Wednesday, May 28, 2008

Feira do Livro: 1ª Volta

Sendo longa a minha ausência nestas lides, e devendo algo aos leitores que, mesmo perante uma ausência de escrita, por aqui passam, cabe-me em jeito de redenção, informá-los das minhas compras de ontem à tarde. O local foi a Feira do Livro. O tempo foram aquelas duas horas em que a chuva não me enfrentou nem levou a melhor- sim porque mal começou a chover, corri para casa. Vi meia dúzia de barracas. Muito ainda ficou por ver. Esta prometida uma segunda volta.
Aqui ficam:





Thursday, May 22, 2008

A Intervenção à Portuguesa

Depois de ter ouvido as notícias, e de ter tomado conhecimento daquilo que há muito é patente e que para mim, sem me querer vangloriar, não passa de uma confirmação de algo que já tinha notado:Portugal é o país da UE com mais desigualdades na distribuição de rendimentos, achei por bem postar este vídeo de música Pimba -ainda pensei chamar-lhe popular, mas é impossível. Isto é claramente Pimba, e do forte!- que me parece bem a propósito. O seu autor é Nel Monteiro, e a atente-se que a música termina com uma profunda reflexão do próprio sobre o mundo actual.
Sem dúvida a ouvir. Mas com cuidado, porque a linguagem não é "propriamente própria" aos mais sensíveis e mais pequenotes.



PS: Cheguei a pensar escrever o nome da música no blog. Talvez aumentasse as visitas. Mas depois acordei e percebi que só iria denegrir ainda mais esta "casa", e além disso ninguém iria pesquisar a palavra "cagalhões".

Wednesday, May 14, 2008

Em jeito de autobiografia....

Quereis uma imagem e poucas palavras que fossem no entanto autobiograficas?
Ei-las:



"Voltei
ao casarão velho,
onde já tudo morreu...
Tirei
a venda ao espelho,
e olhei. Olhei, recuei.
Recuei, gritei:
- Era EU!"

(Rodrigo Emílio)

Em resposta ao pedido do amigo que (felizmente para todos nós) está VIVO E DE BOA SAÚDE!

Saturday, May 10, 2008

Porque Gosto de João Pereira Coutinho




ESSAS MULHERES

FOL, 27/11/2006

Escuta aqui, ó portuga: que ideia é que vocês, portugueses, têm dos brasileiros que vivem em Portugal? A pergunta foi frequente nos meus dias paulistanos. Em público ou privado, existia sempre alguém interessado em saber a opinião do patrício sobre os primos mais distantes. A minha resposta era invariavelmente a mesma: pessoalmente, gosto. Mas também confesso que falo mais do feminino do que do masculino. Digo mais: as mulheres brasileiras fizeram mais por Portugal do que séculos e séculos de permutas académicas, literárias, culturais.
O auditório feminista não gosta de ouvir. E confunde uma observação objectiva com segundas intenções. Não existem segundas intenções. Apenas as primeiras. As que ficam. E então acrescento: tempos houve em que 'beleza' e 'mulher portuguesa' não rimavam na mesma frase. O escritor Miguel Esteves Cardoso, que entendeu os portugueses melhor do que ninguém, comentava há uns anos que a imagem de uma mulher bonita, entre nós, era motivo para conversas infindas durante semanas infindas. Facto, Miguel, facto. Atendendo à escassez da espécie, a visão de uma mulher bonita tinha o impacto de um marciano que subitamente aterrava no fundo do quintal. Era um acontecimento. Era um choque. Era um meteorito cruzando os céus, deixando um rastro de fogo nas nossas imaginações carentes e lunares. A 'Mulher Bonita' era um ser de contornos mitológicos. Como as fadas. Os duendes. Os esquerdistas inteligentes. O resto era desolador. Rostos fechados. Pernas também. E o clássico bigode, que crescia por desleixo. Como as ervas daninhas de um jardim abandonado.
Tudo mudou. Milhares de brasileiros cruzaram o Atlântico. Milhares de brasileiras também. As ruas de Lisboa e do Porto foram inundadas por um certo calor tropical que deixou os homens assustados e maravilhados em partes iguais. Foi a nossa passagem do cinema mudo para o sonoro. Do preto e branco para a cor genuína. Adultos choravam nas esquinas das cidades, como pobres famintos a quem é oferecido um manjar celestial.
Claro que a chegada em massa de brasileiras em massa não contentou toda a gente. Não contentou as próprias mulheres lusitanas, subitamente atiradas para as cordas da concorrência internacional. Mas até aqui o liberalismo clássico revelou-se um profeta certeiro: a concorrência tende a melhorar o produto para alegria geral dos consumidores.
E o produto foi melhorado pela 'mão invisível' da competição hormonal. As portuguesas, dispostas a não perder a sua quota de mercado, deixaram que o jardineiro entrasse lá em casa, com tesoura de poda, pronto para cortar a rehra florestal. Subiram-se saias. Desceram-se decotes. Os portugueses descobriam, atónitos, que as suas mulheres também tinham formas de mulheres. Conheço casos de arr igos que, de um dia para o outro, concluíam que o irmão, afinal, era uma irmã. E, com a passagem dos anos e a chegada de mais mulheres brasileiras, 'beleza' e 'mulher portuguesa' passaram a rimar nos nossos dias subitamente líricos e solares. Já não havia uma única mulher bonita^ cruzar os céus dos nossos dias e capaz de alimentar conversas entre machos durante noites e noites de insónia febril. Havia uma mulher bonita todas as horas. Em todos os lugares.
Hoje, difícil em Portugal é não encontrar uma mulher bonita. O cenário já cansa; e nós, homens, sonhamos até, por motivos perversos e ligeiramente patológicos, vislumbrar uma feia. Só para descansar o olhar e arrefecer o corpo martirizado. Inútil. Mesmo as feias têm um certo encanto: a sensualidade real de quem compensa a ausência de formas com algum interesse de conteúdo.
Obrigado, Brasil. Um dia alguém irá escrever esta história: a história de como as mulheres brasileiras, cinco séculos depois de Cabral, descobriram, finalmente, Portugal. E de como os portugueses descobriram também as mulheres indígenas que tinham em casa. Sim, essas mulheres. Sim, as nossas mulheres: injustamente perdidas e escondidas na floresta amazónica da frigidez secular.

As Saudades do Sai de Baixo



Wednesday, April 30, 2008

A Igreja e O Estado, pelo Prof. Manuel Cavaleiro Ferreira

Morreu a 27 de Abril de 1992(fez à poucos dias 16 anos) o Professor Catedrático da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, Manuel Cavaleiro Ferreira.



"A separação da ordem temporal é uma conquista do cristianismo.
Mas nem por isso deixará de ser deturpada na teoria e na prática, mesmo nas sociedades cristãs. O erro é, na maioria das vezes, uma sombra da verdade.
O século XIX assistiu à vitória incontestada do individualismo como doutrina política. O Estado tomou por toda a parte as características do Estado liberal.
A liberdade do homem assenta nas verdades cristãs. O homem não se esgota na qualidade de quaisquer sociedades política ou não política, porque o seu destino ultrapassa o das sociedades terrenas que o envolvem. Filho de Deus para Deus caminha e a Ele regressa, pela sua vida e pela sua morte.
A pretensão de o sujeitar a uma disciplina humana omnicompreensiva de todo o seu destino equivale a destitui-lo da sua filiação divina encorporando na peregrinação terrena os fins de vida eterna.
E no entanto foi a liberdade individual o pendão da revolução na estrutura do Estado que o individualismo empunhou. Como pôde um princípio da liberdade atacar a fonte da verdadeira liberdade?
É que, no individualismo, a sociedade, e com ela o Estado deixará de ter uma fundamentação moral: a única realidade seria o próprio indivíduo, desligado da sociedade a que naturalmente pertence.
A Revolução Francesa, se por um lado proclamou o direito à luta contra a opressão e a plena exteriorização da liberdade individual, retirou, por outro lado, todo o fundamento moral à vida colectiva e ao Estado. O Estado seria apenas o guardião da liberdade individual, esta mesma, por sua vez, fim de si própria.
Em tais condições a vida social teria de ser orientada pelo princípio pragmático do interesse individual, cuja coexistência com os demais interesses individuais importava exclusivamente assegurar.
O homem concebia-se a si mesmo, como supremo dispensador de benesses, uma liberdade, como instrumento e como fim.
Afastada, porém, a base real e moral da própria liberdade, esta deveria destruir-se a si mesma. Os dois princípios da proclamação e da destruição da liberdade, pode por isso encontrar a sua origem na mesma Revolução."




O Professor tem um site a si dedicado com notas biográficas, e várias das suas obras e publicações.
Aconselho a todos visita (principalmente a Juristas).

Monday, April 28, 2008

A Alegria de haver Afinidades

Sem me surpreender, pois sabia que não se iria esquecer, também não deixo de postar hoje sobre a efeméride do dia. Não em jeito de culto saudosista, mas parece-me sempre irónico acabar de postar sobre o 25 de Abril e agora postar sobre Salazar, em mais um aniversário do seu nascimento.



«Ensinai aos vossos filhos o trabalho, ensinai às vossas filhas a modéstia, ensinai a todos a virtude da economia. E se não poderdes fazer deles santos, fazei ao menos deles cristãos»

«…as liberdades interessam na medida em que podem ser exercidas, e não na medida em que são promulgadas
»


Frases retiradas, claro está, do maior museu temático do país.
(em jeito de homenagem)

A Alegria de haver Afinidades

Por último mas muito mais importante, é o relembrar de uma data que devia ser comemorada em todo o mundo: o aniversário do nascimento de S. Vicente de Paulo a 24 de Abril. O Santo da Caridade, cuja vida e obra influenciou a do Beato Frederico Ozanam, um dos meus heróis, e a quem dediquei, num passado recente, um pequeno post.



A ler!

A Alegria de haver Afinidades

Mais uma coisa que só se encontra no Réprobo!

Sunday, April 27, 2008

A Alegria de haver Afinidades

O Nosso Réprobo habituou-nos a qualidade. Eu, que gosto de visitar a sua casa neste mundo blogosférico, surpreendo-me sempre que lá entro.
Por isso, e como o meu tempo tem sido curto para me dedicar a estas lides, inicio uma pequena serie de post, sobre alguns dos seus últimos escritos, e que a mim me fizeram nota o quão é bom haver Afinidades.
E por aqui começo.

É um facto que d'esta "vitória de Abril" eu também gosto! Pena é que a nossa(da nossa história é o que se pretende expressar)revolução de Abril não tenha terminado com uma vitória destas!



Se a revolução de Abril fosse assim, eu também tinha ido "para a rua gritar", sem que me obrigassem(ao contrário do que música professava).

(A senhora na imagem chama-se mesmo Victoria Abril, e é uma actriz espanhola)

Friday, April 25, 2008

25 de Abril de 1974, por Joaquim Paço d'Arcos

25 de Abril de 1974
Duzentos capitães! Não os das caravelas
Não os heróis das descobertas e conquistas,
A Cruz de Cristo erguida sobre as velas
Como um altar
Que os nossos marinheiros levavam pelo mar
À terra inteira! (Ó esfera armilar, que fazes hoje tu nessa bandeira?)
Ó marujos do sonho e da aventura,
Ó soldados da nossa antiga glória,
Por vós o Tejo chora,
Por vós põe luto a nossa História!
Duzentos capitães! Não os de outrora…
Duzentos capitães destes de agora (pobres inconscientes)
Levando hílares, ufanos e contentes
A Pátria à sepultura,
Sem sequer se mostrarem compungidos
Como é o dever dos soldados vencidos.
Soldados que sem serem batidos
Abandonaram terras, armas e bandeiras,
Populações inteiras
Pretos, brancos, mestiços (milagre português da nossa raça)
Ao extermínio feroz da populaça.
Ó capitães traidores dum grande ideal
Que tendo herdado um Portugal
Longínquo e ilimitado como o mar
Cuja bandeira, a tremular,
Assinalava o infinito português
Sob a imensidade do céu,
Legais a vossos filhos um Portugal pigmeu,
Um Portugal em miniatura,
Um Portugal de escravos
Enterrado num caixão d’apodrecidos cravos!
Ó tristes capitães ufanos da derrota,
Ó herdeiros anões de Aljubarrota,
Para vossa vergonha e maldição
Vossos filhos mais tarde ocultarão
Os vossos apelidos d’ignomínia…
Ó bastardos duma raça de heróis,
Para vossa punição
Vossos filhos morrerão
Espanhóis!


(atrevo-me a postar de novo este poema, desta vez mais inserido no contexto em que foi feito. Por essa razão me pareceu apropriado fazê-lo)

Há comparação?

Ontem, num programa televisivo do qual vi 20 minutos no total - pois sempre que lá parava ouvia desgraça - e que segundo sei se initula "O Corredor do Poder", ouvi um sujeito (que desconheço, mas se bem me lembro, era o representante do PS) dizer que se devia festejasr "devidamente" o 25 de Abril em deterimento do dia 10 de Junho.
Pode ser só confusão minha, mas como me parece ter ouvido bem, acho justificável a minha perplexidade.
Fica o confronto:



Quem saíra vencedor?

Digamos que o Camões já parte em desvantagem devido ao novo acordo ortográfico...

Thursday, April 24, 2008

Finalmente os Jornais começam a dar-lhe atenção

E eu bem sei que o propósito foi a Memória do Cónego Melo Peixoto, mas este facto pode já ser um grande sinal de que os "Média" começam a ler o que realmente tem qualidade e interessa.



Este pode - e particularmente espero que - seja o ponto de partida.

Monday, April 21, 2008

Centenário do Professor Paulo Cunha

Celebra-se este ano os 100 anos do nascimento do Prof. Dr. Paulo Cunha, advogado, professor Catedrático de Ciências Jurídicas, procurador da Câmara Corporativa na secção da Justiça, Ministro dos Negócios Estrangeiros, Embaixador, autor de diversos livros e opúsculos sobre assuntos jurídicos, volumes de lições universitárias e artigos publicados em revista de Direito.
Foi o único que obteve a classificação de «muito bom» na prova escrita do concurso para o cargo de Professor Extraordinário da Faculdade de Direito de Lisboa, sendo só igualado em 1956 pelo Prof. Dr. Pedro Soares Martinez.



É engraçado vê-lo hoje ser recordado por alunos seus, como é o caso do Prof. Dr. António Menezes Cordeiro, também Catedrático e outro génio do Direito, nas vésperas da comemoração do seu centésimo aniversário.
Lembre-se que o Prof. Paulo Cunha nasceu em Setembro de 1908, pelo que no mesmo mês do corrente ano devem ser publicados os respectivos estudos comemorativos que ainda se encontram em preparação. Para já ficamos com o capítulo da autoria do Prof. Dr. Menezes Cordeiro, intitulado Da Confirmação no Direito Civil.
Uma obra de grande interesse para qualquer jurista.

Saturday, April 12, 2008

Há coisas fantásticas não há?

Sempre gostei de conhecer criadores de arte.
Os chamados artistas. Não sei porquê, mas fascinam-me de uma forma imensa. Especialmente os músicos.
E não o compreendo por um motivo simples. Atente-se o exemplo: a música é universal. Não há ninguém que não goste dela. Cada um com o seu tipo ou género. Mas todos a ouvem, e cada um pinta na sua imaginação o quadro que mais lhe flúi ao sentir a vibração de cada nota que vai saindo de um instrumento. E talvez seja isso que as surpreenda, e que as atrai: a capacidade de individualizar o que é público e mundialmente conhecido. Mas muitas vezes isso fá-los ignorar quem as cria, ou então, pelo contrário, isso provoca um desejo incessante de os conhecer e querer segui-los de forma obsessiva e cega.
Mas cada música terá o seu propósito. A sua razão de ser. O seu motivo. Eu busco-o sem dúvida, mas temo não o alcançar. Certamente não o saberei interpretar objectivamente, e deixo-me levar pelo relativismo geral que fascina a maioria. No fundo o que ouço é também apenas meu, e corresponde a uma mera situação que idealizei.
Mas aquelas notas que me tocam profundamente levam-me antes de mais à procura da sua fonte: inicia-se a busca pelo seu criador. Deve ser fantástica a mente de um músico! Sinceramente deve ser espectacular. A capacidade de percepção da realidade que deve ter devem ser de tal forma superiores à minha, que lhe permite captar bem o que sente para depois transmiti-lo. É o saber ler a realidade e saber expressá-la.
É isso que me deixa fascinado. É essa raridade. É o dom deles.
Hoje, 12 de Abril de 2008, o David Fonseca toca no Coliseu de Lisboa.
E eu, que não poderei estar presente, contento-me com reflexões sobre música - onde a sua, para mim, tem grande relevo.

Friday, April 11, 2008

Conversas no Turf em torno de Os Vencidos da Vida

Uma obra em falta, dedicada aos "Vencidos" que pertenceram ao histórico Turf, realizado por descendentes seus e sócios do referido clube.



Sinopse:

Em 2007 completaram-se 120 anos do aparecimento dos “Vencidos da Vida”, grupo de onze intelectuais e políticos que marcou significativamente a vida social e política da época (1887-1894).
O Turf Club organizou neste ano um ciclo de oito conferências, relativas a sete desses amigos que fizeram parte do Turf – o conde de Ficalho, António Cândido, o marquês de Soveral, Carlos Lobo d’Ávila, o conde de Arnoso, Carlos de Lima Mayer e o conde de Sabugosa – e de um outro sócio que foi considerado Vencido “honorário” – Hugo O’Neill. O ciclo de conferências foi iniciado com uma Introdução de Filomena Mónica.
Perante a crise política e moral que se vivia na época, entendiam os onze “Vencidos da Vida”, que se reuniam regularmente no velho Hotel Bragança que, sem pretenderem ter uma afirmação ideológica precisa, era necessário uma intervenção determinada que trouxesse uma regeneração da vida política nacional desenquadrada do apodrecido rotativismo partidário.

Salazar - O Outro Retrato



A afabilidade em privado foi a característica e Salazar mais realçada na sessão de apresentação do livro "os meus 35 anos com Salazar", um relato de Maria da Conceição de Melo Rita - em livro escrito pelo jornalista Joaquim Vieira - que apresenta o ditador na sua intimidade.
"Salazar era um homem bom", foi assim que José Hermano Saraiva, historiador e ministro da Educação do Estado Novo, definiu o homem que durante mais de 30 anos governou Portugal.
Para o historiador, "a História é feita de patranhas e mentiras", e aquilo que sobreviveu até hoje foi uma imagem implacável de Salazar, o que no seu entender, não é verdade, acrescentando que "à medida que o tempo passar o nome de Salazar será cada vez maior".

Tuesday, April 01, 2008

Monday, March 31, 2008

O Estadista


(acho esta fotografia é giríssima)

O estadista é o bem mais escasso em política. Não se aprende a ser estadista, apenas se melhora como estadista. Nasce-se com essa qualidade, não se ganha essa qualidade. Ou se é, ou não se é.

O que identifica o estadista não é apenas a sua visão, mas a força mental em que assenta a sua lucidez.

É essa força que o disciplina no essencial, é essa força que o faz perseguir a grandeza antes do poder.

O núcleo essencial da sua energia é a ansiedade, aquele elo íntimo que une, de modo estranho, uma visão arriscada e uma vontade inevitável da cumprir essa visão.

A ansiedade é, superficialmente, impaciente, mas, no fundo, uma persistência enorme transforma-a num exercício sísmico de paciência.

O verdadeiro estadista não é o visionário de serviço, mas aquele com a sensatez estratégica que lhe permite obter o limite do possível e prosseguir linearmente.

O estadista, diz-se, pensa na próxima geração e não na próxima eleição. É fácil perceber porquê: só o horizonte vasto exercita a liberdade de espírito e permite valer a pena a explosão de energia que é essencial a um desígnio superior.

O estadista maça-se com o quotidiano, desconfia do sonho, abomina a ambição servil, tende a desvalorizar o que é menor, é cauteloso com o sentimento.

O sentido de Estado é uma bússola intuitiva na acção, é uma autodisciplina nas preocupações e um ideário inconsciente sobre os problemas.

O sentido de Estado é a ética e a estética de um estadista. A ética, porque não lhe ocorre o risco de pensar menor ou querer de menos. A estética, porque a obra-prima é a sua atracção, a sua definição.

O estadista conflitua com o seu tempo, ri-se e chora do seu tempo, projecta outro tempo.

O pudor da consistência é a sua arma principal, amassada em trabalho e na tal ansiedade que engrandece todas as fasquias e torna íngreme cada desafio.

O estadista tem mais do que coragem, tem desprendimento. Tem mais do que determinação, tem uma certeza tranquila. Tem mais do que ambição, a circunstância parece-lhe devida.

O estadista é o desejo mais profundo da intuição política de um povo. É incómodo no início, mas estável por fim. É o problema que traz a solução e não, como o povo se foi habituando, a solução que traz o problema.

A crise partidária radica na dificuldade em fazer emergir estadistas. Os intervalos entre estadistas são demasiado longos, é esse o problema da democracia moderna.

António Pinto Leite
No Expresso de 22 de Março de 2008

Saturday, February 23, 2008

O Post 301: Homenagem a Inteligentes

Sendo eu a mais vulgar de todas as pessoas do mundo, de pouco interesse e de fraca virtude intelectual, procuro como qualquer pobre por pão, algo que me torne diferente.
Por isso em vez de me limitar a ser vulgar como todos, e a usar um post de número certo como o 300, para postar reflexões blogosféricas, uso o 301º.
É verdade meus amigos e senhores visitantes.
Passados alguns dias do 2º aniversário desta casa, a realidade parece assustadora: constatei agora que já escrevi 300 posts.
E acredito que isso deve ser imensamente maçador para quem me visita, porque, a verdade é que até hoje ainda não escrevi nada de jeito, o que deve ser uma vergonha para toda e qualquer pessoa que aqui citei, nos meus 300 posts.
O espaço de um vencidismo que ainda não se efectivou, completado por um Salazarismo às vezes pouco compreensível.
Acreditem que é sempre mais difícil começar a perder, mas também muito mais aliciante. E talvez seja essa a minha motivação para me continuar a bater nesta luta contínua para mudar a realidade e este mundo que me rodei, apesar de crer que as guerras nas quais me bato estão condenadas à derrota. E é nisto que consiste este vencidismo.
E um Salazarismo idealista, mas sempre subordinado à razão, que apesar de teimar em ver uma figura romântica num homem que a todos parecerá vulgar, pertence à história deste nosso país, na qual escreveu páginas de extraordinária glória, e que tantos e tão teimosamente querem apagar, e pretendem julgar apenas pelos seus erros ou fatalidades.
Meus Senhores, este sou eu. O Católico e Português nacionalista, apaixonado pela história do seu país, e seus intervenientes, e que neste espaço busca o seu palanque para gritar à multidão e ao mundo, as verdades que julga esquecidas ou perdidas.
E bem sei que tantas vezes ignorantemente o faço.
Por isso mesmo quero e devo agradecer ao Mário, ao Demokrata, ao Paulo Cunha Porto, ao The_Hammer, ao Camilo, ao Nonas, ao FSantos, ao Prof.Humberto Nuno de Oliveira, ao Corcunda, e ao mais recente companheiro de blogosfera João Mattos e Silva, pela paciência que têm em me ler e não se irritarem, e em me aturar e deixar visitar os seus espaços blogosféricos, e por aqui passarem e perderem o seu tempo. Pessoas cujas qualidades os fazem pertencer ao grupo dos mais inteligentes intelectuais que neste país habitam, e que certamente agora é posta em causa por inúmeros desconhecidos que por aqui passam, e que só cá vêem gozar com a ignorância que é a maior característica e desgraça deste homem que aqui escreve, exactamente pela razão de essas mentes brilhantes aqui perderem o seu tempo.
A todos vós o meu obrigado e o abraço de um companheiro blogosférico, a quem o quiser receber.
Este é a homenagem que a vós presto como sinal do meu agradecimento.
E considerem-se incluídos aqui aqueles que por ventura me esqueci de referir neste maçador discurso, a quem peço já desculpa por esse facto, esperando que me alertem para tal acontecimento se se verificar, e a todos aqueles que por aqui passam sorrateiramente, sem nunca aqui terem deixado nenhum sinal da sua passagem.

Manifesto pelo Conservadorismo!



E ai está o nosso Réprobo, a manifestar-se pela tradição!


Thursday, February 21, 2008

SALAZAR, O ABANDONO


«Hão-de dizer muito mal de mim. É por isso que eu dou importância à publicação dos livros brancos: explicarão como se defenderam os direitos portugueses, e o cuidado e o pormenor com que isso se fez.»

Por entre o rol dos discursos de Salazar, existe uma página particularmente significativa no que se refere à sua capacidade de prever o futuro. Foi escrita em 1958, quando já trinta anos tinham corrido sobre o momento em que tomara conta da pasta das Finanças para não mais deixar o governo do País. Mas poderia tê-lo sido hoje, tão actual e lúcida se revela no julgamento dos homens e no abandono a que a história o havia de condenar post mortem.
Refiro-me ao seu discurso de 1 de Julho de 1958.
Como é sabido, Salazar nunca improvisou o pensamento ou a palavra.
Meditava, concebia, compunha em silêncio, e lia depois em público o que havia elaborado na intimidade do seu gabinete. De onde o rigor terminológico e doutrinário das suas intervenções, e também da peça que nos importa reter aqui.

Naquele texto, após aludir ao problema da longevidade dos governantes e considerar que a questão se colocava em Portugal relativamente a si próprio, o então Chefe do Govemo rematava com duas importantes passagens do Novo Testamento, ambas extraídas da paixão de Cristo: o abandono do Mestre e a traição de S. Pedro. “Muito desejara eu que todos os que são guindados às culminâncias das honrarias e do poder e o julgam sua pertença e direito, ou alguma vez gozaram dos favores da multidão, meditassem um pouco a paixão de Cristo como é descrita em qualquer dos Evangelhos. Há sobretudo dois pontos dignos de reparo.” O primeiro – escreve – é o que se refere à apoteose, ao verdadeiro triunfo popular de Cristo aquando da sua entrada em Jerusalém, no domingo de Ramos, e à sua desgraça escassos dias depois, entregue que foi a uma morte desonrosa na cruz. “Em quatro dias – anota Salazar -, que tantos são os que vão de domingo a quinta-feira, secaram as flores, murcharam as palmas e os louros, calaram-se os hossanas e os vivas e até as gentes miraculadas não consta que tornassem a aparecer.”

O segundo passo digno de registo diz respeito a S. Pedro, caput dos Apóstolos, clara “emanação da natureza”, homem “aberto, simples, leal, firme na amizade como uma rocha”, sobre quem o Mestre quis edificar a sua igreja. Suspeito na noite mesma da detenção do Senhor de fazer parte da sua gente, havia de negar três vezes que o conhecia, num gesto que ficou para sempre como “o protótipo da traição, a traição pura”.

E Salazar prossegue: “Ainda se pode admitir que a amizade houvesse diminuído, que a fé se entibiasse, que o futuro se deparasse incerto quanto à aceitação da nova doutrina. Mas o conhecimento pessoal do Mestre, esse era um facto incontroverso.” E por isso Cristo há-de ter sentido uma “tristeza infinita”, a tristeza que inunda “uma alma acusada sem provas e condenada inocente.”

Temos aqui, por conseguinte, num único fragmento de texto, duas faces da mesma moeda: o abandono e a traição.
Duas fortes, irredutíveis realidades. Qual o significado delas? Qual a oportunidade do seu emprego naquela conjuntura?
Pode afirmar-se, sem margem para erro, que o tema da deslealdade humana vinha ocupando o espírito de Salazar desde há muito. Revela-o, quanto à inconstância das multidões, uma entrevista concedida a António Ferro em plena época carismática, na qual, respondendo a uma pergunta do jornalista sobre porque é que não era mais acessível à multidões que o vitoriavam, Salazar afirmava não poder adular o povo sem ir contra a sua consciência e que o Estado Novo, sendo embora um regime popular, não era todavia um governo de massas.

Revela-o de igual modo uma frase dita a Christine Garnier acerca da volubilidade da opinião pública: “Os que desejam aplaudir-me hoje hesitariam em desviar-se de mim se outra paixão se apoderasse deles?”
Político hábil, bom conhecedor da natureza humana, educado à sombra dos moralistas de outrora – um António Vieira, um Heitor Pinto, um Manuel Bernardes –, Salazar sabia que, valendo as coisas na proporção do que custam e exigindo os grandes ideais grandes renúncias, a lealdade era na vida planta frágil. Lealdade a tudo quanto fosse relevante: um princípio, uma crença, uma instituição, uma pessoa. Lealdade, em última análise, à própria consciência subjectiva, que consiste em descer o indivíduo ao fundo de si mesmo para ouvir a sua voz interior e ordenar-se por ela.

Sabia, por isso, que são muito mais abundantes no mundo os homens de meios que os homens de princípios, os homens de interesses que os homens de ideais, os homens de ocasiões que os homens de convicções.

A grande maioria dos cidadãos serve, com efeito, o poder onde quer que ele esteja, e os poderosos onde quer que os encontre.
Até o próprio S. Pedro.
A atitude de Pedro ilustra uma constante da conduta humana, que é a fuga nos momentos de risco. Se o apóstolo veio a arrepender-se depois e a arrostar pela vida fora com as maiores provações, aquilo que o distingue do ser mediano não é a queda in se, a traição, a infidelidade, mas justamente o contrário – o arrependimento, a contrição.
Ora, a exemplo de todos os bons governantes, Salazar não ignorava esta lei da vida. Sendo os homens como são, sabia que tão logo abandonasse o governo, mediante renúncia, incapacidade ou morte política, alguns dos amigos da véspera, dos colaboradores, dos seguidores, dos aduladores, agindo com reserva mental, ficariam dispostos a colaborar com o novo Príncipe.

Simplesmente, observa-se aqui um fenómeno curioso: à medida que ele próprio se ia pombalizando (no dito de espírito de Afonso Lopes Vieira), à medida que o poder, pela passagem do tempo, se lhe ia convertendo numa segunda natureza, mais a questão da deslealdade humana parecia cativá-lo. É o que induzem os factos, independentemente do juízo que deles se faça.
Senão vejamos.
Em 1958 aborda e espiritualiza o tema no citado discurso de 1 de Julho.
Na década de 60 várias vezes o retoma. Assim, a Pedro Theotonio Pereira afirma que não vai deixar memórias mas que as escrevesse ele e contasse a verdade, relatando o que tinha visto e ouvido.
A Franco Nogueira comenta, num prognóstico claro: “Cheguei ao fim. Os que vierem depois, vão fazer diferente ou vão fazer o contrário e contra mim.”

Significativo é também o episódio da inauguração da ponte sobre o Tejo, ocorrido em 1966. Salazar efectua uma visita prévia à ponte com Arantes e Oliveira e vê o seu nome implantado em letras de bronze nos respectivos padrões. Pergunta ao ministro: “As letras estão fundidas no bronze ou simplesmente aparafusadas?”. Porquê? “É que se estão fundidas no bloco de bronze vão dar muito mais trabalho a arrancar.” E, na sequência, explica aos presentes: a ponte ficou com o nome Salazar por insistência do Presidente da República mas isso “é um erro”: “os nomes de políticos só devem ser dados a monumentos e obras públicas cem ou duzentos anos depois da sua morte. Salvo os casos de Chefes do Estado, sobretudo se estes forem reis, porque então se está a consagrar um símbolo da Nação.” Após o que vaticina, apontando com o indicador: “O meu nome ainda há-de ser retirado da ponte. Por causa do que agora se fez, os senhores vão ter problemas.”

Gonçalo Sampaio e Mello
Jurista
Excerto do Texto Públicado na Revista Magazine Grande Informação

(Mas que belo texto Senhor Professor!)

Monday, February 18, 2008

UM EQUÍVOCO ou .....SÓCRATES NO SEU MELHOR...E UMA REMODELAÇÃO ULTRA-RÁPIDA...


José Sócrates tem, como deve saber, um assessor cultural. Trata-se de um típico intelectual luso, minimalista, de negro sempre vestido, triste e crítico de todas as artes, em tempos assessor de ... Manuel Maria Carrilho.
Chama-se Alexandre Melo, pertence como não podia deixar de ser ao lobby gay e é grande amigo de outro célebre crítico de arte, também de negro sempre vestido, cujo nome é ANTÓNIO PINTO RIBEIRO, antigo funcionário da Gulbenkian e agora da Culturgest.
Sócrates telefonou ao seu assessor a quem pediu que lhe indicasse o nome de alguém para substituir a Isabel Pires de Lima no Ministério da Cultura e o seu assessor, sem hesitar, indicou António Pinto Ribeiro. Logo a seguir, telefonou o A.Melo ao amigo Pinto Ribeiro a quem preveniu que em breve lhe telefonaria Sócrates a convidá-lo para Ministro da Cultura.
Exultaram os dois, e o indigitado futuro ministro ficou de olho e ouvido no telefone à espera de um telefonema que não havia maneira de chegar.
Entretanto, Sócrates, no seu gabinete, solicita que o ponham em contacto com o Dr. Pinto Ribeiro.

A telefonista procede com prontidão visto ter à mão uma lista de todos os funcionários superiores de todos os ministérios, um dos quais é o Dr. JOSÉ ANTÓNIO PINTO RIBEIRO, advogado de formação e profissão mas exercendo as funções de Presidente da Colecção Berardo no CCB, lugar para onde fora nomeado por ter sido o advogado intermediário entre o Joe Berardo e o Primeiro-Ministro por alturas da escandalosa história da transferência da chamada Colecção Berardo para o Centro Cultural de Belém!
Sócrates cumprimenta-o calorosamente e convida-o para Ministro da Cultura, julgando estar a falar com o outro Pinto Ribeiro, o "agente cultural", que lhe havia sido calorosamente recomendado pelo seu diligente assessor cultural.
Muito à portuguesa o interlocutor a quem por equívoco Sócrates estava a convidar para Ministro da Cultura respondeu imediatamente que aceitava SEM FAZER QUALQUER PERGUNTA a Sua Excelência.
Sócrates desliga o telefone e informa o assessor do facto de ter o Pinto Ribeiro aceite o convite. O assessor dá-lhe parte do seu regozijo e telefona logo a seguir ao amigo para o felicitar e só nesta altura se apercebem ambos de como de enganos é feita a vida política em Portugal.

Sunday, February 17, 2008

2 Anos

Bem, parece-me que este Blog faz anos hoje...
(até acho que foi ontem!)


Para dias como este, nada melhor que Je Sais de Jean Gabin

Saturday, February 09, 2008

Nem Mais!

"todos se equivaleram no seu ódio a Portugal (encarado como um país com uma história que não inclui apenas os aspectos que nos agradam) e na sua relativização de valores (um comunista que passou pela tortura do sono merece-lhes compaixão, um chefe de Estado que é morto à queima roupa não)"

O Bravo

Nasceu hoje, precisamente à 718 ano, D. Afonso IV, Rei de Portugal.



É lembrado como um soldado e comandante corajoso, que justifica o seu cognome.
Os Historiadores e biógrafos descrevem-nos como um homem de grande coração e resoluto nas matérias que empreendia. De testa grande e muito quebrada. Rosto Largo. Nariz grande e um tanto levantado no meio. Boca grande. Cabelo castanho e de corpo robusto.

A nível administrativo foi é de destacar o acerto das leis da publicação dos testamentos, sisas, almotacés e protecção de ourives.
Também foi responsável pelo fim da vindicta (consistia no direito de o vitimado fazer justiça pelas próprias mãos), ficando esse poder a cargo do rei e dos oficiais de justiça.

A enorme importância dada à marinha portuguesa por Afonso IV é outro dos pontos altos do seu reinado. Seguindo o projecto político iniciado por seu pai, subsidiou a construção de uma marinha mercante e financiou as primeiras viagens de exploração Atlântica. As Ilhas Canárias foram descobertas no seu reinado, e deram origem a uma grande polémica, que o levaria em 1345 a escrever uma carta ao papa Clemente VI, afirmando a prioridade sobre a ocupação dos territórios feita em 1339, devido a ter sido Portugal o primeiro a enviar a estas ilhas, em 1336, uma armada de reconhecimento e conquista. Só por curiosidade, os castelhanos não reconheceram esta pretensão portuguesa, tal como todas as seguintes, ficando este conflito apenas resolvido em 1480, quando Portugal reconhece a Castela a possessão dos territórios onde estes se encontravam, ficando Portugal com o privilégio de expansão para sul.
É no seu reinado que se verificam as primeiras tentativas de incursão em território africano.

Envolveu-se em lutas com o Afonso XI, rei de Castela e seu genro, por este mal tratar sua filha, a princesa D. Maria.

Friday, February 08, 2008

Um expoente da música Portuguesa

O João Mattos e Silva lembrou (e ainda bem que o fez) o 178º aniversário da morte de Marcos Portugal.



Não sendo uma data festiva (178º não é 200º nem 500º nem 150º) é importante lembrar efemérides como esta, não sendo nunca tarde para lembrar os grandes nomes da cultura portuguesa, e não sendo sequer necessária uma desculpa para os homenagear.
Um dos maiores organistas e compositores barrocos portugueses, morreu no Rio de Janeiro por ter acedido ao pedido do então príncipe Regente, D. João (mais tarde D. João VI), para viajar para terras brasileiras, onde foi recebido com enormes honras e onde foi nomeado compositor oficial da Corte e Mestre de Música de Suas Altezas Reais os Infantes.
Apesar de em vida ter atingido um enorme sucesso, não só em Portugal, mas por toda a Europa, morreu no esquecimento.



Modinha de Marcos António Portugal (1762-1830) dedicado à Princesa do Brasil D. Carlota Joaquina.
Gravado no Museu de Aveiro na sala de lavor da Princesa Santa Joana

Thursday, February 07, 2008

A Bela Obra do Enginheiro José



QUEM QUER VER A BELA OBRA DO NOSSO PRIMEIRO MINISTRO?

Mais uma Golpada – ERSE

(pediram-me para divulgar)

Era uma vez um senhor chamado Vasconcelos...* A história podia começar assim, como qualquer história de encantar crianças, se é que às crianças de hoje ainda se contam histórias de encantamento e final feliz.

Mas era uma vez um senhor chamado Jorge Viegas Vasconcelos, que era presidente de Uma coisa chamada ERSE, ou seja, Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos, organismo que praticamente ninguém conhece e, dos que conhecem, poucos devem saber para o que serve. Mas o que sabemos é que o senhor Vasconcelos pediu a demissão do seu cargo porque, segundo consta, queria que os aumentos da electricidade ainda fossem maiores.

Ora, quando alguém se demite do seu emprego, fá-lo por sua conta e risco, não lhe sendo devidos, pela entidade empregadora, quaisquer reparos, subsídios ou outros quaisquer benefícios. Porém, com o senhor Vasconcelos não foi assim. Na verdade, ele vai para casa com 12 mil euros por mês – ou seja, 2.400 contos – durante o máximo de dois anos, até encontrar um novo emprego.

Aqui, quem me ouve ou lê pergunta, ligeiramente confuso ou perplexo: «Mas você não disse que o senhor Vasconcelos se despediu?». E eu respondo: «Pois disse. Ele demitiu-se, isto é, despediu-se por vontade própria!». E você volta a questionar-me: «Então, porque fica o homem a receber os tais 2.400 contos por mês, durante dois anos? Qual é, neste país, o trabalhador que se despede e fica a receber seja o que for?».

Se fizermos esta pergunta ao ministério da Economia, ele responderá, como já respondeu, que «o regime aplicado aos membros do conselho de administração da ERSE foi aprovado pela própria ERSE». E que, «de acordo com artigo 28 dos Estatutos da ERSE, os membros do conselho de administração estão sujeitos ao estatuto do gestor público em tudo o que não resultar desses estatutos». Ou seja: sempre que os estatutos da ERSE foram mais vantajosos para os seus gestores, o estatuto de gestor público não se aplica.

Dizendo ainda melhor: o senhor Vasconcelos (que era presidente da ERSE desde a sua fundação) e os seus amigos do conselho de administração, apesar de terem o estatuto de gestores públicos, criaram um esquema ainda mais vantajoso para si próprios, como seja, por exemplo, ficarem com um ordenado milionário quando resolverem demitir-se dos seus cargos. Com a bênção avalizadora, é claro, dos nossos excelsos governantes.

Trata-se, obviamente, de um escândalo, de uma imoralidade sem limites, de uma afronta a milhões de portugueses que sobrevivem com ordenados baixíssimos e subsídios de desemprego miseráveis. Trata-se, em suma, de um desenfreado, abusivo e desavergonhado abocanhar do erário público.

Mas voltemos à nossa história. O senhor Vasconcelos recebia 18 mil euros mensais, mais subsídio de férias, subsídio de Natal e ajudas de custo. 18 mil euros seriam mais de 3.600 contos, ou seja, mais de 120 contos por dia, sem incluir os subsídios de férias e Natal ,ajudas de custo e outras mordomias como cartão de crédito, telemóvel, viatura de serviço, motorista, etc, etc, tudo gratuito e sem limites óbviamente.

Aqui, uma pergunta se impõe: Afinal, o que é - e para que serve - a ERSE? A missão da ERSE consiste em fazer cumprir as disposições legislativas para o sector energético. E pergunta você, que não é trouxa: «Mas para fazer cumprir a lei não bastam os governos, os tribunais, a polícia, etc.?».

Parece que não !

A coisa funciona assim: após receber uma reclamação, a ERSE intervém através da mediação e da tentativa de conciliação das partes envolvidas. Antes, o consumidor tem de reclamar junto do prestador de serviço. Ou seja, a ERSE não serve para nada. Ou serve apenas para gastar somas astronómicas com os seus administradores. Aliás, antes da questão dos aumentos da electricidade, quem é que sabia que existia uma coisa chamada ERSE?

Até quando o povo português, cumprindo o seu papel de pachorrento bovino, aguentará tão pesada canga?

E tão descarado gozo?

Politicas à parte estou em crer que perante esta e outras, só falta mesmo um Carrasco capaz de os enforcar ou algum “maluco” lhes colocar UMA BOMBA, ao bom estilo da ETA.

Não se esqueçam, façam lá o favorzinho de reenviar para a V/ lista de amigos, para que pelo menos sempre se fique a saber de coisas importantes que retiram toda a credibilidade a esta cambada de CHULOS deste País, que de País só começa a figurar o nome.

Já agora o último a sair que feche a porta e esqueça o apagar da luz, porque já nem luz há!

Enviado por mail.

Faria ontem 400 anos um dos Maiores Portugueses de Sempre

Segundo votação à pouco realizada, e levada a cabo por um canal de televisão português, a que aliás até é público, o Padre António Vieira seria o 33º Maior Português de Sempre. O que é uma mentira e uma desonra para quem tão alto colocou o nome de Portugal e da sua língua é expoente máximo.
O Quarto Centenário do Nascimento do Padre António Vieira festejou-se ontem.
Este ano, a quarta-feira de Cinzas calhou neste dia.
Relembro a este propósito as suas palavras no Sermão da Sexagésima. Estando de facto no início da Quaresma, é sempre bom perder um pouco do nosso tempo com elas, para que se vivam verdadeiramente estes próximos 40 dias.

"Estamos às portas da Quaresma, que é o tempo em que principalmente se semeia a palavra de Deus na Igreja, e em que ela se arma contra os vícios. Preguemos e armemo-nos todos contra os pecados, contra as soberbas, contra os ódios, contra as ambições, contra as invejas, contra as cobiças, contra as sensualidades. Veja o Céu que ainda tem na terra quem se põe da sua parte. Saiba o Inferno que ainda há na terra quem lhe faça guerra com a palavra de Deus, e saiba a mesma terra que ainda está em estado de reverdecer e dar muito fruto: Et fecit fructum centuplum."

Sunday, February 03, 2008

Mas para que querem o acordo Ortográfico???A Língua Portuguesa é estupenda...

A Língua Portuguesa é estupenda...


Se o Mário Mata,

a Florbela Espanca,

o Jaime Gama

e o Jorge Palma,

o que é que a Rosa Lobato Faria?

E, já agora:

Talvez a Zita Seabra para o António Peres Metello...

Percebe-se ou querem que explicite?

Recebido por E-mail

Friday, February 01, 2008

O Drama de um Rei

Este é especialmente para o Mário.



“Numa época de futilidades, em que a política se dissolvia no anedótico, El-Rei D. Carlos representava um esforço sério e implacável de fazer da acção política uma obra digna do homem”.
Num tempo e num ambiente em que a Sociedade tinha perdido quase de todo o sentido do sagrado, a Realeza era o último fundamento ou, pelo menos, o claro símbolo transcendente da existência colectiva”…
“Ao alcançarem o triunfo sangrento, os inimigos da Realeza descobriram o abismo em que se havia de precipitar toda a Nação e todas formas tradicionais da cultura cristã”…
“Passados cinquenta anos sob o início desse esforço (o do Integralismo Lusitano), é justo que os que procuram continuá-lo se não recusem a mergulhar nas sombras da morte, onde o extremo do ódio e o extremo do amor parecem coexistir, e aí reconhecerem na figura ensanguentada de El-Rei D. Carlos a imagem da Pátria três vezes negada: negada pela razão pura, negada pelo espírito burocrático, negada pelo igualitarismo. Porque, ainda na morte, o Rei é “a Pátria com figura humana”.

Henrique Barrilaro Ruas, conferência feita na Casa do Infante, Porto, 12 de Fevereiro de 1965 e publicada pela revista Gil Vicente, Setembro -Outubro de 1965, inserida em “A liberdade e o Rei”, 1971, e reeditada por Occidentalis, 2007

Retirado de Sem Contorno

Sunday, January 27, 2008

"Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe."

Diz o Ministro da Saúde

"Quero valorizar a sigla SNS"


Digo eu: só se for pela raridade. Porque se ele continua a fechar hospitais e SAP's desta maneira, o SNS começa a dar razão a Oscar Wilde quando dizia que "Viver é a coisa mais rara do mundo", sendo que neste caso, dentro de algum tempo, a maioria das pessoas nem sequer vai existir, como estava contido na segunda parte da frase.

Saturday, January 26, 2008

E agora a minha homenagem ao...

BLOGGER DO ANO: MÁRIO CASANOVA MARTINS



Mais do o que um gesto de amizade, como ele diz, este é um prémio justo para quem faz de um blog uma página de obrigatória e necessária visita a todos aqueles que procuram verdadeira cultura e análises lúcidas e inteligentes.
Que honra tantas vezes receber a visitas deste ilustre blogger!
O Meus parabéns.

Abril águas mil, prisões mil e até divórsios mil...


Liberdade, acrescentaria eu, até para se ver livre do seu/sua marido/mulher"

Que notícia esta nos dá o Nacional Cristão....

A fartura de divórcios que advém de abril.

Thursday, January 24, 2008

E que me dizem a isto?

O que têm a dizer disto?


Ainda seremos nós os vândalos fascistas que defendem a opressão dos pacíficos comunistas que sempre lutaram pela liberdade?
Mas que bela liberdade....
E que civismo!

Que diz a URAP disto?
Para quem defendia que, com a construção do museu, haveria quem fosse peregrinar até Santa Comba Dão para prestar homenagem a Salazar, deve talvez cuidar que se pode trata do contrário...

Sobre o Tema:
No Reverentia, Salazar era Judeu, pelo Prof.HNO

N' O Pasquim, E Hoje, Não Somos Todos Salazaristas?, pelo Corcunda, com base na notícia publicada no SOL

Tuesday, January 22, 2008

Deixou a Direita de ser Eurocéptica?

Chamo atenção para o Jornal Semanário desta semana.
É um tema interessante e sensível para uma discussão blogosferica. Apesar de parecer de óbvia conclusão.



Por que é que a direita portuguesa deixou de ser eurocéptica?


Para variar gostei da resposta do Professor Jaime Nogueira Pinto, sempre bastante realista.
Lúcido, para variar, encontra-se o Professor José Adelino Maltez, no encontro das causas, que são a base para que se considere existente este fenómeno.

Sunday, January 20, 2008

Salazar - O Outro Retrato

O Texto é dedicado a Leovigildo Queimado Franco de Sousa, na época, Ministro da Agricultura, e antepassado da actriz portuguesa Barbara Norton de Matos.
O Texto é fundado nas queixas dos agricultores.
Parece que até o Salazar achou engraçado...



Ao Exmo. Senhor Ministro da Agricultura

Exposição

Porque julgamos digna de registo
a nossa exposição, senhor Ministro,
erguemos até vós, humildemente,
uma toada uníssona e plangente
em que evitámos o menor deslize
e em que damos razão da nossa crise.

Senhor: Em vão, esta província inteira,
desmoita, lavra, atalha a sementeira,
suando até à fralda da camisa.

Mas Falta a matéria orgânica precisa
na terra, que é delgada e sempre fraca!
- A matéria, em questão, chama-se caca.

Precisamos de merda, senhor Soisa!…
E nunca precisámos de outra coisa.

Se os membros desse ilustre ministério
querem tomar o nosso caso a sério,
se é nobre o sentimento que os anima,
mandem cagar-nos toda a gente em cima
dos maninhos torrões de cada herdade.

E mijem-nos, também, por caridade!

O senhor Oliveira Salazar
quando tiver vontade de cagar
venha até nós!
Solícito, calado,
busque um terreno que estiver lavrado,
deite as calças abaixo com sossego,
ajeite o cú bem apontado ao rego,
e… como Presidente do Conselho,
queira espremer-se até ficar vermelho!

A Nação confiou-lhe os seus destinos?…
Então, comprima, aperte os intestinos;
E se lhe escapar um traque, não se importe,
… quem sabe se o cheirá-lo nos dá sorte?

Quantos porão as suas esperanças
n’um traque do Ministro das Finanças?…
E quem vier aflito, sem recursos,
Já não distingue os traques dos discursos.
Não precisa falar! Tenha a certeza
que a nossa maior fonte de riqueza,
desde as grandes herdades às courelas,
provém da merda que juntarmos n’elas.

Precisamos de merda, senhor Soisa!…
E nunca precisámos de outra coisa.

Adubos de potassa?… Cal?… Azote?…
Tragam-nos merda pura, do bispote!

E todos os penicos portugueses
durante, pelo menos uns seis meses,
sobre o montado, sobre a terra campa,
continuamente nos despejem trampa!

Terras alentejanas, terras nuas;
desespero de arados e charruas,
quem as compra ou arrenda ou quem as herda
sente a paixão nostálgica da merda…

Precisamos de merda, senhor Soisa!…
E nunca precisámos de outra coisa.

Ah!… Merda grossa e fina! Merda boa
das inúteis retretes de Lisboa!…
Como é triste saber que todos vós
Andais cagando sem pensar em nós!

Se querem fomentar a agricultura
mandem vir muita gente com soltura.
Nós daremos o trigo em larga escala,
pois até nos faz conta a merda rala.

Venham todas as merdas à vontade,
não faremos questão da qualidade.
Formas normais ou formas esquisitas!
E, desde o cagalhão às caganitas,
desde a pequena poia à grande bosta,
de tudo o que vier, a gente gosta.

Precisamos de merda, senhor Soisa!…
E nunca precisámos de outra coisa.

João Vasconcelos e Sá
Carnaval de 1934

Saturday, January 12, 2008

Jornal Agora-Notícias de ultíma hora

Porque no te calas? ou Porque não se cala?




A tradução não foi a melhor, mas Mário Soares não deixou de se imitar o Rei de Espanha, mas com outros propósitos.
Em Espanha mandam-se calar os venezuelanos selvagens e mal educados que tencionam criticar outros espanhois, que apesar de mais terem mais mérito e qualidades que o próprio venezuelano, ele teima em criticar. No fundo manda-se calar um homem que apesar de visitante, critica um espanhol.
Aqui, sendo que também se verifica a existência de selvagens e mal educados, mandam-se calar os que criticam o primeiro ministro e o acusam de fazer propaganda.
"É a festa da democracia" como diria José Sócrates.

A não perder!

A OTA Bateu com a perdigota>



E Alcochete será mesmo o novo aeroporto.
Melhor, só mesmo para o comércio, é a promoção de uma nova marca, que por sua vez deverá ajudar à promoção de uma das mais recentes e emergentes pop star's da cena nacional: Mário Lino, através da criação, por parte de um publicitário de Braga, da nova marca
"AlcocheteJamé"


Mais aqui.



Com estas notícias, todo o mundo sofrerá enormes alterações, na maioria devido a avanços técnicos já realizados por varios sistemas de informação como o Google Earth, cuja pesquisa por deserto resultava neste pequeno mapa:



Altera-se assim o toda a actual disposição territorial que até hoje parecia ser um dos objhectivos do Governo Sócrates Manter.



Para concluir as informações de ultima hora, parece que o nome em alta hoje é mesmo Mário!

Imagens: Claro e Kant_O_XimPi

Wednesday, January 09, 2008

Um conselho!(o segundo do ano)

Aproximando-se mais um debate na Assembleia da República, acho por bem lembrar, e aproveitando que é um ano novo, peço atenção para as palavras de Burke aos eleitores de Bristol em 1777:



"O Parlamento não é um congresso de embaixadores de interesses diferentes e hostis, interesses que cada um tem que sustentar como representante e advogado contra outros representantes e advogados. O Parlamento é, sim, uma assembleia deliberativa de uma única nação, com um só interesse, o do todo, e que deve guiar-se não pelos interesses locais, mas pelo bem geral, resultado da razão geral do todo."

Que grande Entrevista!

"A Entrevista é a arte do Silêncio.É uma capacidade de ouvir. È o encontro de duas almas, dois corações, dois espíritos, duas cabeças que pensam, que sentem." António Lobo Antunes





Sunday, December 30, 2007

Que Deus ajude



Fotografia Estela Silva
Do Expresso de 29 de Dezembro de 2007
Pág.6

Friday, December 28, 2007

O presente de Natal do Ministro da Saúde



“Repúdio e Indignação”


Se pensarmos que no séc XIX, para atravessar o país era necessário mais de uma semana, talvez uma hora seja pouco...

A imagem só poderia vir, claro esta deste sitio.

Natal: Uma Festa Cristã

Numa época em que se decide discutir as influências cristãs na história europeia é bom ver o quanto o natal é uma festa de cariz religioso, por muito que se inventem pais natais de muitos e variados géneros.

O texto que voz aqui deixo é do prof. João Carlos Espada, publicado no Expresso de 22 de Dezembro de 2007.
Aqui fica, como se fosse o meu postal de natal.
A todos voz um Bom Natal(atrasados bem sei, mas já é habitual).

Podemos ainda desejar 'Bom Natal? Ou estaremos a incorrer em perigosa expressão de 'fundamentalismo cristão'? Que eu saiba, a moda de substituir os votos de Bom Natal por «season's greetings» começou na América, já lá vai mais de uma década. O argumento era basicamente 'inclusivo': sendo o Natal uma festa cristã, a referência natalícia poderia excluir, ou ofender, todos os que não fossem cristãos. Com o mesmo argumento, foram movidos processos judiciais contra árvores de Natal e presépios em lugares públicos — sendo a definição de 'público' generosamente abrangente: universidades privadas, por exemplo, também contavam.
Inquéritos a judeus e muçulmanos americanos chegaram então a resultados curiosos: eles não se sentiam ofendidos pelas referências natalícias. Basicamente, afinal, os que protestavam eram não crentes de uma obediência particular, que poderíamos designar por ateia (para a distinguir dos não crentes simplesmente agnósticos).
Segundo aqueles não crentes ateus, a sua posição seria neutra relativamente a crenças particulares. Mas este ponto tem óbvias dificuldades. Uma posição não crente ateia (tal como, para este efeito, uma agnóstica) é ela mesma uma posição particular. Por que razão deveria essa posição particular deter supremacia sobre outras posições particulares, designadamente sobre as crenças religiosas?
A razão, segundo alguns não crentes ateus, tem-se tornado mais clara nos últimos tempos. Uma onda de livros tem lançado sobre a religião, em particular a religião cristã, o anátema
do preconceito e do atavismo anti moderno. O argumento deixou agora de ser inclusivo para passar a ser exclusivo: já não é apenas preciso silenciar a religião para não ofender terceiros; é preciso eliminá-la para libertar os próprios crentes.
O nosso velho Isaiah Berlin, o grande filósofo da liberdade e do pluralismo, teria imediatamente detectado aqui um sofisma iliberal. Libertar as pessoas contra a sua própria vontade e sem que elas estejam a prejudicar alguém? Que liberdade é essa que consiste em exercer coerção sobre as consciências dos outros?
Outra perspectiva sobre a liberdade — que Isaiah Berlin teria apoiado — reuniu na passada terça-feira uma vasta excursão de crentes e não crentes numa visita excepcional à Cartuxa de Évora. Tratou-se do lançamento de um magnífico livro sobre 'O Segredo da Cartuxa', com texto de Paulo Moura e fotos de Nacho Doce (Pedra da Lua, 2007). Os autores não precisaram de ser crentes para respeitar e apreciar uma rara vocação de reclusão cristã — e para produzir sobre ela um livro excelente.
Bom Natal.



A proviniência da imagem é esta.

Friday, December 14, 2007

14 e Dezembro de 1918:o Adeus ao Presidente-Rei



"Mataram-me! Morro, mas morro bem! Salvem a Pátria..."

Tuesday, December 11, 2007

E porque ontem foi dia de São Carlos...

De 10 a 21 de Dezembro, está em cena no Teatro Nacional de São Carlos, uma das grandes obras de Verdi: o Rigoletto. Ópera em três actos e quatro quadros, com libreto de Francesco Maria Piave, amigo do próprio compositor, e autor de vários outros libretos, como o da ópera La Traviata.
Estreada em 1851, no Teatro La fenice, Rigoletto, tornou-se conhecida nos dias de hoje, essencialmente por uma das suas cenas, que talvez lhe tenha roubado o protagonismo com o passar dos tempos: La Donna è Mobile. Isto só como apontamento, para quem o nome Rigoletto nada diga.



O que aqui vos deixo, para além de um proposta de visita a um dos mais belos teatros nacionais, e um "convite" para assistir a uma das grandes óperas da história, é um excerto dessa mesma ópera, interpretada neste caso, pelo recém partido Luciano Pavarotti.

Tuesday, December 04, 2007

Faria hoje 115 anos...



...o General Francisco Franco, nascido a 4 de Dezembro de 1892, em El Ferrol, um gueto militar na época, instalado na margem direita, no território da Galiza
.

O 1º de Dezembro: Do Nacionalismo ao Romantismo



Passadas as grandes datas, depois da festa e palavras a propósito, surge agora o tempo da reflexão sobre os acontecimentos passados.
O dia 1 de Dezembro é um dia essencialmente nacionalista. Mas, penso eu na minha modéstia tímida, que esse é também um dia impregnado de um certo romantismo.
A Característica nacionalista claramente se afigura a qualquer um que se depare de frente com a questão: dia de orgulho nacional, de festa; recupera-se a independência nacional perdida em 1850, e que punha em causa a identidade construída sobre este território desde 1143, correndo o risco de se extinguir e perder para a mão da vizinha Espanha que se encontrava num território que não era seu.
Mas para além disto há mais. Há um certo romantismo proveniente e, até dependente deste nacionalismo. E reside este sentimento romântico, naquele conjunto de situações protagonizado por um grupo de homens que, reunido no Palácio da Independência, se unem em torno de uma causa em que acreditam; um conjunto de situações onde um grupo de homens estava pronto a "sacrificar a própria vida por um grande ideal", citando E. Nolte.
E esse risco é um risco de amor à pátria, e de dedicação a um país. E não sei se pela raridade que isso hoje apresenta, a mim causa-me sempre arrepios recordar estas datas, que pela sua glória, no parecem idílicas, podendo eu defini-las como sonhos, poderia atribuir-lhes aquela expressão que o professor Jaime Nogueira Pinto usava num prefácio(?) do livro Anos do Fim, "sonhos que trazem mais sonhos" típicos dos amantes de epopeias.
Perguntar-me-ão agora, se não é nisto que acabei de relatar, afinal, que consiste no nacionalismo?
E podendo eu responder afirmativamente de acordo com o raciocínio montado tendo eu 50% de probabilidades de resposta, podendo dizer que "sim, mais...", ou "não, pois...", lanço apenas a questão: não será o próprio nacionalismo romântico?

"Ditosa Pátria que tais filhos tens"

Luís Vaz de Camões

Sunday, December 02, 2007

Saturday, December 01, 2007

No seguimento do post anterior...

... e mais concentrado no que toca à ortografia.
Penso que será já do conhecimento de todos, o novo acordo ortográfico.



Parece que já começa a verificar-se um recuo, por parte do poder político, em implantar este Novo Acordo Ortográfico. No Brasil, já há discussão sobre o tema.

Deixo aqui o apelo, que penso que deve ser lido e pensado com atenção, do movimento que se está a criar de oposição ã esta tentativa de alteração à língua portuguesa.

Acerca de outro assunto, mas penso que se enquadra bem neste propósito, dizia o prof. Eduardo Vera-Cruz Pinto, "qualquer dia escrevo um livro cheio de erros, e depois se me criticarem, defendo-me dizendo que fiz uma grande obra porque ela é contra-arte!".

Petição aqui.