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Monday, February 23, 2009

Que nunca por vencidos nos conheçam

Umas semanas depois desta casa ter festejado 3 anos, vejo n' O Sexo dos Anjos mais uma referência a este blog, que apenas se deve à simpatia do seu autor.

Escrevi sobre causas perdidas pelas quais nos batemos.
Cabe-me hoje afirmar, que independentemente dos resultados esperados ou previsíveis, me bato sempre pela vitória. É da natureza humana que assim suceda, pois que o coração do homem é essencialmente feito de esperança.

Assim, fica a promessa, que não será por minha vontade, com a excepção do que ao nome desta casa se refere, que o nome de vencido será associado à minha pessoa ou causa.

Sunday, May 27, 2007

Os Vencidos da Vida



Na Lisboa oitocentista de fim de século, mais precisamente entre 1888 e 1893, um grupo de onze amigos desiludidos com a política dominante, e com a tentativa da sua reabilitação através do movimento surgido no Porto em 1885 com o nome de “Vida Nova”, passaram a reunir-se em jantares mais ou menos regulares, no Restaurante Tavares, no Hotel Braganza e em outros locais.

Os principais motivos para essas reuniões jantantes, que chegaram a intrigar, e mesmo a preocupar, diversos sectores da sociedade da época, eram, além da admiração e estima que tinham uns pelos outros, o patriótico desejo de colocar Portugal entre os países cimeiros da Europa de então. E para tal contavam pôr toda a sua inteligência e vontade ao serviço do príncipe D. Carlos, que em breve seria rei, com isso renascendo a esperança num país renovado e com uma política nova, onde a meritocracia fosse uma das bases. “Vencidos da Vida”, como a si próprios se chamaram, era assim um nome irónico que, se por um lado os identifica com a desilusão generalizada que grassava no país, por outro não os fazia desistir de vencerem para além do desengano. Procuravam efectivamente uma outra vida e todos, de certo modo, a encontraram, pois, ainda hoje, uns mais outros menos, são recordados por a terem, ao menos, procurado.

Vejamos a sua biografia breve por ordem alfabética do primeiro nome:

- Abílio Manuel de Guerra Junqueiro, formou-se em Direito na Universidade de Coimbra, seguindo depois a carreira administrativa, sendo deputado entre 1878 e 1891. Após a implantação da República, a cujo ideário há muito aderira, foi ministro de Portugal na Suiça. Sendo um dos mais famosos e populares poetas do seu tempo, deixou obra que ainda hoje tem leitores fieis, quer dos seus versos mais panfletários, quer dos mais líricos carregados de um humanismo panteísta.

- António Cândido Ribeiro da Costa, sacerdote, formou-se em Teologia e Direito em Coimbra, onde depois foi professor. Chamado à capital, foi ministro, conselheiro de Estado, presidente da Câmara dos Pares e procurador geral da Coroa. Foi o maior orador do seu tempo, conhecido como “Águia do Marão”, por ser natural de Amarante.

- António Maria José de Melo Silva César e Meneses, também formado em Direito por Coimbra, seguiu a carreira diplomática, chegando a ministro plenipotenciário. Dedicou-se também à Literatura, nomeadamente ao romance histórico e à descrição artística de monumentos. Foi 5º Conde de Sabugosa desde 1879, representante do título de marquês do mesmo nome, além de Conde de S. Lourenço.

- Bernardo Pinheiro Correia de Melo, filho do Visconde de Pindela (Vila Nova de Famalicão), foi oficial de Engenharia, tendo atingido o posto de general. Mas ficou mais conhecido como autor de peças de teatro de sucesso na época. Foi secretário de D. Carlos, que em 1895 o faz Conde de Arnoso. Foi também grande amigo de Eça de Queiroz.

- Carlos Lima Mayer, frequentou a Universidade de Coimbra, depois a Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, acabando o seu curso de Medicina na Bélgica e em Paris. Trocou depois a clínica pela gestão de empresas financeiras em Moçambique, Angola, Açores e Algarve. Suicidou-se em 1910.

- Carlos Lobo d’Ávila formou-se em Direito em Coimbra, tendo-se depois dedicado ao jornalismo e à actividade política. Foi ministro das Obras Públicas e dos Negócios Estrangeiros. Em 1894 fundou a Câmara de Comércio e Indústria de Lisboa, morrendo no ano seguinte apenas com trinta e cinco anos.

- Francisco Manuel de Melo Breyner, filho único dos 2ºs marqueses de Ficalho, frequentou a Escola Politécnica de Lisboa, onde depois foi professor de Botânica, área em que se notabilizou com a publicação de diversos estudos sobre a flora portuguesa e ultramarina. Dirigiu o Instituto Agrícola e o Jardim Botânico de Lisboa. Foi feito Conde de Ficalho.

-Joaquim Pedro de Oliveira Martins, tendo ficado órfão de pai, interrompeu os seus estudos aos quinze anos para ir trabalhar no comércio, continuando a estudar como autodidacta. Foi depois administrador das minas de Almadén (Córdova, Espanha) e, a partir de 1874, director da construção da linha de caminho-de-ferro Porto-Póvoa de Varzim e depois director da sua exploração até 1888. No ano seguinte assumiu a direcção da Administração Geral dos Tabacos, em Lisboa, tendo entretanto recusado ser ministro da Fazenda, o que mais tarde, em 1892, vem a aceitar a pedido de D. Carlos, demitindo-se porém quatro meses depois por não ter apoio assegurado para a sua tentativa de equilibrar as contas do Estado. Em 1894 morre de tuberculose, aos quarenta e nove anos de idade. Deixou inúmeras obras publicadas no âmbito da Sociologia, da Economia e da Literatura historicista, as quais, ainda hoje, são lidas e reeditadas.

- José Duarte Ramalho Ortigão, formou-se também em Direito na Universidade de Coimbra, tendo sido depois professor de francês no Colégio da Lapa, no Porto, dirigido por seu pai, onde conhece Eça de Queiroz que aí foi seu aluno. Em 1870 está em Lisboa como oficial da secretaria da Academia das Ciências, tendo sido um dos mentores do Centenário de Camões em 1880. Foi jornalista e escritor e um dos primeiros críticos de Arte em Portugal. Para além das obras que escreveu com Eça de Queiroz (1870 - O Mistério da Estrada de Sintra; 1871 - As Farpas, que prosseguiu sozinho de 1872 a 1887), publicou notáveis livros de viagens que ainda hoje se podem ler com agrado.

-José Maria Eça de Queiroz, formou-se igualmente em Direito em Coimbra, tendo iniciado a sua vida profissional em 1867 como jornalista de O Distrito de Évora. Em 1869 parte para o Egipto e Palestina com o 5º Conde de Resende, assistindo à inauguração do Canal de Suez. Em 1870 foi administrador do concelho de Leiria, seguindo depois a carreira consular, que o levaria a Havana, onde protege os chineses contratados para trabalharem nas plantações da cana do açúcar, tendo em seguida visitado os Estados Unidos da América e o Canadá. Depois parte para Newcastle, Bristol e Paris, além de outras cidades. Além de jornalista, escreveu crónicas, contos, e sobretudo notáveis romances em que o pitoresco e os localismos rapidamente se transformam em caricaturas universais e transépocais, permanecendo os seus traços vivos até aos dias de hoje, em que continua a ser lido e apreciado em inúmeras traduções um pouco por todo o mundo.


Deste grupo dos “Vencidos da Vida” não fez parte Antero de Quental, que todos os que frequentaram a Universidade de Coimbra entre 1858 e 1864 conheciam pessoalmente e, por esse motivo, com ele se relacionaram várias das personalidades atrás referidas, tendo-se até batido em duelo com Ramalho Ortigão em 1865 por causa da “Questão Coimbrã”, reconciliando-se ambos mais tarde. Em 1873 regressa aos Açores, onde adoece de psicose maníaco-depressiva. Tendo voltado ao continente em 1881, pelo menos em 1884 convive na Granja (Vila Nova de Gaia) e no Porto, em 1884, com Guerra Junqueiro, Ramalho Ortigão, Oliveira Martins e Eça de Queiroz. Em 1890 dirige a Liga Patriótica do Norte e, perante o seu fracasso, regressa a Ponta Delgada, onde se suicida.

Também não fizeram parte do grupo Jaime Batalha Reis, Manuel de Arriaga, Teófilo Braga, José Fontana, Salomão Saragga, Adolfo Coelho, Augusto Soromenho, Germano Meireles e Guilherme de Azevedo, os quais, além de Antero, Eça e Oliveira Martins, participaram nas “Conferências do Casino”. Ou ainda Andrade Corvo, António Enes, Alberto Sampaio, Fialho de Almeida e outros nomes incontornáveis na História da Cultura em Portugal, conhecidos como “Geração de 70”.

O grupo teve ainda um “confrade suplente” com quem os “efectivos” se encontravam no Paço de Belém: o príncipe D. Carlos, o qual era já então um esclarecido praticante de pintura e de estudos oceanográficos, que sobe ao trono, por morte do seu pai D. Luís, precisamente em 1889, o ano em que acabam os jantares do grupo todo; a partir daí muitos destes homens são chamados a pôr em prática as suas convicções e qualidades pessoais e os jantares tornam-se mais esporádicos e apenas entre alguns deles, até que acabaram de vez em 1893.

Para o grupo dos onze estar completo falta-nos apenas um confrade, de seu nome Luís Maria Pinto de Soveral, futuro Marquês de Soveral, de cuja biografia nos ocuparemos a seguir com mais detalhe.

Temos assim os onze “Vencidos da Vida”: Guerra Junqueiro, António Cândido, Conde de Sabugosa, Conde de Arnoso, Carlos Lima Mayer, Carlos Lobo d’Ávila, Conde de Ficalho, Oliveira Martins, Ramalho Ortigão, Eça de Queiroz e o Marquês de Soveral.

Numa breve síntese, que aliás outros autores já apontaram, e considerando já alguns aspectos da biografia do “Vencido” que falta, podemos concluir que seis deles tinham o curso de Direito da Universidade de Coimbra; um foi militar de Engenharia; um outro cursou Medicina em Coimbra, Lisboa e no estrangeiro; um outro a Escola Politécnica de Lisboa, tornando-se Botânico; um outro cursou Ciências Políticas e Administrativas na Bélgica; um deles foi autodidata. Só um cursou Teologia, além de Direito, sendo padre. Quatro, pelo menos, foram ministros, quatro seguiram a carreira diplomática, se bem que um deles só após a implantação da República. Três foram feitos condes e um marquês; três, pelo menos, exerceram profissionalmente o jornalismo. Vários tiveram cargos importantes na administração pública e privada; alguns foram professores, deputados, e um só foi condutor de obras ferroviárias na época fontista. Dois escreveram literatura histórica, dois descreveram monumentos, um outro escreveu peças de teatro, um deles foi romancista, e apenas de um se diz que foi poeta. Só um estudou para vir a ser marinheiro.

Diziam-se “Vencidos da Vida”, mas apenas um se suicidou, o médico, mas não por causa da Medicina. Um morre com trinta e cinco anos, outro quase aos cinquenta de tuberculose, outro aos cinquenta e cinco de amebiase. Os restantes, faleceram mais ou menos idosos. À data do início dos seus jantares tinham, em média, trinta e oito anos de idade, tendo o mais novo vinte e quatro e o mais velho cinquenta e um. Eram, portanto, homens maduros, no auge das suas capacidades. Três (ou cinco?) nasceram em Lisboa; só três eram do Norte do país e três nasceram no Vale do Douro, um em Freixo-de-Espada-à-Cinta, outro em S. João da Pesqueira e outro no Porto.

Para morrer, quatro (ou seis?) escolheram a capital do país, três (ou cinco?) a terra natal, dois Paris.

Eis pois um possível perfil de um “Vencido da Vida”: filho de família da burguesia liberal ou acomodada ao liberalismo, formado em Direito por Coimbra ou outra escola superior, funcionário público com passagem pela política activa como deputado ou ministro, medalhado ou titulado por serviços prestados, implantado em Lisboa, dedicando-se às letras no jornalismo e no romance, conhecendo o mundo europeu e colonial, teimando no grande desejo de melhorar a sociedade e a vida económica do país, através da reforma das instituições. Não conseguiram rejuvenescer o regime monárquico e a República que se lhe seguiu foi o que se sabe. Reflectiram e escreveram muito sobre aquele seu desejo: mas não abdicaram de nada para o concretizar. Não foram seguramente “Vencidos da Vida”, mas também não quebraram o enguiço da pátria, o qual ainda hoje continua.

Mas, à sua maneira, cada um e todos eles, foram homens notáveis, com certeza enredados na sua época, mas todos com ideias de futuro a haver.

J. A. Gonçalves Guimarães in Forum Democracia Real

Wednesday, May 31, 2006

O Título sem "Palha" nem Filosofia!


Quando criei um blog, não tinha como objectivo mostrar que penso na vida e na existência. Cada um terá a sua interpretação do que acontece na sua vida, quer isso possua um só significado ou não. Se fosse para isso faria o blog sozinho. Mas não.
Quis então criar um blog para manifestar opiniões, ou informar quem quer que seja que leia este blog, sobre todo o tipo de notícias que me apeteça comentar.
Tenho lido dúvidas, opiniões e comentários sobre o título deste blog, e por isso, como elemento que o baptizou, vou por um ponto final nesta questão. Chega de polémica.

Quem me conhece sabe que sou uma pessoa simples. Não gosto de teorias.

E que proponho é simples: Que tal olhar para o título de uma forma simples, sem teorias demasiado profundas ou filosofias?

Não digo que nenhum leitor tenha razão naquilo que diz, mas peço que se limitem àquilo que as coisas são. Se eu quisesse complicar teria feito um blog de ciências ou de matemática. Mas eu apenas criei um blog, onde alguns amigos escrevem textos.

“(…)Uma vez, a uma mesa do restaurante Tavares, reunimo-nos alguns amigos: o conde de Ficalho, o Ramalho Ortigão, o Oliveira Martins, o António Cândido, o Carlos Lobo de Ávila e eu. Lembrámo-nos de criar uma sociedade, como muitas que havia já noutros países da Europa. Um lugar onde pudéssemos conversar, debater problemas intelectuais... enquanto se comia. O Ramalho foi quem lançou a ideia e Oliveira Martins quem sugeriu o título, inspirado num comentário de La vie à Paris, de Jules Claretie sobre os grupos jantantes que aqui existiam. Dizia Claretie que esses jantares eram reuniões em que se encontravam os intelectuais «attristés souvent, bien changés, les uns glorieux, les autres battus de la vie». E Oliveira Martins disse: «Battus de la vie! Eis o que nós somos também - Vencidos da Vida. Propusemo-nos dar ao país «Vida Nova» e somos afinal de contas uns Vencidos da Vida».
(…)
Os Vencidos ofereceram o mais alto exemplo moral e social de que se pode orgulhar este país. Onze sujeitos que, desde há seis anos, formaram um grupo, sem nunca terem partido a cara uns aos outros; sem se dividirem em grupos de direita e de esquerda; sem terem nomeado entre si um presidente e um secretário perpétuo; sem arranjarem estatutos aprovados no Governo Civil; sem emitirem acções; sem possuírem hino nem bandeira bordada por um grupo de senhoras 'tão anónimas quanto dedicadas'; sem serem elogiados no Diário de Notícias, estes homens constituem uma tal maravilha social que certamente, para o futuro, na ordem das coisas morais se falará dos onze do Bragança como na ordem das coisas heróicas se fala nos onze de Inglaterra.”

Adaptação de textos de Eça de Queirós, em http://www.vidaslusofonas.pt/eca_de_queiros.htm

Lendo o excerto do texto, será tão simples (para quem nos conhece) identificar certas semelhanças com a nossa vida. Quantas vezes não estamos “nós” na minha casa a discutir sobre variadíssimos assuntos enquanto comemos. Obviamente não pus um nome ao acaso. Mas também as minhas razões nada têm de complicado. Parece-me bastante claro que também procuramos sempre a conclusão certa, a solução mais correcta, aquela que possa ser válida e que seja verdadeira, porque se não, porque discutiríamos? E claro que quando é verdade procuramos viver com ela e espalha-la por todos. Para que quereria eu a verdade? Para dizer que me pertence? Não!
E por fim somos um grupo de pessoas que nunca partiram “ cara uns aos outros;”nunca se dividiram “em grupos de direita e de esquerda; sem terem nomeado entre si um presidente e um secretário perpétuo; sem arranjarem estatutos aprovados no Governo Civil; sem emitirem acções; sem possuírem hino nem bandeira bordada por um grupo de senhoras 'tão anónimas quanto dedicadas'; sem serem elogiados no Diário de Notícias(…)”, etc.
Por tudo isto, e também por ser um admirador dos escritores da Geração de 70, eu dei este título a este blog, acabando (penso eu) assim com todas as duvidas.

Sunday, May 28, 2006

Ainda a propósito do título

Quando a Inês diz que «o artista não se prende a burocracias, nem tão pouco a avaliações externas, porque só ele tem consciência do verdadeiro valor da sua obra», eu tenho de dizer que não concordo com ela.
Não que eu considere que o artista tenha de se prender a burocracias ou que deva estar totalmente dependente de avaliações externas, porque, de facto, há sempre elementos pessoais em qualquer obra que podem passar imperceptíveis a sensibilidades menos apuradas ou a inteligências mais obtusas.
É o caso d' Os Maias quando se pretende dizer que a grande questão do livro é o confronto de dois métodos educativos diametralmente opostos, quando a grande questão do livro é, em última instância, a questão da liberdade humana.
Mas, em última análise, o artista depende do exterior, até porque a sua obra pretende (ou deve pretender, caso seja arte) retratar o real exterior. A realidade, tal como se apresenta, com tudo o que de claro e misterioso ela contém, deve ser o objecto do artista.
O horror da arte moderna nasce precisamente da eliminação do significado e da ordem. O repúdio da lógica leva o artista ao sonho, isto é, acaba por conduzi-lo a representar mais os frutos da sua imaginação do que a realidade.
Com a ausência de símbolos e significados a obra de arte moderna torna-se subjectiva e hermética. Quem poderá compreendê-la senão o próprio autor? E por que desejará que a sua obra seja compreendida? Não diria ele também «Eu odeio a objectividade gordurosa e a harmonia, essa ciência que encontra tudo em ordem» (Manifesto Dadá, 1918)?
O risco desta posição é a relativização da beleza, do bem e da verdade, é esta «ditadura do relativismo que nada reconhece como definitivo e que deixa como última medida apenas o próprio eu e as suas vontades.» (Cardeal Joseph Ratzinger).
Mas nós sabemos donde vimos. Não somos filhos da incerteza e da irracionalidade, nem do desprezo pelo ser e pela beleza concreta, inseparável do bem e da verdade. Não escrevemos, pintamos ou cantamos porque «sim», para nos fecharmos egoisticamente no nosso «eu», dando ares de grande profundidade e de resignação perante a incompreensão global.
Nós escrevemos, pintamos, cantamos, para dar testemunho da beleza do encontro com Cristo. E quando nos perguntam: «Mas porquê Cristo?» a resposta é clara: porque Cristo é o Verbo feito homem, é Deus, logo tem que ver com tudo. Deus tem que ver com tudo, nada Lhe pode escapar, porque se algum pormenor não fosse digno de ser relacionado com Ele, Ele não seria Deus.
É desta potência absoluta de Deus que nasce a nossa vitória. Jesus Ressuscitado é o facto supremo da nossa vitória. «Esta é a vitória que vence o mundo: a nossa Fé» (1 Jo 5, 4).

Friday, May 26, 2006

Os Vencidos da Vida

A propósito do nome...

"Para um homem, o ser vencido ou derrotado na vida depende, não da realidade aparente a que chegou – mas do ideal íntimo a que aspirava".

Como o Lourenço disse, o artista não se prende a burocracias, nem tão pouco a avaliações externas, porque só ele tem consciência do verdadeiro valor da sua obra...