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Tuesday, April 21, 2009

Um boneco que muda a história!



Disse o Prof. António Ventura, que o Portugal do Estado Novo era um país paroquial.
Pergunto-me se não continuamos a sê-lo?
Foi o que constatei no sábado passado quando me dirigi à SHIP, para assistir à conferência do Mário e do Eurico de Barros. E foi mais que um momento de cultura; mais que o revisitar Herge, revisitando Tintin.
O convívio final levou-me a perceber como vivemos num lugar onde todos nos conhecemos e temos amigos comuns. Tal como as personagens de Tintin.
Ao chegar não conhecia ninguém pessoalmente. Só tinha o prazer de ler as crónicas de cada um na blogosfera.
À saída cumprimentei um candidato às europeias e até tive boleia do Duarte!

Valeu a pena sair de casa naquele dia chuvoso, para encontrar e conhecer pessoalmente aqueles que já sigo à alguns anos, através da leitura dos blogues de cada um. A conversa com o Mário foi impagável, e agradeço-lhe a extrema amabilidade e simpatia com que me recebeu. E para o com o Duarte fiquei em divida pela paciência que teve em permanecer na conversa à chuva, e de me acompanhar ao multibanco para eu poder comprar a Terra e Povo, e de me dar boleia até ao metro.
Como dizíamos no convívio final, à porta do Palácio da Independência, para a maioria das pessoas somos loucos.
Mas somos uns loucos extremamente simpáticos, afáveis e humanos!

Resta-me fazer minhas as palavras do Duarte: está de parabéns o Núcleo Infante D. Henrique. E agora vamos trabalhar para que a ideia dos encontros periódicos vá para a frente.

Thursday, May 24, 2007

E para quem pensava que eu me esquecia, aqui ficam os atrasados....

DIA 22 DE MAIO
No dia 22 de Maio comemoram-se duas festividades:

O Centenário do Nascimento de Herge.





O Aniversário de Ricard Wagner





DIA 19 DE MAIO
Se fosse vivo, faria no dia 19 de Maio 117 anos Mário de Sá-Carneiro.



Quase

Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...

Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
Num grande mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dor! - quase vivido...

Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
Quase o princípio e o fim - quase a expansão...
Mas na minh'alma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!

De tudo houve um começo ... e tudo errou...
- Ai a dor de ser - quase, dor sem fim...
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se enlaçou mas não voou...

Momentos de alma que, desbaratei...
Templos aonde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar...
Ânsias que foram mas que não fixei...

Se me vagueio, encontro só indícios...
Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios...

Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...

Um pouco mais de sol - e fora brasa,
Um pouco mais de azul - e fora além.
Para atingir faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...

Fim

Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!

Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza...
A um morto nada se recusa,
Eu quero por força ir de burro.