Porque estes dois principios, apesar de estarem intrinsecamente relacionados entre si, têm sofrido várias tentativas de separação ao longo dos anos. A Igreja trata da salvação da alma. Mas o ser humano, cidadão, trabalhador ou desempregado, nortenho ou do sul, não poderá alcançar a salvação sem viver o que ela diz no seu dia-a-dia. Porque a religião e a vida do dia-a-dia encontram-se relacionados. Relacionam-se no campo de acções, porque estamos perante um mundo que nos julgará pelas acções que fizemos. Mas é obvio que há uma diferença no discurso de ambas as partes, apesar de o Bem que ambas procuram ser o mesmo. É ai que há união. É dai que parto para justificar uma caminhada para o bem.
Ao governante cabe o poder de gerir e governar a sociedade, e conduzi-la ao bem. É possível eu estar errado, e acredito seriamente nessa possibilidade. Perdoem-me se o estiver, mas ainda não percebi, que sentido fará o homem caminhar para o mal, que lamento desapontar os mais incrédulos, existe. E o homem, com todos os seus defeitos deve saber distingui-lo, não sendo o seu pecado, desculpa para que tal não aconteça. O pecado é normal no homem, e isso não o impede de procurar praticar o bem. Assim sendo, o homem deve afasta-lo, correndo o risco de, se não o fizer, ficar preso para sempre a ele próprio.
Por isso apelo a uma ordem. E uma ordem obriga a estabilização. Obriga a uma autoridade. A um caminho único, que conduza ao bem e não a uma responsabilização incapaz e bastante desapropriada. Responsabilidade que baseada num vazio de valores não leva a nada, senão a prazeres efémeros representada bem pela cultura de facilitismo que caracteriza a sociedade de hoje. A um caminho que ajude os homens a alcançar um destino que para ele já havia sido traçado.

Monday, July 09, 2007

“...amar a Igreja significa amar a Jesus Cristo, uma vez que a Igreja é Seu próprio Corpo místico.”

Saiu no passado sábado, dia 7, o documento pelo qual o Papa Bento XVI concede a liberdade para a realização de missas em latim.

A chamada missa “tridentina", onde o sacerdote celebra de costas para os fiéis e recita o evangelho em latim, nunca chegou a ser proibida por Paulo VI, mas deixou de ser celebrada após o concilio Vaticano II - onde ficou estabelecido que a missa oficial seria realizada no idioma de cada comunidade - e ficou condicionada à autorização do bispo de cada diocese.
Ás reformas trazidas pelos concilio, surgiram oposições, notabilizando-se por estas Monsenhor Marcel Lefebvre, hoje conhecido como o mais notável fundador e promotor do movimento Católico tradicionalista.
Fundou a Fraternidade Sacerdotal de São Pio X, tendo como finalidade a formação de padres e o apostolado segundo a forma tradicional, sobretudo através da celebração da Missa Tridentina.
Anos mais tarde, no final da sua vida, entrou em confronto com Roma, pois desejava poder nomear novos bispos na fraternidade, e chegou mesmo a assinar um acordo com o cardeal Ratzinger, onde ficaria estabelecido a valorização canónica da Fraternidade Sacerdotal de São Pio X, a transformação em Sociedade de Vida Apostólica, e ainda a possibilidade de ordenação dum bispo entre os padres da Fraternidade. O acordo duraria um dia, pois Monsenhor Lefebvre, percebeu que Roma não estava disposta a permitir que ele procedesse a ordenações episcopais na data por si pretendida: o seguinte dia 30 de Junho.
Face às reticências de Roma em permitir as ordenações episcopais, Lefebvre decide ordenar novos bispos para a Fraternidade, e anuncia a realização da cerimónia para 30/6/1988, em Ecône. O Papa João Paulo II pede-lhe expressamente que o não faça mas, indiferente a tudo, Lefebvre ordena efectivamente quatro bispos dentre os padres da Fraternidade. Por si só, o acto de Monsenhor Lefebvre é punível canonicamente através da excomunhão latae sententiae, por constituir um acto em si mesmo cismático.
Por esta razão, João Paulo II publica, dois dias depois, o famoso motu proprio “Ecclesia Dei”, que manifesta a grande aflição da Igreja católica por causa das ordenações episcopais ilegítimas, declara a excomunhão de Lefebvre e dos bispos por ele ordenados e convida os seus seguidores a afastarem-se da Fraternidade.
Monsenhor Lefebvre recusou energicamente o Concílio e as suas reformas, e sobretudo a Missa renovada por Paulo VI, que lhe parecia protestante, por, na sua opinião, ter feito desaparecer a ideia do sacrifício. O crescimento do movimento tradicionalista obrigou o Papa Paulo VI a proibir D.Lefebvre que ordenasse sacerdotes. Mas ele continuou não só a fazê-lo como a reafirmar os princípios do seu movimento e a fazer várias críticas ao Concílio Vaticano II. Antevendo as sanções que sofreria do Vaticano, ele diz, com base na Bula de São Pio V, na qual baseia os ritos da sua missa tradicional, que essas sanções seriam nulas, porque a referida missa fora canonizada e uma canonização não pode ser retirada pelo papa. D. Lefebvre estava convicto de que, agindo dessa forma, prestava um serviço à verdadeira Igreja Católica, diferente da Igreja conciliar, modernista e liberal.
Em 1976, o Papa Paulo VI chegou mesmo a suspender Monsenhor Marcel Lefebvre, antigo arcebispo de Tulle. Consequentemente, a partir daquele momento, Lefebvre não poderia mais celebrar missa, pregar, nem ministrar sacramentos.
No entanto, D. Lefebvre contra as ordens de Roma, continuou a ordenar em Ecône sacerdotes, todos formados num espírito pré-conciliar adverso ao Vaticano II.
Em 1984, é dada autorização para celebrar a Missa Tridentina, sob condições rigorosas, uma das quais era a aceitação da legitimidade do Missal de Paulo VI, o que a Fraternidade não aceitou.



A imagem colocada acima, foi escolhida de propósito, pois nesta, o Papa encontra-se de olhos postos na cruz. Olhos postos no objectivo de cada um e de todos. Algo que parece estar esquecido, ou então simplesmente ignorado.
A Eucaristia é para Deus. Não é para que as pessoas se divirtam ou passem o tempo.
Para quem diz que a Igreja não está a agir como deve ser, pois com medidas destas só afasta os crentes, devem colocar os olhos na cruz. Devem perceber, se não sabem, que a Igreja não é um clube recreativo, não é uma associação cultural ou uma empresa em busca de compradores. Não tem por objectivo angariar pessoas. A igreja é o caminho para que o homem chegue a Deus. E tudo o que nela se faz, diz e ordena é glória que a Deus se presta e é maneira de dar a conhecer Deus ao homem. E ao homem cabe aceita-la ou não. A Igreja não se altera por vontade do homem porque ela não é feita por ele, mas sim por Deus."Amar a Igreja significa amar a Jesus Cristo, uma vez que a Igreja é Seu próprio Corpo " disse o Papa Paulo VI, e já dizia Santo Anselmo, quando demosntrava através do seu argumento ontológico, que Deus existe e não se altera. Deus é o que é, e É por Si mesmo e por Sua causa.