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Tuesday, May 26, 2009

Wednesday, March 04, 2009

Sunday, June 22, 2008

As Belas Palavras de São Josemaría

Em recente conversa com um verdadeiro Mestre, veio à conversa uma leitura que a ambos já havia figurado, e cuja minha já se encontrava guardada numa das estantes, e que sem eu dar por isso, respondia a inquietações que me surgem de novo na alma.
Aqui fica um excerto que me chamou a atenção à primeira leitura.

"Amo com toda a alma esta minha pátria, com as suas virtudes e os seus defeitos, com a sua rica variedade de regiões, de homens e de línguas. Encanta-me atravessar essa Castela — paisagem de sulco e de céu — que faz os homens e os gasta; sinto-me catalão na Catalunha e sou aragonês de nascimento; admiro sem dissimular os férteis vales do Levante, as aldeias caiadas da Andaluzia, a dura contextura da Montanha. Mas tenho um ponto fraco — todos temos algum — e esse ponto fraco é Navarra, porque esta terra viçosa de arvoredos e campos ceifados, com a sua fé inquebrantável, o seu apego à tradição, a sua laboriosidade silenciosa e a sua moral sem mácula, parece ter sido especialmente disposta por Deus para que nela frutifiquem as obras de apostolado universal, que aqui são semeadas às mãos-cheias, seguras de que haverá boa colheita.
(...)
Eu disse, em certa ocasião, que o maior inimigo de Deus é a ignorância; estou convencido disso. Por isso quero que os meus filhos empreendam a batalha da doutrina;
(...)
Deste modo prestamos um serviço à Igreja, um serviço à Pátria e também um serviço, muito grande, a esta cidade. Não tenhais dúvida: hoje, Pamplona é mais conhecida no mundo pelo seu Estudo Geral do que pêlos seus sanfermines, apesar de estes serem muito célebres. São já muitos os estudantes dos mais diversos países que se formaram aqui, e continuarão a vir cada vez mais; e, ao regressar às suas terras, deixam entre estes muros de pedras carcomidas pêlos anos um pedaço da sua alma que continua a chamar por eles onde quer que estejam."

de Josemaría Escrivá e a Universidade, Almedina, Coimbra, Maio 2003

Friday, October 12, 2007

Mas que grande Postal!

Na "casa" do Réprobo há um postal a não perder: Fátima à Luz da Escória

Wednesday, July 25, 2007

A Democracia, Bem vs Mal e Relativismo

«Cícero (106-43 a.C.) já ensinava: se a vontade dos povos, os decretos dos chefes, as sentenças dos juízes, constituíssem o direito, então para criar o direito ao latrocínio, ao adultério, à falsificação dos testamentos, seria bastante que tais modos de agir tivessem o beneplácito da sociedade (...) por que motivo a lei, podendo transformar uma injúria num direito, não poderia converter o mal num bem?»

Hoje ao visitar o Horizonte, deparei-me com este excerto, que o agora entrevistado, FSantos, citou no seu blog.
A frase de Cícero está carregada de actualidade. Aliás, digo mesmo que é uma frase intemporal, mas que infelizmente tende cada vez mais a suceder na sociedade de hoje.
Num estado democrático, o poder emana da base: do povo. Os seus representantes são eleitos por si, e têm, como se diz na gíria, o poder de "mais ordenar". Mas o povo não legisla, elege quem pode legislar.
Até aqui tudo certo. É um facto, tanto no espírito como na letra.
Mas o problema principal (e mais grave, penso eu), decorre da utilização do poder desta forma. A opinião popular, no caso de eleições e referendos, tal como a dos juízes de onde quer que provenham e a sua área de actuação, tendo o poder de se pronunciar e demonstrar a sua vontade, e sendo esta geralmente vinculativa, faz com que a sociedade se envolva em sérios riscos, pois pode ocorrer que esta esteja enganada, manipulada, relacionada com certo tipo de proveitos e influências. E isto hoje ganha um certo valor, quando percebemos que o hedonismo, e a cultura de facilitamos ganham proporções demasiado grandes.
Por isso na democracia é essencial uma grande e excelente informação a todos os níveis e que chegue a partes, ao contrário da demagógica que se verifica nos dias de hoje, para que não ocorra, como na maioria das vezes, que haja votos sem sentido, por mera "obrigação cívica", e que correspondem no geral, a votos errados, sem critério, conquistados por slogans de qualquer tipo, mas sem valor moral. Por isso no sistema democrático é essencial, criar um sistema educativo, que realmente eduque o homem. Homens com valores. Homens para o bem, e não para o "fazes o que quiseres. Aqui tens a base". Já Sócrates, demonstrava no diálogo Górgias, que ao educador cabe um papel muito importante, pois as acções do aluno, dependerão do que ele lhe ensinar.
Por esta razão me manifesto contra debates onde apenas se encontram os considerados maiores como antes havia escrito. Por isso me oponho contra leis que condenam a vida humana, como a do IVG ou da eutanásia.
Como o bem e o mal não são relativos, nem dependem do que quer que seja, é necessário caminhar o primeiro, e afastar o mais que se puder o segundo. A desinformação e a deseducação moral tornam a democracia frágil perante a indecisão de caminhar para o bem ou mal, e frágil perante o poder de grupos fortes, pouco interessados em dicotomias de bem ou mal, muitas vezes para eles inúteis ou irrelevantes. Problema interessante em Portugal, se analisarmos a história, e repararmos que sempre que vivemos sobre o regime democrático, sofremos com esse problema.
Assim sendo, é me impossível aceitar que digam que a democracia é um regime perfeito, nem pensado para o homem, tendo em conta as suas imperfeições, como dizia o Rodrigo.
Justificando o que escrevi ao Crocunda, o "meu professor blogosférico" (atenção: este titulo deve ser estendido também ao Mário claro!), este é um problema perante o qual nos encontramos, e que é bastante perigoso.
Aproveitanto o recente post para reagir à resposta que me deu, afirmo que é pelas razões acima apontadas, que considero ser necessária uma união entre o bem social e o da alma. União sim. Porque estes dois principios, apesar de estarem intrinsecamente relacionados entre si, têm sofrido várias tentativas de separação ao longo dos anos. A Igreja trata da salvação da alma. Mas o ser humano, cidadão, trabalhador ou desempregado, nortenho ou do sul, não poderá alcançar a salvação sem viver o que ela diz no seu dia-a-dia. Porque a religião e a vida do dia-a-dia encontram-se relacionados. Relacionam-se no campo de acções, porque estamos perante um mundo que nos julgará pelas acções que fizemos. Mas é obvio que há uma diferença no discurso de ambas as partes, apesar de o Bem que ambas procuram ser o mesmo. É ai que há união. É dai que parto para justificar uma caminhada para o bem.
Ao governante cabe o poder de gerir e governar a sociedade, e conduzi-la ao bem. É possível eu estar errado, e acredito seriamente nessa possibilidade. Perdoem-me se o estiver, mas ainda não percebi, que sentido fará o homem caminhar para o mal, que lamento desapontar os mais incrédulos, existe. E o homem, com todos os seus defeitos deve saber distingui-lo, não sendo o seu pecado, desculpa para que tal não aconteça. O pecado é normal no homem, e isso não o impede de procurar praticar o bem. Assim sendo, o homem deve afasta-lo, correndo o risco de, se não o fizer, ficar preso para sempre a ele próprio.
Por isso apelo a uma ordem. E uma ordem obriga a estabilização. Obriga a uma autoridade. A um caminho único, que conduza ao bem e não a uma responsabilização incapaz e bastante desapropriada. Responsabilidade que baseada num vazio de valores não leva a nada, senão a prazeres efémeros representada bem pela cultura de facilitismo que caracteriza a sociedade de hoje. A um caminho que ajude os homens a alcançar um destino que para ele já havia sido traçado.

Friday, June 08, 2007

Solenidade Litúrgica do Corpo e Sangue de Cristo



Ficou por postar algo sobre a data que se celebrou ontem, dia 7 de Junho.
Em Lisboa, como por todo o país, realizou-se pelas cidades, vilas e aldeias a habitual procissão em honra da Solenidade Litúrgica do Corpo e Sangue de Cristo, conhecida popularmente como "Corpo de Deus".
É uma data que faz parte da história de Portugal. Aqui, a data festeja-se desde o reinado de D. Afonso III, portanto desde o século XIII, apesar de ao longo dos anos, o ritual comemorativo tenha sofrido, várias alterações.
A solenidade conhecida pelo nome de Corpus Christi ou do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, só ganha lugar de relevo na Liturgia em 1246, quando o bispo de Liège instituiu a festa, na sua diocese. Esta primeira “festa oficial” do Corpus Christi surge em consequência das revelações recebidas pela Beata Juliana de Retinne. Pela bula Transiturus (1264), o Papa Urbano IV estendeu a festa a toda a Igreja, como solenidade de adoração da Sagrada Eucaristia. Esta exultação popular à Eucaristia é manifestada no 60° dia após a Páscoa e forçosamente uma Quinta-feira, fazendo assim a união íntima com a Última Ceia de Quinta-feira Santa.
Em 1311 e em 1317 foi novamente recomendada pelo Concílio de Vienne e pelo Papa João XXII, respectivamente. Nos primeiros séculos, a Eucaristia era adorada publicamente, mas só durante o tempo da missa e da comunhão. A conservação da hóstia consagrada fora prevista, originalmente, para levar a comunhão aos doentes e ausentes. É neste mesmo ano pela e mesma mão que o rito da procissão é introduzido e instituído. Hoje, a procissão do Santíssimo Sacramento é recomendada pelo Código de Direito Canónico, no qual se refere que "onde, a juízo do Bispo diocesano, for possível, para testemunhar publicamente a veneração para com a santíssima Eucaristia faça-se uma procissão pelas vias públicas, sobretudo na solenidade do Corpo e Sangue de Cristo" (cân 944, §1). A "comemoração mais célebre e solene do Sacramento memorial da Missa", como dizia o Papa Urbano IV, recebeu várias denominações ao longo dos séculos: festa do Santíssimo Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo; festa da Eucaristia; festa do Corpo de Cristo. Hoje denomina-se solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, e com a sua comemoração, retirou-se do calendário das festas litúrgicas, a festa do "Preciosíssimo Sangue", que se comemorava a 1 de Julho.

Em Portugal a festividade tornou-se característica e marca cultural. Destaca-se claro a igreja dos Mártires, em Lisboa, que manteve, no decurso dos séculos (e apesar das inovações havidas), o rito da festa com exposição do Santíssimo, Procissão, Vésperas solenes e Sermão.
Desde cedo que, no nosso país, as Câmaras Municipais e as Corporações de Artes e Ofícios acolheram a devota iniciativa, pelo que, a Procissão veio a tornar-se a mais vistosa e interessante de todas, merecendo o título de “Procissão das Procissões”. Constituída por cortejo cívico e corporativo, com carros alegóricos, figuras pitorescas, danças, momices e cenas de autos sacramentais, a procissão demorava horas a caminhar, vindo a constituir tanto um evento religioso como um evento social. A festa atingiu a maior grandiosidade no tempo de D. João V. A Procissão incorporava, desde logo, as associações socioprofissionais e também as delegações das diversas Ordens Religiosas de Lisboa (Agostinhos, Beneditinos, Dominicanos, Franciscanos, Ordem de Cristo...) e militares. No cortejo, avultava a figura de S. Jorge a cavalo e a Serpe, ou dragão infernal (do tipo chinês, locomovido por figurantes), contra o qual S. Jorge lutava.
D. João V chegou a encarregar Vieira Lusitano (pintor português), mal este regressou a Portugal após 7 anos de ausência, de fazer um grande quadro do Santíssimo Sacramento para servir na procissão do Corpo de Deus.
No final do cortejo, vinha o palio, a cujas varas pegavam os mais altos dignitários da Corte e da Câmara. Sob o palio, deslocava-se o Bispo de Lisboa, ostentando a custódia com o Santíssimo Sacramento. Era sempre ladeado pelo Rei ou Chefe de Estado.
Outro dado curioso a salientar, e que ainda mais une a celebração religiosa à nossa história, é o das várias tentativas de realização de atentados contra as figuras régias durante a procissão do Corpo de Deus. Um deles contra a pessoa de D. João IV. Sobrevivendo o monarca ao acto, a sua esposa, D. Luísa de Gusmão, promoveu a construção do Convento dos Carmelitas, na Baixa Lisboeta. Edificado no exacto lugar do falhado crime, foi chamado “Convento do Corpus Christi”. Outro atentado famoso deu-se contra D. Manuel II, perto da Igreja da Vitória, quando a procissão passava na rua do Ouro. Mais tarde, com a primeira republica, vieram também as perseguições religiosas - durante a primeira semana de governo republicano, fazem com que nas prisões de Lisboa estejam encarcerados 128 padres e 233 freiras, tendo sido assassinados dois padres lazaristas – e um exemplo delas é a legislação de 1910, que proibia os dias santos da Igreja (excepto o Natal e o dia 1 de Janeiro), e interrompeu o culto público, embora, nas igrejas, continuassem a ser celebradas missas solenes; e solenes pontificiais nas Sés.