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Tuesday, February 17, 2009

3 Anos - as Causas Perdidas

Passam hoje 3 anos desde que escrevi o primeiro post neste espaço. É giro recordar e reler o que é passado. Ver as diferenças na escrita e no pensamento. E nasce até, por vezes, alguma inveja da escrita do (meu)antigamente.

Hoje este é um espaço pouco cuidado. Os deveres universitários a isso o obrigam. Mas pergunto-me o que mudou. Pergunto quem é afinal a pessoa que escreve o que lêem nestas linhas?

Deus não me deu o dom de comunicar. Dificilmente consigo escrever de forma apreciável, ou de forma clara. No entanto há muitos que ainda não me abandonam e visitam por isso esta humilde casa.

No seu conteúdo encontram um pobre lista de posts, cuja quantidade - 388 para ser mais preciso - não serve como indicador do grau de qualidade, e a sua maioria versam sobre temáticas que hoje a poucos interessam, sendo isto justificado, em parte, pelo facto de todas elas nascerem da luta constante pela defesa de valores, que acabam sempre por sair derrotados. São no fundo, causas perdidas.

Digo-o tristemente e pergunto-me por vezes porque ainda me bato?
Hoje discute-se o casamento homossexual, ontem o aborto e amanha a eutanásia. Tudo batalhas que perdi.

Não me preocupa a derrota na medida que no fim sei que Aquele que me julgará sabe porque me bati. Mas hoje a derrota custa e pergunto-me se se justificam tantos custos. Conheço a derrota de antemão - mas vou a luta, porque algo maior me obriga a isso, pois que incutiu no meu coração deveres de justiça.

Anúncio por isso, que apesar destas adversidades, me juntei a alguns amigos e que tentamos agora reabrir à actividade a Associação Vida Universitária, que mais não é que uma associação que busca promover a vida e a família. o lançamento é feito amanhã, na Faculdade de Direito da Universidade Católica de Lisboa, numa conferência por nós promovida.

Não queria utilizar este post para fazer publicidade, mas hoje a blogosfera é um espaço de diálogo, que tem sido para mim uma verdadeira escola, pois que este é também um espaço de conhecimento.

Resta-me agradecer não só aqueles que visitam esta casa, e que hoje nela encontram pouca actividade, mas essencialmente aqueles que enobrecem e glorificam este mundo que é o dos blogs, tornando públicos textos de grande valor e riqueza que a muitos instruem (como é o meu caso!). O seu esforço é também serviço público.

É o caso dos autores da Voz Portalegrense, do Sexo dos Anjos, do Pasquim da Reacção, do Nonas, do Mas o Rei vai Nu!, do Reaccionário, do Por Causa Dele, do Vertus Ordo da recentemente partida Odisseia e o seu Horizonte, ou dos já distantes Afinidades Efectivas e Duro das Lamentações. (Perdoem-me aqueles de quem me esqueço neste instante - faço tensão de aqui os colocar mal me recorde).

Tuesday, January 13, 2009

As palavras de Afonso Queiró



Palavras proferidas pelo Director da Faculdade de Direito, Doutor Afonso Rodrigues Queiró, no funeral do Doutor António de Oliveira Salazar, em 27 de Julho de 1970.

SENHOR PRESIDENTE DA REPÚBLICA
SENHOR PRESIDENTE DO CONSELHO
SENHORES VICE-PRESIDENTE DA ASSEMBLEIA NACIONAL E PRESIDENTE DA CÂMARA CORPORATIVA
SENHORES MINISTROS, SECRETÁRIOS E SUBSECRETÁRIOS DE ESTADO
SENHORA VICE-REITORA DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA
MINHAS SENHORAS E MEUS SENHORES

Não sei desde quando vem sendo praxe académica usarem os decanos das Faculdades de Coimbra da palavra na circunstância do enterramento dos seus professores, para exaltarem a sua personalidade e celebrarem seus merecimentos e suas obras; sei apenas que ora me apetece infringi-la, a essa praxe, tanto excede os meus dotes desempenhar-me adequadamente da obrigação de o fazer em relação à figura insigne de professor que foi o Doutor António de Oliveira Salazar.

Creio, aliás, que, em alturas como esta, se deveriam omitir palavras profanas, que mais nos fazem reparar nas coisas precárias e caducas da existência terrena dos homens do que meditar nas eternas e transcendentes para que o supremo transç da morte inevitavelmente aponta.

Sem timbre na minha voz nem vigor no meu verbo que me elevem à altura do encargo de traçar aqui o perfil do Homem, em toda a sua grandeza, direi simplesmente, em dois apontamentos, muito breves, do professor — um professor que parecia, em Coimbra, pela austeridade da vida, pela simplicidade quase monacal dos hábitos, pela autoridade moral, pela plena dedicação e amor às tarefas do espírito, pelo equilíbrio do pensamento e da acção, pela dignidade do porte, pela seriedade em tudo posta, um clérigo-doutor que, tendo vivido e ensinado séculos antes no Studiutn Generale, miraculosamente houvesse transposto os sucessivos tempos secularizantes para, em pleno século XX, servir de paradigma a universitários, de exemplo a estudantes e de modelo a todos.

Ora sucedeu que esse professor o foi de um feixe de disciplinas que imediata ou indirectamente tinham que ver com os problemas mais candentes da existência colectiva do nosso País nos anos vinte e seguintes, quais eram principalmente, como toda a gente sabe, o da situação caótica das suas finanças, o da carência de um mínimo de infraestruturas, o do atraso da sua economia e o da desordem política e social; e que o seu ensino delas — designadamente da Ciência das Finanças, da Economia Política e da Economia Social — não fora teórico e conceptualista, racionalista e livresco: fora vivo e aderente às realidades nacionais, constantemente por ele invocadas para desmentir ou confirmar teses e doutrinas.

Quer dizer: a Escola preparou o estadista em que, passada uma década, pouco mais ou menos, sobre o início da sua docência, veio a transformar-se o professor. As soluções que, primeiro na pasta das Finanças e depois na chefia do Governo, fez consagrar nas leis e na diuturna acção política e administrativa, tinha-as ele perfilhado já nas suas aulas desde que em Coimbra sucedera a Marnoco e Sousa no ensino das disciplinas econó-mico-sociais da Licenciatura em Direito.

De tal modo os cursos de Oliveira Salazar haviam sido já, em si, um projecto de acção política, Logos e Praxis entrelaçados e conviventes, de acordo com a ideia de que «a ciência é uma forma de actuar», que mal daria por que ele passara da cátedra de Coimbra para a cadeira curul do Terreiro do Paço quem pudesse figurar-se a ouvi-lo, sem estar ao corrente desse facto, a fazer certas das suas lições universitárias ou a ler os preâmbulos e exposições de motivos de algumas das suas grandes reformas legislativas ou o texto de determinados discursos seus, sobre temas politico-sociais.

É que, na verdade, Oliveira Salazar, uma vez no Governo, continuou igual a si próprio: perante o grande auditório do País, continuou a ser o professor que fora, ante os seus alunos, atentos e maravilhados, nas aulas.

Aliás, não foram apenas a dignidade da palavra e a objectividade imperturbável e intransigente das ideias que fizeram compreender e sentir a toda a gente que o professor universitário se transferira, sem se transmudar, de Coimbra para Lisboa.

Levou também consigo, para o aplicar e fazer observar no governo e na administração pública, sem desfalecimentos, todo o cabedal daqueles princípios deontológicos que, ele e outros grandes Mestres da Faculdade de Direito, seus contemporâneos, tinham definitivamente firmado e feito triunfar no seio dela, reagindo, obstinada a quase heroicamente, contra as expressões mais degradantes da corrupção que havia penetrado na própria Universidade, a partir da sociedade política da época da baixo liberalismo.

Mais do que professor, entendido como especialista ou bom conhecedor de certa ou certas matérias, o Doutor Oliveira Salazar foi, porém, um filósofo das coisas sociais e políticas — e foi como tal que ele veio a ser governante excepcionalíssimo. Não é o professor de Finanças, de Economia e de Direito Fiscal que marcou uma época na vida política da Nação, por grandes e benéficas que tenham sido, e foram-no, realmente, no consenso geral, as consequências da sua acção na governação do País, à frente do departamento da Fazenda. Marcou uma época na nossa História, de preferência, o filósofo que se encobria na figura do professor universitário — bastando que o Destino lhe proporcionasse a ocasião, para o poder revelar, à frente do Executivo. Platão disse, no diálogo da República, que seria bom qde os filósofos se tornassem reis ou que os reis e os príncipes se tornassem filósofos. Verificou-se com Salazar, no nosso País, durante dezenas de anos, este voto. Salazar foi filósofo, porque o ornou a sabedoria, a coragem, a temperança e o espírito de justiça — virtudes cardiais do homem de Estado, como nesse diálogo se defende; foi-o, ainda, na medida em que desprezou a opinião e pôs toda a sua fé no saber e na ciência — e foi filósofo, finalmente, enquanto soube elevar-se à altura da expressão teorética das suas próprias ideias e conceitos sobre o Estado e a governação.

Eis, Senhoras e Senhores, uma das facetas do Homem que vamos deixar aqui, para sempre — a única, repito, que julguei ser do meu dever, na qualidade em que vos falo, pôr muito concisamente em destaque. Esse Homem não morreu. Vive, e viverá, porque subiu e passou definitivamente a pertencer ao mundo imperecível do Espírito.
Disse.

(Publicado no Boletim da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, vol.46, 1970, pág. 220 e ss)



Friday, September 26, 2008

E já que falámos de Salazar... ou Outra vez Salazar



Eis um dos primeiros testemunhos prestados sobre a pessoa e a obra de Salazar, nas semanas que se seguiram à sua morte, publicado no Diário de Moçambique, da cidade da Beira, em 2 de Agosto. O autor foi o prof. Adriano Moreira.

«De vela ao cadáver de Salazar, fui-me lembrando de muitos acontecimentos relacionados com a vida pública da nossa terra, em que a sua presença foi dominante. E também de alguns relacionados apenas com o seu modo de ser, que marcou o estilo do governo e da administração, e o estilo de uma geração de dirigentes. Dos que o seguiram e dos que o combateram. Todos marcados, na sua intimidade mais funda, pelo homem e pela sua acção.
Recordarei aqui duas imagens persistentes. Numa manhã de domingo, do ano de Angola Mártir, fui visitá-lo ao forte do Estoril. Como cheguei a pé, não tocaram a sineta que habitualmente chamava para abrirem os portões do caminho de acesso dos automóveis. Subi a breve escada que ali existe. Ao fundo do pátio, onde se encontra a capela, as portas desta estavam abertas. De frente para o altar, a sós com Deus, Salazar cuidava da toalha, e das flores e das velas. Pensei que não tinha o direito de surpreender esta intimidade. Regressei vagaroso pelo mesmo caminho. Pedi para tocarem a sineta. Quando voltei a subir a breve escada do pátio, já ele estava sentado na sua velha cadeira, mergulhado nos negócios do Estado. Era a imagem de um homem de fé segura, sabendo que haveria de prestar contas. A brevidade da vida iluminada pelos valores eternos. O poder ao serviço de uma ética que o antecede e transcende.
Acrescento outra imagem desse tempo. Recordo os discursos, as notas, as entrevistas, as declarações, em que sucessivamente definia a doutrina nacional de sempre para a crise da época. Tudo escrito pela sua mão. Mas depois, não obstante a urgência e a autoridade pessoal, tinha a humildade de chamar os colaboradores e, em conjunto, discutir, e emendar. A grandeza natural de quem pode aceitar dos outros, sendo sempre o primeiro.
E assim foi exercendo o seu magistério. Com fé em Deus e recebendo agradecido os ensinamentos do povo. Porque nunca pretendeu sabedoria superior à de entender e executar o projecto nacional. E nunca quis mais do que amar até ao último detalhe a maneira portuguesa de estar no mundo, preservando e acrescentando a herança.
O Ultramar foi a última das suas preocupações maiores. Como se, ao crescer em anos e diminuir em vida, quisesse guardar todas as energias para sublinhar a essência das coisas. Todos os cuidados para a trave mestra. Doendo-se por cada jovem sacrificado. Rezando, e esperando que o sacrifício fosse atendido e recompensado. De joelhos perante Deus e de pé diante dos homens. Humilde com o seu povo, orgulhoso perante o mundo.
Assim viveu, acertando ou com erros, mas sempre autêntico. Com princípios. O único remédio conhecido contra a corrupção do poder. E muito principalmente quando se trata de um poder carismático, como era o seu caso. Um desses homens raros que a fadiga da propaganda não consegue multiplicar. Porque ou as vozes vêm do alto ou não existem. Não há processo de substituir o carisma. Por isso, também, essa luz, que tão raramente se acende, é toda absorvida pelo povo, o único herdeiro. Soma-se ao património geral. Inscreve-se no livro de todos. Pertence à História. Transforma-se em raiz.
»

Adriano Moreira

In A Rua, n.º 56, 28.04.1977, pág. 14.

Saturday, February 23, 2008

O Post 301: Homenagem a Inteligentes

Sendo eu a mais vulgar de todas as pessoas do mundo, de pouco interesse e de fraca virtude intelectual, procuro como qualquer pobre por pão, algo que me torne diferente.
Por isso em vez de me limitar a ser vulgar como todos, e a usar um post de número certo como o 300, para postar reflexões blogosféricas, uso o 301º.
É verdade meus amigos e senhores visitantes.
Passados alguns dias do 2º aniversário desta casa, a realidade parece assustadora: constatei agora que já escrevi 300 posts.
E acredito que isso deve ser imensamente maçador para quem me visita, porque, a verdade é que até hoje ainda não escrevi nada de jeito, o que deve ser uma vergonha para toda e qualquer pessoa que aqui citei, nos meus 300 posts.
O espaço de um vencidismo que ainda não se efectivou, completado por um Salazarismo às vezes pouco compreensível.
Acreditem que é sempre mais difícil começar a perder, mas também muito mais aliciante. E talvez seja essa a minha motivação para me continuar a bater nesta luta contínua para mudar a realidade e este mundo que me rodei, apesar de crer que as guerras nas quais me bato estão condenadas à derrota. E é nisto que consiste este vencidismo.
E um Salazarismo idealista, mas sempre subordinado à razão, que apesar de teimar em ver uma figura romântica num homem que a todos parecerá vulgar, pertence à história deste nosso país, na qual escreveu páginas de extraordinária glória, e que tantos e tão teimosamente querem apagar, e pretendem julgar apenas pelos seus erros ou fatalidades.
Meus Senhores, este sou eu. O Católico e Português nacionalista, apaixonado pela história do seu país, e seus intervenientes, e que neste espaço busca o seu palanque para gritar à multidão e ao mundo, as verdades que julga esquecidas ou perdidas.
E bem sei que tantas vezes ignorantemente o faço.
Por isso mesmo quero e devo agradecer ao Mário, ao Demokrata, ao Paulo Cunha Porto, ao The_Hammer, ao Camilo, ao Nonas, ao FSantos, ao Prof.Humberto Nuno de Oliveira, ao Corcunda, e ao mais recente companheiro de blogosfera João Mattos e Silva, pela paciência que têm em me ler e não se irritarem, e em me aturar e deixar visitar os seus espaços blogosféricos, e por aqui passarem e perderem o seu tempo. Pessoas cujas qualidades os fazem pertencer ao grupo dos mais inteligentes intelectuais que neste país habitam, e que certamente agora é posta em causa por inúmeros desconhecidos que por aqui passam, e que só cá vêem gozar com a ignorância que é a maior característica e desgraça deste homem que aqui escreve, exactamente pela razão de essas mentes brilhantes aqui perderem o seu tempo.
A todos vós o meu obrigado e o abraço de um companheiro blogosférico, a quem o quiser receber.
Este é a homenagem que a vós presto como sinal do meu agradecimento.
E considerem-se incluídos aqui aqueles que por ventura me esqueci de referir neste maçador discurso, a quem peço já desculpa por esse facto, esperando que me alertem para tal acontecimento se se verificar, e a todos aqueles que por aqui passam sorrateiramente, sem nunca aqui terem deixado nenhum sinal da sua passagem.