Não há que temer a morte
Se vivente na verdade.
Ou pensas que Deus
se daria ao trabalho de morrer
se não hovesse mais nada,
se houvesse apenas morte.
A nossa vida pode ser só dor,
Cansaço(e sobretudo isso: Cansaço).
Mas isso só revela que ela
é muito superior a nós.
O homem que caminha cansado,
Pesam-lhe os braços
E do seu nariz pinga suor,
Ele, vive a vida.
Do homem que sofre,
Doi-lhe o coração
E dos seus olhos escorrem lagrimas:
Esse homem vive.
Do homem que pensa,
O homem que sente
E por vezes revela amor e raiva,
Ele nada mais faz, que viver.
E isso cansa-o?
Chateia-o?
Doi-lhe?
Fa-lo Sofrer?
Sim, talvez...
Mas isso só revela
que a vida lhe é superior,
E que por isso,
Nada contra ela deve atentar.
Não te condeno meu caro
Mas enganas-te se pensas
Que Ele não vale a tua vida.
Não quero que te mates,
Quero apenas que vivas com sentido.
Ou pensas que todos esses teus sonhos e ideias
Nascem apenas de ti?
Achas que o quue escrevo vem de mim?
Talvez, se virmos a sua fraca qualidade,
Mas aquilo com que tu ambicionas e sonhas
é grande de mais
para poder provir so do homem.
Sim, Ele merece a tua vida.
Merece muito mais do que isso,
Mas no entanto, Ele quer que a guardes
E uses para o bem.
Sinto a tua dor comigo
E sei o quanto ela era boa,
E sim, eu sei que custa,
mas tal como sabes,
A sua beleza era grande demais.
O seu empenho demasiado infinito.
Mas não tens que te culpar.
Ao querer ajudar, ela acabou por morrer.
Mas não foi culpa tua, não foi a tua ajuda que a matou.
A tua ajuda apenas a levou para um lugar melhor,
Um lugar seu, onde pode viver em paz.
O local para que ela foi destinada,
e onde é revelada a si na totalidade.
Porque Deus é assim:
Quando cumprimos tudo, leva-nos, ou imobilisa-nos;
Quando não cumprimos, vai-nos dando oportunidades para cumprirmos.
(o que por vezes não conseguimos e nos extinguimos, e o resto só depois veremos)
Cumprimentos do teu admirador
Vasco Inocêncio Marçal
Saturday, July 29, 2006
Monday, July 17, 2006
Luta da vida???? Deve estar enganado...
Estava agora a ler o Diario de Noticias e dou de caras com esta noticia:
http://dn.sapo.pt/2006/07/17/nacional/sim_aborto_referendo_e_combate_vida_.html
Confesso que ainda contenho uma certa irritação depois de ler isto.
Em primeiro porque "luta de vida" será de todos os titulos o menos indicado(como e que se coloca uma palavra como "vida", numa campanha que pretende aprovar o aborto); em segundo lugar, porque já estou farto deste assunto.
Estamos sempre a discutir os mesmos assuntos. Só porque a lei que o PS propõe não foi aprovada em devida altura, voltamos a votá-la. Deverá ser assimaté ao dia em que ganhem as eleições. Depois... disso já não se fala.
Outro ponto é esta cultura do "por a jeito", para não dizer pior. Sabemos lá com quantas pessoas nos encontramos na rua, que só nasceram por esta lei que pretendem aprovar não existir. Se são felizes? Não sei. Ninguém sabe. Só eles.
Mas sejamos razoáveis. Agora só porque e muito bom ir para a cama, e muito bom ter relações, vamos fazer isto todos os dias e depois vamos livrar-nos de responsabilidades. Se não querem crianças infelizes, não as criem.
Em vez de ensinarem e incentivarem as pessoas a ter relações, procurem preveni-las.
Assim evitam-se tristezas maiores do que as que se pretendem evitar.
http://dn.sapo.pt/2006/07/17/nacional/sim_aborto_referendo_e_combate_vida_.html
Confesso que ainda contenho uma certa irritação depois de ler isto.
Em primeiro porque "luta de vida" será de todos os titulos o menos indicado(como e que se coloca uma palavra como "vida", numa campanha que pretende aprovar o aborto); em segundo lugar, porque já estou farto deste assunto.
Estamos sempre a discutir os mesmos assuntos. Só porque a lei que o PS propõe não foi aprovada em devida altura, voltamos a votá-la. Deverá ser assimaté ao dia em que ganhem as eleições. Depois... disso já não se fala.
Outro ponto é esta cultura do "por a jeito", para não dizer pior. Sabemos lá com quantas pessoas nos encontramos na rua, que só nasceram por esta lei que pretendem aprovar não existir. Se são felizes? Não sei. Ninguém sabe. Só eles.
Mas sejamos razoáveis. Agora só porque e muito bom ir para a cama, e muito bom ter relações, vamos fazer isto todos os dias e depois vamos livrar-nos de responsabilidades. Se não querem crianças infelizes, não as criem.
Em vez de ensinarem e incentivarem as pessoas a ter relações, procurem preveni-las.
Assim evitam-se tristezas maiores do que as que se pretendem evitar.
Sunday, July 02, 2006
Confissão!
Peço desculpa aos leitores deste blog, a fraca postagem que ele tem tido, mas tudo tem uma razão, e eu vou explicar a minha.
Confesso que tenho pensado muito, e tenho um certo medo de escrever. Não por nenhum motivo especial, mas por um medo de ser parcial ou de falar erradamente. Não é dificil cair-se em erro, e desatar a falar de coisas, que por muito que tenhamos opinião, poderá não ser cem por cento certa.
Por isso(e assim me defendo), peço desde já desculpa quando "mentir" ou errar, mas isso é normal no homem, e como veem, não o farei por querer.
Confesso que tenho pensado muito, e tenho um certo medo de escrever. Não por nenhum motivo especial, mas por um medo de ser parcial ou de falar erradamente. Não é dificil cair-se em erro, e desatar a falar de coisas, que por muito que tenhamos opinião, poderá não ser cem por cento certa.
Por isso(e assim me defendo), peço desde já desculpa quando "mentir" ou errar, mas isso é normal no homem, e como veem, não o farei por querer.
Tuesday, June 27, 2006
Regressou....

Pois é....
Voltou....
Passado pouco tempo....
Regressou!
É inacreditável!
É impossível!
Não aguentou muito tempo longe...
Não suportou a distância!
Ele voltou...
Ele Voltou,
Ele Voltou!
Regresou o Jornal Blitz ás bancas desde 21 de Junho!
O que é bom nunca acaba!
(e como o Blitz voltou às bancas, espero também eu estar de volta a este blog)
Sunday, June 18, 2006
Pois é de pequenino....
Estava a circular pela internet e dei de caras com esta noticia!
"Países com mais cábulas são também os mais corruptos"
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=232593
Pois é.... é de pequenino que se torce o pepino!
(pedimos desculpa pela postagem ser pequena, mas os exames deixam pouco tempo!)
"Países com mais cábulas são também os mais corruptos"
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=232593
Pois é.... é de pequenino que se torce o pepino!
(pedimos desculpa pela postagem ser pequena, mas os exames deixam pouco tempo!)
Tuesday, June 06, 2006
Ultimamente
"Ultimamente tenho pensado e reparado no meu mundo. É bem verdade que ando feliz. Vivo uma felicidade só minha e que só me é possível através do contacto com outras coisas. Coisas que me são dadas. Coisas que por vezes além de objectos, são rostos e nomes. Não nego que por vezes fico triste. Mas ultimamente estou feliz.
Sempre vi na verdade a fonte de tudo o que hoje existe. Mas as pessoas tem o dom de aldrabar significados, e hoje eu já não sei o que devo pensar que é a verdade. Já cai neste planeta da incerteza, onde tudo é abstracto e nada é certo. Onde tudo é incerto, onde cada um tem o seu significado, cada um tem a sua interpretação, a sua verdade. Uma verdade que sempre foi muito simples e fácil de encontrar. Pelo menos é o que me parece, através da minha experiência. Olho à minha volta e vejo a verdade que há em mim. E existe tanta. Mas será esta verdade diferente da que te rodeia? Não sei.... Mas tu chamas-lhe outra coisa, e por vezes até chegas a querer apagar a minha. Vou-te contar Luís a minha história.
Eu sempre fui um homem de fé. Sempre tive amigos. Mas ultimamente tenho reparado que algo mudou. Nunca te escondi o que penso sobre muitos assuntos, e até hoje as coisas foram normais. Hoje reparei no que ultimamente se tem passado. Desde que manifestei a minha opinião sobre um tema que em nós existe em comum, a tua reacção, e também o teu comportamento se alteraram, mas nunca percebi porque. É verdade que posso ter ofendido os teu princípios e a tua experiência, e que também me rejeitei a seguir, aquele que Deus pôs na minha frente na vida, para seguir aqueles que me deram vida, mas sempre pensei que isso me ajudasse a ser mais teu amigo, e nunca um chato ou mesquinho homem, que apesar de, em tempos ter sido o teu melhor amigo, agora é um mero conhecido que tens(apesar de gostar de ti tanto como gostava, mas as circunstancias não permitem mostra-lo), e com o qual preferes manter distancia. É como a minha história com a Ana. Preferiu aquele que lhe mentia e a fazia sonhar, do que a mim, que apenas dizia a verdade. Mas também confesso que não é o único. Bem sei que todos aqueles que conheces (e que tem a mesma experiência que nós,)e me conhecem, dizem o mesmo. E para vocês eu sou apenas uma besta. Talvez fui em tempos um daqueles que poderia fazer numero e pertencer a uma mera elite de um grupo de pessoas que procura encontrar a verdade, e que agora, apenas porque discorda com alguma coisa, e um mero elemento que obstrui o caminho. Mas eu estou cansado de seguir a vossa verdade. Vou seguir aquela que me foi dada. A que me foi introduzida por aqueles que escolheram para me acompanhar e ensinar a viver. Porque essa é a verdade que eu conheço, e essa tem razões. Não se limita a um ceder à obediência. Alias obediência essa que é muito importante, mas controlada. Porque obediência sem limites é loucura. Não vou espalhar a razão como método de alcançar a verdade, e depois cair no inconsciente, na acção por mera ordem superior, que nem se percebe qual é razão. Nem obedecer por uma razão simples e de ultima hora, que no fundo não seja mais que uma desculpa. Porque isso é muito triste.
E bem sei que agora para vocês já não sou o mesmo. Agora sou talvez um revoltado. Uma besta qualquer. Sim uma besta qualquer, porque agora eu já não estou no mesmo circulo que vocês. Já não sirvo para fazer o que fazia antes, só porque contei a verdade.
Que triste!
Mas mesmo esta tristeza agora não interessa, porque eu estou feliz. Feliz pela companhia de coisas, pelo conhecer pessoas; pela verdade. Uma verdade que reconheço em cada coisa que me é dada e me dá alegria. Uma verdade que está aqui, e que só ultimamente descobri.
E a vida continua eu continuo a gostar dela. Maria! Maria! espera por mim..."
Vasco Inocêncio Marçal
Sempre vi na verdade a fonte de tudo o que hoje existe. Mas as pessoas tem o dom de aldrabar significados, e hoje eu já não sei o que devo pensar que é a verdade. Já cai neste planeta da incerteza, onde tudo é abstracto e nada é certo. Onde tudo é incerto, onde cada um tem o seu significado, cada um tem a sua interpretação, a sua verdade. Uma verdade que sempre foi muito simples e fácil de encontrar. Pelo menos é o que me parece, através da minha experiência. Olho à minha volta e vejo a verdade que há em mim. E existe tanta. Mas será esta verdade diferente da que te rodeia? Não sei.... Mas tu chamas-lhe outra coisa, e por vezes até chegas a querer apagar a minha. Vou-te contar Luís a minha história.
Eu sempre fui um homem de fé. Sempre tive amigos. Mas ultimamente tenho reparado que algo mudou. Nunca te escondi o que penso sobre muitos assuntos, e até hoje as coisas foram normais. Hoje reparei no que ultimamente se tem passado. Desde que manifestei a minha opinião sobre um tema que em nós existe em comum, a tua reacção, e também o teu comportamento se alteraram, mas nunca percebi porque. É verdade que posso ter ofendido os teu princípios e a tua experiência, e que também me rejeitei a seguir, aquele que Deus pôs na minha frente na vida, para seguir aqueles que me deram vida, mas sempre pensei que isso me ajudasse a ser mais teu amigo, e nunca um chato ou mesquinho homem, que apesar de, em tempos ter sido o teu melhor amigo, agora é um mero conhecido que tens(apesar de gostar de ti tanto como gostava, mas as circunstancias não permitem mostra-lo), e com o qual preferes manter distancia. É como a minha história com a Ana. Preferiu aquele que lhe mentia e a fazia sonhar, do que a mim, que apenas dizia a verdade. Mas também confesso que não é o único. Bem sei que todos aqueles que conheces (e que tem a mesma experiência que nós,)e me conhecem, dizem o mesmo. E para vocês eu sou apenas uma besta. Talvez fui em tempos um daqueles que poderia fazer numero e pertencer a uma mera elite de um grupo de pessoas que procura encontrar a verdade, e que agora, apenas porque discorda com alguma coisa, e um mero elemento que obstrui o caminho. Mas eu estou cansado de seguir a vossa verdade. Vou seguir aquela que me foi dada. A que me foi introduzida por aqueles que escolheram para me acompanhar e ensinar a viver. Porque essa é a verdade que eu conheço, e essa tem razões. Não se limita a um ceder à obediência. Alias obediência essa que é muito importante, mas controlada. Porque obediência sem limites é loucura. Não vou espalhar a razão como método de alcançar a verdade, e depois cair no inconsciente, na acção por mera ordem superior, que nem se percebe qual é razão. Nem obedecer por uma razão simples e de ultima hora, que no fundo não seja mais que uma desculpa. Porque isso é muito triste.
E bem sei que agora para vocês já não sou o mesmo. Agora sou talvez um revoltado. Uma besta qualquer. Sim uma besta qualquer, porque agora eu já não estou no mesmo circulo que vocês. Já não sirvo para fazer o que fazia antes, só porque contei a verdade.
Que triste!
Mas mesmo esta tristeza agora não interessa, porque eu estou feliz. Feliz pela companhia de coisas, pelo conhecer pessoas; pela verdade. Uma verdade que reconheço em cada coisa que me é dada e me dá alegria. Uma verdade que está aqui, e que só ultimamente descobri.
E a vida continua eu continuo a gostar dela. Maria! Maria! espera por mim..."
Vasco Inocêncio Marçal
Wednesday, May 31, 2006
O Título sem "Palha" nem Filosofia!

Quando criei um blog, não tinha como objectivo mostrar que penso na vida e na existência. Cada um terá a sua interpretação do que acontece na sua vida, quer isso possua um só significado ou não. Se fosse para isso faria o blog sozinho. Mas não.
Quis então criar um blog para manifestar opiniões, ou informar quem quer que seja que leia este blog, sobre todo o tipo de notícias que me apeteça comentar.
Tenho lido dúvidas, opiniões e comentários sobre o título deste blog, e por isso, como elemento que o baptizou, vou por um ponto final nesta questão. Chega de polémica.
Quem me conhece sabe que sou uma pessoa simples. Não gosto de teorias.
E que proponho é simples: Que tal olhar para o título de uma forma simples, sem teorias demasiado profundas ou filosofias?
Não digo que nenhum leitor tenha razão naquilo que diz, mas peço que se limitem àquilo que as coisas são. Se eu quisesse complicar teria feito um blog de ciências ou de matemática. Mas eu apenas criei um blog, onde alguns amigos escrevem textos.
“(…)Uma vez, a uma mesa do restaurante Tavares, reunimo-nos alguns amigos: o conde de Ficalho, o Ramalho Ortigão, o Oliveira Martins, o António Cândido, o Carlos Lobo de Ávila e eu. Lembrámo-nos de criar uma sociedade, como muitas que havia já noutros países da Europa. Um lugar onde pudéssemos conversar, debater problemas intelectuais... enquanto se comia. O Ramalho foi quem lançou a ideia e Oliveira Martins quem sugeriu o título, inspirado num comentário de La vie à Paris, de Jules Claretie sobre os grupos jantantes que aqui existiam. Dizia Claretie que esses jantares eram reuniões em que se encontravam os intelectuais «attristés souvent, bien changés, les uns glorieux, les autres battus de la vie». E Oliveira Martins disse: «Battus de la vie! Eis o que nós somos também - Vencidos da Vida. Propusemo-nos dar ao país «Vida Nova» e somos afinal de contas uns Vencidos da Vida».
(…)
Os Vencidos ofereceram o mais alto exemplo moral e social de que se pode orgulhar este país. Onze sujeitos que, desde há seis anos, formaram um grupo, sem nunca terem partido a cara uns aos outros; sem se dividirem em grupos de direita e de esquerda; sem terem nomeado entre si um presidente e um secretário perpétuo; sem arranjarem estatutos aprovados no Governo Civil; sem emitirem acções; sem possuírem hino nem bandeira bordada por um grupo de senhoras 'tão anónimas quanto dedicadas'; sem serem elogiados no Diário de Notícias, estes homens constituem uma tal maravilha social que certamente, para o futuro, na ordem das coisas morais se falará dos onze do Bragança como na ordem das coisas heróicas se fala nos onze de Inglaterra.”
Adaptação de textos de Eça de Queirós, em http://www.vidaslusofonas.pt/eca_de_queiros.htm
Lendo o excerto do texto, será tão simples (para quem nos conhece) identificar certas semelhanças com a nossa vida. Quantas vezes não estamos “nós” na minha casa a discutir sobre variadíssimos assuntos enquanto comemos. Obviamente não pus um nome ao acaso. Mas também as minhas razões nada têm de complicado. Parece-me bastante claro que também procuramos sempre a conclusão certa, a solução mais correcta, aquela que possa ser válida e que seja verdadeira, porque se não, porque discutiríamos? E claro que quando é verdade procuramos viver com ela e espalha-la por todos. Para que quereria eu a verdade? Para dizer que me pertence? Não!
E por fim somos um grupo de pessoas que nunca partiram “ cara uns aos outros;”nunca se dividiram “em grupos de direita e de esquerda; sem terem nomeado entre si um presidente e um secretário perpétuo; sem arranjarem estatutos aprovados no Governo Civil; sem emitirem acções; sem possuírem hino nem bandeira bordada por um grupo de senhoras 'tão anónimas quanto dedicadas'; sem serem elogiados no Diário de Notícias(…)”, etc.
Por tudo isto, e também por ser um admirador dos escritores da Geração de 70, eu dei este título a este blog, acabando (penso eu) assim com todas as duvidas.
Sunday, May 28, 2006
Ainda a propósito do título
Quando a Inês diz que «o artista não se prende a burocracias, nem tão pouco a avaliações externas, porque só ele tem consciência do verdadeiro valor da sua obra», eu tenho de dizer que não concordo com ela.
Não que eu considere que o artista tenha de se prender a burocracias ou que deva estar totalmente dependente de avaliações externas, porque, de facto, há sempre elementos pessoais em qualquer obra que podem passar imperceptíveis a sensibilidades menos apuradas ou a inteligências mais obtusas.
É o caso d' Os Maias quando se pretende dizer que a grande questão do livro é o confronto de dois métodos educativos diametralmente opostos, quando a grande questão do livro é, em última instância, a questão da liberdade humana.
Mas, em última análise, o artista depende do exterior, até porque a sua obra pretende (ou deve pretender, caso seja arte) retratar o real exterior. A realidade, tal como se apresenta, com tudo o que de claro e misterioso ela contém, deve ser o objecto do artista.
O horror da arte moderna nasce precisamente da eliminação do significado e da ordem. O repúdio da lógica leva o artista ao sonho, isto é, acaba por conduzi-lo a representar mais os frutos da sua imaginação do que a realidade.
Com a ausência de símbolos e significados a obra de arte moderna torna-se subjectiva e hermética. Quem poderá compreendê-la senão o próprio autor? E por que desejará que a sua obra seja compreendida? Não diria ele também «Eu odeio a objectividade gordurosa e a harmonia, essa ciência que encontra tudo em ordem» (Manifesto Dadá, 1918)?
O risco desta posição é a relativização da beleza, do bem e da verdade, é esta «ditadura do relativismo que nada reconhece como definitivo e que deixa como última medida apenas o próprio eu e as suas vontades.» (Cardeal Joseph Ratzinger).
Mas nós sabemos donde vimos. Não somos filhos da incerteza e da irracionalidade, nem do desprezo pelo ser e pela beleza concreta, inseparável do bem e da verdade. Não escrevemos, pintamos ou cantamos porque «sim», para nos fecharmos egoisticamente no nosso «eu», dando ares de grande profundidade e de resignação perante a incompreensão global.
Nós escrevemos, pintamos, cantamos, para dar testemunho da beleza do encontro com Cristo. E quando nos perguntam: «Mas porquê Cristo?» a resposta é clara: porque Cristo é o Verbo feito homem, é Deus, logo tem que ver com tudo. Deus tem que ver com tudo, nada Lhe pode escapar, porque se algum pormenor não fosse digno de ser relacionado com Ele, Ele não seria Deus.
É desta potência absoluta de Deus que nasce a nossa vitória. Jesus Ressuscitado é o facto supremo da nossa vitória. «Esta é a vitória que vence o mundo: a nossa Fé» (1 Jo 5, 4).
Friday, May 26, 2006
Os Vencidos da Vida
A propósito do nome...
"Para um homem, o ser vencido ou derrotado na vida depende, não da realidade aparente a que chegou – mas do ideal íntimo a que aspirava".
Como o Lourenço disse, o artista não se prende a burocracias, nem tão pouco a avaliações externas, porque só ele tem consciência do verdadeiro valor da sua obra...
"Para um homem, o ser vencido ou derrotado na vida depende, não da realidade aparente a que chegou – mas do ideal íntimo a que aspirava".
Como o Lourenço disse, o artista não se prende a burocracias, nem tão pouco a avaliações externas, porque só ele tem consciência do verdadeiro valor da sua obra...
Thursday, May 25, 2006
Como eu gosto de (tentar) ser artista! Parte I
É verdade que talvez para fugir ao que realmente sinto, fujo de escrever neste blog aquilo que me é pedido por mim próprio. Tenho muita coisa para dizer, mas certamente terei tempo para o fazer. Não procuro, como talvez afirmem os outros membros do blog, postar um texto por semana, e muito menos procurar falar de um tema concreto. Vou então falar do que quero e quando me apetecer, pois o artista "escreve" quando está inspirado e não de um modo burocrático, procurando falar do que lhe é pedido por fora, ou exigido por alguém. A sua principal engrenagem é o eu. O artista limita-se a escrever aquilo que é importante e aquilo que de facto o importa. Aquilo que de facto o marca e mexe consigo. Não afirma isto que o artista vive num mundo à parte. Não, nada disso. O artista vive num mundo igual a todos os outros, mas escuta-o, e não se preocupa com horas, dias ou instantes, para denunciar ou criticar o que nele acontece. E fala quando se preocupa, quando sente. Por isso não interessa a data nem a hora. Interessa sim que ele ouça e sinta. Por isso é possível escrever 100 post num dia, e nenhum num mês. Tudo depende do que se ouve, e de como se sente.
É este o meu modo de escrever num blog.
E é assim que eu pretendo iniciar a minha participação no blog. Demonstrando os pontos por onde me guiarei: não me concentrarei num só tema, nem num só estado de espirito, porque é impossivél ver sempre luz.
E o resto é couves....
É este o meu modo de escrever num blog.
E é assim que eu pretendo iniciar a minha participação no blog. Demonstrando os pontos por onde me guiarei: não me concentrarei num só tema, nem num só estado de espirito, porque é impossivél ver sempre luz.
E o resto é couves....
Wednesday, May 24, 2006
«Bem definitivo»
É a primeira vez que escrevo aqui, depois de me convidarem para pertencer ao blog.
E começo a minha actividade justamente com uma das passagens da poesia portuguesa que, na minha opinião, melhor testemunha o desejo de infinito que cada homem transporta.
Se tanto me dói que as coisas passem
Se tanto me dói que as coisas passem
É porque cada instante em mim foi vivo
Na busca de um bem definitivo
Em que as coisas de Amor se eternizassem
Sophia de Mello Breyner Andresen
E começo a minha actividade justamente com uma das passagens da poesia portuguesa que, na minha opinião, melhor testemunha o desejo de infinito que cada homem transporta.
Se tanto me dói que as coisas passem
Se tanto me dói que as coisas passem
É porque cada instante em mim foi vivo
Na busca de um bem definitivo
Em que as coisas de Amor se eternizassem
Sophia de Mello Breyner Andresen
Friday, February 17, 2006
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