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Tuesday, January 20, 2009

Prof. Costa Leite Lumbrales e a Universidade



"Nesta Universidade se formou(Salazar), nesta escola deu as suas aulas, dela saiu para realizar uma grande obra nacional que é o desenvolvimento lógico da sua actividade de intelectual. O seu espírito traduz também o espírito desta escola, velha mas cheia de mocidade, da mocidade que lhe emprestais e daquela com que procura sempre desempenhar a sua missão, servir os mais altos ideais, contribuir para o engrandecimento da Nação. Tem sido essa sempre a missão da Universidade de Coimbra, a sua tradição: ser alheia a lutas que dividam mas não aos movimentos que interessam à vida e ao engrandecimento da Nação. Não é política a Universidade; a sua missão é procurar a verdade, alheia a partidos, a sectarismos e a paixões. Mas porque é portuguesa e sempre tem servido a Nação, nunca foi surda ao apelo que esta lhe fizesse para a servir e engrandecer...

Foi moda em tempos dizer que a missão do intelectual é um devaneio do espírito, uma ânsia vaga de construir sistemas e agitar ideias, um desprendimento do mundo exterior — não só nas comodidades que oferece, mas nas realidades que parece impor. Que a verdade está dentro de cada um, ou melhor, que é cada um que cria a sua verdade, alheia aos outros, alheia ao mundo, porque o mundo é ele.

A Universidade trabalha sem cansaço para encontrar a verdade, para ensinar os homens a procurá-la e servi-la. Por isso serviu sempre a Nação como realidade indiscutível, sem dobrar a verdade aos interesses da política e sem se recusar em nome da ciência a servir a Nação. Uma e outra têm o seu lugar numa mesma escala de valores, uma e outra vivem da Verdade, e para servi-la.

Há sempre porém, quem repita a pergunta de Pilatos; mas certo é que a Verdade se revela a quem tem fé e quer conhecê-la, e quando o orgulho dos homens os leva a desprezá-la, ela mostra bem duramente, como nos nossos dias, que não consente a vida aos que pensam ter dentro de si a sua essência."

João Pinto da Costa Leite (Lumbrales), Uma importante data comemorativa (Conf. do Prof. JPCLL sob o título: Salazar, professor e homem de Estado, lida no dia 27 de Abril de 1938, na Sala dos Capelos da Univ. de Coimbra), in Boletim da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra vol.15, ano 1938-39, p.397-398

Sunday, June 22, 2008

As Belas Palavras de São Josemaría

Em recente conversa com um verdadeiro Mestre, veio à conversa uma leitura que a ambos já havia figurado, e cuja minha já se encontrava guardada numa das estantes, e que sem eu dar por isso, respondia a inquietações que me surgem de novo na alma.
Aqui fica um excerto que me chamou a atenção à primeira leitura.

"Amo com toda a alma esta minha pátria, com as suas virtudes e os seus defeitos, com a sua rica variedade de regiões, de homens e de línguas. Encanta-me atravessar essa Castela — paisagem de sulco e de céu — que faz os homens e os gasta; sinto-me catalão na Catalunha e sou aragonês de nascimento; admiro sem dissimular os férteis vales do Levante, as aldeias caiadas da Andaluzia, a dura contextura da Montanha. Mas tenho um ponto fraco — todos temos algum — e esse ponto fraco é Navarra, porque esta terra viçosa de arvoredos e campos ceifados, com a sua fé inquebrantável, o seu apego à tradição, a sua laboriosidade silenciosa e a sua moral sem mácula, parece ter sido especialmente disposta por Deus para que nela frutifiquem as obras de apostolado universal, que aqui são semeadas às mãos-cheias, seguras de que haverá boa colheita.
(...)
Eu disse, em certa ocasião, que o maior inimigo de Deus é a ignorância; estou convencido disso. Por isso quero que os meus filhos empreendam a batalha da doutrina;
(...)
Deste modo prestamos um serviço à Igreja, um serviço à Pátria e também um serviço, muito grande, a esta cidade. Não tenhais dúvida: hoje, Pamplona é mais conhecida no mundo pelo seu Estudo Geral do que pêlos seus sanfermines, apesar de estes serem muito célebres. São já muitos os estudantes dos mais diversos países que se formaram aqui, e continuarão a vir cada vez mais; e, ao regressar às suas terras, deixam entre estes muros de pedras carcomidas pêlos anos um pedaço da sua alma que continua a chamar por eles onde quer que estejam."

de Josemaría Escrivá e a Universidade, Almedina, Coimbra, Maio 2003