Sunday, October 05, 2008

Estrangeirismos e Europeísmos


Há um complexo de inferioridade em Portugal que nos é característico, e que só não está presente quando falamos de futebol - como escrevia o João Pereira Coutinho, mesmo antes de qualquer competiçãos começar, já somos campeões.
Mas fora disso, temos uma incapacidade de acreditar em nós.
E pergunta-me o leitor porque digo isto?
Ora, ainda na semana passada assistia ao Prós e Contras (sobre a Lei do Divórcio) quando ouço alguém sentado na plateia dizer, para reforçar a sua argumentação, que "na Alemanha já se faz assim..." e que "em França já assim se faz...", etc. Isto tornou-se habitual nos debates em Portugal. Já assim foi com o Aborto e com outros tantos.
Pensei então para mim "como poderá Portugal tornar-se um país/mercado concorrencial, que dê luta em aos grandes países e potências mundiais?"
É e será impossível, salvo algumas excepções, pois para os Portugueses viver à portuguesa não existe. E se existe não tem valor. Há um fantasma no ar que nos leva a querer viver como todos os outros. E por isso ouvimos o que ouvimos em debates e discursos. Não acho mal olharmos para os outros países. Há certamente coisas boas que podemos e devemos aproveitar. Mas cada vez mais se fazem coisas por se fazer - faz-se cá porque lá fora também se faz.
Ando há dias a ler Giussani, que num dos seus livros, nos fala de Obediência. E nesse capítulo distingue a obediência cega (ou seja, o seguir em carneirada) e a obediência saudável, aquela que tem por base a razão. E é isso que nos falta: a razoabilidade.
Esta falta gera um desejo de querer ser igual aos outros e revela-nos um sentimento de inferioridade que nos tem caracterizado nas últimas décadas. E esta igualdade tem pretensões da abarcar todas as áreas da vida, passando esse objectivo, claro está, pelo domínio da criação legislativa, que cada vez mais é a mesma, ou quase a mesma em todos os países. Historicamente, notamos que este desejo a que a classe politica portuguesa não vira as costas, e antes estende a mão, acentua-se mais num passado muito recente. Mas, arrisco-me a dizê-lo, parece-me que "o ser português à portuguesa" está muito ligado, ou pelos menos as pessoas muito o associam, ao antigo regime, e que pela história - ou melhor, por quem a faz e escreve - não o saber, nem querer, julgá-lo correctamente, este abraçar de tudo o que é estrangeiro se torna cada vez maior.
Consequências?
Vejo muitas: mas a maior de todas talvez seja o fim do Estado pelo fim da nossa cultura. Assim se constroi o país Europa!
Pergunto-me porque não podemos ser diferentes? Qual é o mal que isso tem?

Prof. Doutor Manuel Duarte Gomes da Silva

Lisboa a 19 de Dezembro de 1915 - 11 de Maio de 1994

"(...)
A Grandeza e dignidade do homem, e a par e em contraste com elas a constante insatisfação, a fraquesa, e pequenez perante as audácias dos seus ideais, a caducidade, enfim - essas duas ordens de aspectos antagónicos cujo conflito exprime todo o dramam da humanidade, mas lhe permite também alcançar pela vitória dos valores superiores, a glória e a felicidade -, assentam as suas raizes, segundo a concepção cristã, na prórpia génese do universo e do tempo e na missão que neles foi atribuída ao género humano.
(...)"


Manuel Duarte Gomes da Silva em Esboço de uma Concepção Personalista do Direito: reflexões em torno do cadáver humano para fins terapêuticos e científicos, Separata da Revista da FDUL, vol. XVII, Lisboa, 1965, Pag. 61

Friday, September 26, 2008

E já que falámos de Salazar... ou Outra vez Salazar



Eis um dos primeiros testemunhos prestados sobre a pessoa e a obra de Salazar, nas semanas que se seguiram à sua morte, publicado no Diário de Moçambique, da cidade da Beira, em 2 de Agosto. O autor foi o prof. Adriano Moreira.

«De vela ao cadáver de Salazar, fui-me lembrando de muitos acontecimentos relacionados com a vida pública da nossa terra, em que a sua presença foi dominante. E também de alguns relacionados apenas com o seu modo de ser, que marcou o estilo do governo e da administração, e o estilo de uma geração de dirigentes. Dos que o seguiram e dos que o combateram. Todos marcados, na sua intimidade mais funda, pelo homem e pela sua acção.
Recordarei aqui duas imagens persistentes. Numa manhã de domingo, do ano de Angola Mártir, fui visitá-lo ao forte do Estoril. Como cheguei a pé, não tocaram a sineta que habitualmente chamava para abrirem os portões do caminho de acesso dos automóveis. Subi a breve escada que ali existe. Ao fundo do pátio, onde se encontra a capela, as portas desta estavam abertas. De frente para o altar, a sós com Deus, Salazar cuidava da toalha, e das flores e das velas. Pensei que não tinha o direito de surpreender esta intimidade. Regressei vagaroso pelo mesmo caminho. Pedi para tocarem a sineta. Quando voltei a subir a breve escada do pátio, já ele estava sentado na sua velha cadeira, mergulhado nos negócios do Estado. Era a imagem de um homem de fé segura, sabendo que haveria de prestar contas. A brevidade da vida iluminada pelos valores eternos. O poder ao serviço de uma ética que o antecede e transcende.
Acrescento outra imagem desse tempo. Recordo os discursos, as notas, as entrevistas, as declarações, em que sucessivamente definia a doutrina nacional de sempre para a crise da época. Tudo escrito pela sua mão. Mas depois, não obstante a urgência e a autoridade pessoal, tinha a humildade de chamar os colaboradores e, em conjunto, discutir, e emendar. A grandeza natural de quem pode aceitar dos outros, sendo sempre o primeiro.
E assim foi exercendo o seu magistério. Com fé em Deus e recebendo agradecido os ensinamentos do povo. Porque nunca pretendeu sabedoria superior à de entender e executar o projecto nacional. E nunca quis mais do que amar até ao último detalhe a maneira portuguesa de estar no mundo, preservando e acrescentando a herança.
O Ultramar foi a última das suas preocupações maiores. Como se, ao crescer em anos e diminuir em vida, quisesse guardar todas as energias para sublinhar a essência das coisas. Todos os cuidados para a trave mestra. Doendo-se por cada jovem sacrificado. Rezando, e esperando que o sacrifício fosse atendido e recompensado. De joelhos perante Deus e de pé diante dos homens. Humilde com o seu povo, orgulhoso perante o mundo.
Assim viveu, acertando ou com erros, mas sempre autêntico. Com princípios. O único remédio conhecido contra a corrupção do poder. E muito principalmente quando se trata de um poder carismático, como era o seu caso. Um desses homens raros que a fadiga da propaganda não consegue multiplicar. Porque ou as vozes vêm do alto ou não existem. Não há processo de substituir o carisma. Por isso, também, essa luz, que tão raramente se acende, é toda absorvida pelo povo, o único herdeiro. Soma-se ao património geral. Inscreve-se no livro de todos. Pertence à História. Transforma-se em raiz.
»

Adriano Moreira

In A Rua, n.º 56, 28.04.1977, pág. 14.

Coisas que Quero Guardar: Futuro Presente

Celebramos a alegria que é a de podermos ler a Futuro Presente.
As férias são para mim momentos importantes de estudo. E a Futuro Presente é uma excelente companhia que une atributos necessários e que facilitam esta minha tarefa: qualidade e quantidade.
Por essa razão, aqui deixo algumas leituras que nos parecem recheadas de interesse e que quero que permaneçam no meu baú, para mais tarde recordar.



“Os Anos de Salazar” de Nuno Rogeiro
SALAZAR GRANDE E PEQUENO 1
SALAZAR EM GRANDE E PEQUENO 2:O QUE É SER GRANDE
SALAZAR EM GRANDE E PEQUENO 3:AS ÉPOCAS DE SALAZAR(I)
SALAZAR EM GRANDE E PEQUENO 4:AS ÉPOCAS DE SALAZAR(II)
SALAZAR EM GRANDE E PEQUENO 5:O HETERÓNIMO DE PESSOA

“Ser Conservador: A Versão Anglo-Saxónica” de Miguel Freitas da Costa
SER CONSERVADOR: A VERSÃO ANGLO-SAXÓNICA - 1
SER CONSERVADOR: A VERSÃO ANGLO-SAXÓNICA - 2
SER CONSERVADOR: A VERSÃO ANGLO-SAXÓNICA - 3
SER CONSERVADOR: A VERSÃO ANGLO-SAXÓNICA - 4
SER CONSERVADOR: A VERSÃO ANGLO-SAXÓNICA - 5
SER CONSERVADOR: A VERSÃO ANGLO-SAXÓNICA - 6
SER CONSERVADOR: A VERSÃO ANGLO-SAXÓNICA - 7

A Transição Jaime Nogueira Pinto
A TRANSIÇÃO(APONTAMENTOS QUASE PESSOAIS)I
A TRANSIÇÃO (II): OS CANDIDATOS
MAIS "MEMÓRIAS DA TRANSIÇÃO" - III: O CLIMA CULTURAL

"O Que é a Verdade?"

Iniciei hoje a leitura de um novo livro, de edição recente. O autor é um dos maiores juristas portugueses da actualidade: o Professor Doutor Paulo Otero, Catedrático da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. E o tema é Salazar.

A Obra intitula-se Os Últimos Meses de Salazar - Agosto de 1968 a Julho de 1970 e é editada pela Almedina.
Tem como objectivo desbravar um período pouco discutido da vida de Salazar: os dois últimos anos de vida, em que sofre um acidente, fica incapacitado de governar, e vive os seus últimos dias em São Bento sobre uma farsa que foi montada à sua volta.



O livro, diz-nos o seu autor, não é uma obra como aquelas a que nos acostumamos a ler sobre Salazar. Aqui encontraremos uma homem, fraco, dependente e doente e não o político forte e autoritário. Talvez, arrisco a dizê-lo, um retrato humano, no sentido em que vemos realmente um homem, que do tudo passou ao nada. É o momento, é a situação, é a sequência de acontecimentos que levaram Fernando Dacosta a exclamar um dia, como nos conta na sua obra As Máscaras de Salazar, que até ao momento em que o Presidente do Conselho caiu da cadeira, ele considerava-o verdadeiramente um ser imortal e sem fragilidades.
Reforço esta minha ideia com uma outra diferente que nos é dada pelo próprio autor, que escreve logo no início: Trata-se de "uma reflexão sobre as relações entre a amizade e o poder: quem já teve o poder e deixou de o possuir, sem esperança de o recuperar, só então sabe quem são os seus amigos."

Outro ponto a ter em conta, e que o autor não prescinde de afirmar em Nota Prévia, é o facto de que para se compreender o 25 de Abril, ou antes, para o justificar-mos - não para o legitimar-mos, mas para o entendermos e para, nas próprias palavras do autor, compreendermos "as raízes do 25 de Abril" - é importante estudar-se este período de tempo, em que vemos um Américo Thomas publicamente oculto mas politicamente demasiado interventivo, e um Marcello Caetano que se foi "queimando" num jogo político que afirmava não ser seu forte, em grande parte por culpa de Américo Thomaz.
O autor diz-nos que Marcello Caetano "instrumentalizou Salazar" apesar de muito o respeitar, mas ao longo da leitura (e eu ainda não terminei) parece que poderemos dizer que ele próprio foi instrumentalizado por Américo Thomaz.

Por outro lado um livro revela-se cheio de interesse pelo debate que nele reside. O livro é da autoria de um professor, e como tal, ela é construída de forma didáctica. Perante cada questão colocada, o autor revela-nos as várias posições dos diversos autores e os argumentos que usam para sustentarem as suas teses, sendo que só no final de cada problema colocado encontraremos a opinião do autor; e também por nos tentar transmitir um pouco do que ocorreria na cabeça de Salazar vendo o que sucedia diante de si: a sua incapacidade e a sua sucessão, o seu "sequestro" em São Bento e o "novo mundo" que lá foi montado, como nos conta Paulo Otero.

Enfim, parece um leitura deveras interessante.

Tuesday, September 23, 2008

Knut Hamsun



Já era de esperar, pois assim sempre nos habituou, o amigo Mário, não se esqueceu de dar destaque à notícia publicada no último expresso.

Thursday, July 17, 2008

O que é bom tarda mas aparece: um inédito de Eça de Queirós

Quem diria que depois de tantos anos, ainda tens novas para contar!



O Expresso revelou-nos um texto nunca antes visto de Eça de Queirós, escrito sob o pseudónimo de João Gomes, e cujo motivo era o centenário da morte de Cristóvão Colombo.

Não partilhamos o mesmo olhar sobre a época dos descobrimentos que o autor revela neste texto, mas não deixa de ser um inédito de Eça de Queirós e um texto escrito de forma magnifica.

Aqui fica um excerto:

Ora, sempre que no século XVI se tratava de ir buscar um Mundo, quando não partia já um galeão espanhol, partia logo um galeão português. Em Cádis ou em Lisboa, havia constantemente um mareante, pronto a ir com alguns mapas incertos, e o coração posto em Deus, fundar, através dos mares, um reino novo. E se em 1492 Colombo não tivesse descoberto a América pelo norte, lá estava já Pedro Álvares Cabral que, em 1500, a descobriria pelo sul. Eram para esse continente mais oito anos de sossego e obscuridade ditosa!


(Para ler texto integral é favor clicar no excerto)

Wednesday, July 09, 2008

Mestrados para todos os Gostos



A texto é parte integrante do Diário da República, 2ª Série, nº51, 12 de Março de 2008.

Leiam bem:
Mestrado em Gestão e Manutenção de Campos de Golfe
Não é curso profissional, nem licenciatura, é mestrado! O doutoramento virá a seguir.
Na cauda da Europa, mas com todo o requinte - e com os nossos impostos.

Recebido por mail

Tuesday, July 08, 2008

Arte e Tradição



Quem monta é o Mestre David Ribeiro Telles.
Um verdadeiro Mestre na Arte de bem montar e tourear.

Jack London



Metade dos problemas do mundo deixaria de existir se as pessoas lessem um pouco mais.
Vejamos Sócrates: apanhado a fumar, o primeiro-ministro veio perante as câmaras pedir desculpa pelo facto (patético) e garantir aos portugueses que deixará esse nojento vício (inclassificável). Que o primeiro-ministro fume, é um problema dele. Que fume em local proibido, é um problema das autoridades. Que não se comporte como um homem adulto, é um problema nosso. Pior: em atitude que excede a paciência comum, o primeiro-ministro confessou não tolerar o «calvinismo moral» de quem o acusa e persegue. Em tempos politicamente correctos, regista-se a insensibilidade do engenheiro Sócrates perante as confissões calvinistas, que não lhe fizeram nenhum mal. E regista-se também a amnésia do senhor, que se queixa agora do que andou a promover no passado: o exacto tipo de espiolhagem e higienismo que espalhou pelo país. A legislação antitabágica, uma das mais absurdas e iliberais de toda a Europa, ilustra o ponto.
Por isso sugiro que a oposição envie para São Bento um esquecido livro de Jack London. Intitula-se The Assassination Bureau, Ltd. e é a história curial de uma empresa que elimina por encomenda pessoas consideradas «socialmente indesejáveis». Uma vez feita a proposta de extermínio, a empresa analisa o caso com rigor, investiga a história pessoal do alvo e, depois de avaliar o seu grau de «imoralidade», finalmente despacha-o com frieza burocrática. Tudo corre bem até ao dia em que tudo corre mal: o líder da empresa recebe uma nova proposta e descobre que a pessoa para abate, desta vez, é ele próprio. Não conto o fim, mas conto a moral evidente: todos os perseguidores, cedo ou tarde, convertem-se em vítimas da sua perseguição. Apesar da morte em 1916, London profetizava bem as máquinas autoritárias, e totalitárias, que acabam sempre por devorar os seus filhos. O engenheiro Sócrates devia ler Jack London. E aprender que quem gosta de tratar da saúde dos outros não pode espernear quando os outros desatam a tratar da nossa.

João Pereira Coutinho
Expresso, 08-05-24

Monday, July 07, 2008

Lembranças de um passado recente



Como yo te amo
Como yo te amo...
convencete..convencete...
nadie te amará

Como yo te amo...
como yo te amo
olvidate..olvidate
nadie te amará,
nadie te amará
nadie, por que...

yo!! te amo con la fuerza de los mares,
yo, te amo con el impetu del viento
yo, te amo en la distancia y en el tiempo
yo, te amo con mi alma y con mi carne
yo, te amo como el niño a su mañana
yo, te amo como el hombre a su recuerdo
yo, te amo a puro grito y en silencio
yo, te amo de una forma sobrehumana
yo, te amo en la alegria y en el llanto
yo, te amo en el peligro y en la calma
yo, te amo cuando gritas cuando callas
yo te amo tanto yo te amo tanto yo!

Como yo te amo..
Como yo te amo...
convencete..convencete...
nadie te amará

Como yo te amo...
como yo te amo
olvidate..olvidate
nadie te amará,
nadie te amará
nadie, por que...

yo!! te amo con la fuerza de los mares,
yo, te amo con el impetu del viento
yo, te amo en la distancia y en el tiempo
yo, te amo con mi alma y con mi carne
yo, te amo como el niño a su mañana
yo, te amo como el hombre a su recuerdo
yo, te amo a puro grito y en silencio
yo, te amo de una forma sobrehumana
yo, te amo en la alegria y en el llanto
yo, te amo en el peligro y en la calma
yo, te amo cuando gritas cuando callas
yo te amo tanto yo te amo tanto yo..!!

As lembranças vêm e vão. Esta voltou devido à leitura (mais uma) do Sexo dos Anjos.
(Nomeadamente por causa deste post)

Friday, July 04, 2008

How to fail in exams with dignity









Recebido por Email.

Tuesday, July 01, 2008

Tudo ao contrário!



Em Portugal, anuncia o Ministro Manuel Pinho, a descida do IVA vai permitir aos contribuintes (na sua totalidade) pouparem no supermercado, até ao final do ano, 20 milhões de euros. Ou seja numa população de 10 milhões, cada um poupa 2 euros!

Além disso a poupança é tanta, que esses 2 euros servirão para investir num qualquer bilhete dos transportes públicos que o contribuinte utilizar - o que é engraçado é que o aumento do preço do petróleo serviu de desculpa para aumentar também o metro e os autocarros a Gás Natural!!

Ou seja, para contribuintes, poupança não há nenhuma!
Nem vão dar por tal baixa pois a diminuição do IVA é compensada pelo aumento dos transportes.

Ao mesmo tempo que estas coisas se dão, recebem-se as notícias que Portugal perdoa dívida a Moçambique e a São Tomé e Príncipe de 249 milhões de euros, e que concede crédito de 100 milhões a Moçambique.

Tudo ao contrário!

Tuesday, June 24, 2008

As palavras de Alfredo Pimenta

Há muito que esta frase me ecoava na cabeça, mas um pouco distorcida.
Estava com algumas dificuldades em encontra-la na sua forma verdadeira e pura.
Assim sendo, e como estou em onda de citações, não deixo de a postar, pois mesmo sem motivo algum de especial, a sua beleza deixa-me sempre estarrecido.

Admirável coisa esta de defender causas vencidas, homens vencidos, sobre que as vagas alterosas da Vitória passam altaneiras e invencíveis! Com a sua defesa, não se colhem bens nem louros; colhem-se antes desgostos e lágrimas. Mas fica-nos a consciência tão límpida como água que brota de rocha virgem…

Alfredo Pimenta
in ‘Três Verdades Vencidas, Deus-Pátria-Rei’, p. 68, Lisboa - 1949



Roubada a um antigo post do amigo Mário, autor da magnifica Voz Portalegrense.

Sunday, June 22, 2008

As Belas Palavras de São Josemaría

Em recente conversa com um verdadeiro Mestre, veio à conversa uma leitura que a ambos já havia figurado, e cuja minha já se encontrava guardada numa das estantes, e que sem eu dar por isso, respondia a inquietações que me surgem de novo na alma.
Aqui fica um excerto que me chamou a atenção à primeira leitura.

"Amo com toda a alma esta minha pátria, com as suas virtudes e os seus defeitos, com a sua rica variedade de regiões, de homens e de línguas. Encanta-me atravessar essa Castela — paisagem de sulco e de céu — que faz os homens e os gasta; sinto-me catalão na Catalunha e sou aragonês de nascimento; admiro sem dissimular os férteis vales do Levante, as aldeias caiadas da Andaluzia, a dura contextura da Montanha. Mas tenho um ponto fraco — todos temos algum — e esse ponto fraco é Navarra, porque esta terra viçosa de arvoredos e campos ceifados, com a sua fé inquebrantável, o seu apego à tradição, a sua laboriosidade silenciosa e a sua moral sem mácula, parece ter sido especialmente disposta por Deus para que nela frutifiquem as obras de apostolado universal, que aqui são semeadas às mãos-cheias, seguras de que haverá boa colheita.
(...)
Eu disse, em certa ocasião, que o maior inimigo de Deus é a ignorância; estou convencido disso. Por isso quero que os meus filhos empreendam a batalha da doutrina;
(...)
Deste modo prestamos um serviço à Igreja, um serviço à Pátria e também um serviço, muito grande, a esta cidade. Não tenhais dúvida: hoje, Pamplona é mais conhecida no mundo pelo seu Estudo Geral do que pêlos seus sanfermines, apesar de estes serem muito célebres. São já muitos os estudantes dos mais diversos países que se formaram aqui, e continuarão a vir cada vez mais; e, ao regressar às suas terras, deixam entre estes muros de pedras carcomidas pêlos anos um pedaço da sua alma que continua a chamar por eles onde quer que estejam."

de Josemaría Escrivá e a Universidade, Almedina, Coimbra, Maio 2003

Sunday, June 08, 2008

Rencondita Harmonia por Pavarotti

Foi e última ópera apresentada esta época no Teatro Nacional de São Carlos, mas pode-se dizer, que foi claramente o ponto alto da época.
Eis um excerto da grandiosa ópera do enorme Puccini, interpretada por uma grande voz: assim se vai recordando Luciano Pavarotti.



Recondita armonia
di bellezze diverse!...
È bruna Floria,
l'ardente amante mia...
E te, beltade ignota
cinta di chiome bionde!
Tu azzuro hai l'occhio
Tosca ha l'occhio nero!
L'arte nel suo mistero
le diverse bellezze insiem confonde;
ma nel ritrar costei
il mio solo pensiero, Tosca, sei tu!


(Que recôndita harmonia
existe entre belezas diversas!...
Floria, a minha ardente amante,
é morena...
E tu, beldade desconhecida,
és coroada por cabelos louros!
Tu tens os olhos azuis,
Tosca tem os olhos negros!
A arte no seu mistério
combina entre si as diferentes belezas;
mas enquanto a pinto a ela
o meu único pensamento, Tosca, és tu!)

Coisas da Vida e Histórias que se ouvem em Direito

Acontecimento sucedido no CONCELHO DE BEJA (Alentejo)
Quando passarem por Beja, poderão certificar se é verdade ou não.......



O Registo Civil de Beja recebeu o seguinte requerimento:

Beja, 5 de Fevereiro 2006.

Eu, Maria José Pau, gostaria de saber da possibilidade de se abolir o sobrenome Pau do meu nome, já que a presença do Pau me tem deixado embaraçada em várias situações. Desde já agradeço a atenção despendida.
Peço deferimento, Maria José Pau.


Em resposta, recebeu a seguinte mensagem:

Cara Senhora Pau:

Sobre a sua solicitação da remoção do Pau, gostaríamos de lhe dizer que a nova legislação permite a remoção do Pau, mas o processo é complicado e moroso. Se o Pau tiver sido adquirido após o casamento, a remoção é mais fácil, pois, afinal de contas, ninguém é obrigado a usar o Pau do cônjuge se não quiser.
Se o Pau for do seu pai, torna-se mais difícil, pois o Pau a que nos referimos é de família e tem sido utilizado há várias gerações.
Se a senhora tiver irmãos ou irmãs, a remoção do Pau torná-la-ia diferente do resto da família. Cortar o Pau do seu pai pode ser algo muito desagradável para ele.
Outro senão está no facto do seu nome conter apenas nomes próprios, e poderá ficar esquisito, caso não haja nada para colocar no lugar do Pau. Isto sem mencionar que as pessoas estranharão muito ao saber que a senhora não possui mais o Pau do seu marido.
Uma opção viável seria a troca da ordem dos nomes. Se a senhora colocar o Pau na frente da Maria e atrás do José, o Pau pode ser escondido, pois poderia assinar o seu nome como "Maria P. José". A nossa opinião é a de que o preconceito contra este nome já acabou há muito tempo e visto que a senhora já usou o Pau do seu marido por tanto tempo, não custa nada usá-lo um pouco mais. Eu mesmo possuo Pau, sempre o usei e muito poucas vezes o Pau me causou embaraços.

Atenciosamente,

Bernardo Romeu Pau Grosso

Registo Civil de Beja

15/02/2006

(Recebido por E-mail)